quarta-feira, 12 de setembro de 2018

O PCP e a geografia

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O PCP votou contra a sanção à Hungria que o Parlamento Europeu aprovou esta quarta-feira, numa medida inédita e tida por indispensável para travar o desrespeito de Orban, e do seu governo, pelas regras da UE sobre democracia, direitos civis e corrupção.


Fica-nos a ideia que, perdido na História, o PCP se agarra à Geografia. É capaz de ter razão, o mais conservador dos partidos políticos em Portugal. Bem vistas as coisas, só a geografia não muda. O leste é sempre leste!


  

15 comentários:

  1. O leste, é sempre leste!
    E a europa, não se sabe muito bem o que é, mas, sabemos muitissimo bem, que não é nada do que era suposto!

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    1. E que nunca poderá ser nada do que Viktor Orban quer que seja...

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  2. Parece-me uma questão de geografia, sim, mas não essa:

    O PCP é e sempre se assumiu contra a União Europeia nos moldes em que funciona e devido à perda de soberania que representa.
    Votar a favor seria legitimar uma atitude, por parte da UE, que condenam - apesar de afirmarem deplorar os atropelos húngaros.


    É este um caso complexo: a UE prevê mecanismos de correcção para políticas pouco europeístas (democráticas ???) no seu seio - mas sendo os órgãos executivos e legislativos da UE tão pouco democráticos e transparentes que até a quem é europeísta ferem, como esperar que anti-europeístas suportem decisões de tão descarada ingerência? Desejamos que ignorem os meios pois os fins justificam-no largamente? Ou, por outro lado, questionamos esta UE sem identidade que finge unir povos tão distintos cujas barreiras são muito anteriores às divisões da Segunda Guerra Mundial?

    Eduardo, a Primeira Cruzada foi há mais de 1000 anos, e exactamente para Leste. A UE, gerida por quem não eleito e agindo de acordo com programas nem sufragados nem escrutinados, toma decisões e depois espera que os deputados sancionem ingerências previstas ao arrepio de quase todos?

    Pela primeira vez em muito tempo percebo esta aparente contradição do PCP.

    Os países não são crianças para ficarem de castigo quando prevaricam. Gostemos ou não, Órban foi eleito democraticamente e está a seguir o programa sufragado.
    E convém não confundirmos: democracia é o sistema de gestão, não o sistema de valores...


    Não gostamos, entendemos que não se coaduna com os valores europeístas que desejamos na UE? Fechamos a cooperação e suspendemos direitos e deveres. É assim que se respeitam as soberanias, não com suspensão de votos enquanto se derramam políticas que afectam todos.

    E poderíamos aproveitar o embalo para discutir que UE queremos já que a que somos ninguém percebe.

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    1. A Sarin acabou por escrever o que poderia ser um "statement" para sustentar ... a abstenção do PC. Só que o PC votou contra. E votar contra uma coisa é sempre votar a favor de outra!
      Se a UE nos impõe as regras para tudo, mal ou bem, não vem para o caso, não se perceberia que não impusesse regras da observância dos mínimos democráticos. Era o que faltava!
      Quando a barricada está entre o despudor e a decência mínima, eu sei sempre que lado a escolher. Aí não há volta a dar...

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    2. Não, Eduardo, votar contra algo é, ou deveria ser, votar contra aquele algo específico; isso do "quem não está comigo está contra mim" é uma falácia do autoritarismo.
      Que deve ser combatida, por ser do autoritarismo mas sobretudo por ser falácia.

      O problema para o PCP, pelo que li, é a ingerência - e, se assim for, subscrevo o voto contra.
      Porque eu também sei que lado devo escolher - assim como sei que cedências estou disposta a fazer, não apenas nessa barricada mas em todas.
      Concordo com a existência de mecanismos de controlo - aliás, estes são fundamentais numa união legal, comercial, social, aduaneira. O problema são os mecanismos em causa (a forma como são definidos e desencadeados, também, mas é este outro assunto): retirar direito de voto mas continuar a legislar sobre o país? Ingerência descarada, despudorada, levada a cabo por países que se querem parceiros. Um país não subscreve ou não aplica as directivas fundamentais? Então não pertence ao mesmo espaço! Suspenda-se integralmente a sua posição como país da UE. Unilateralmente, porque unilateral foi também o incumprimento.

      As medidas anunciadas são mera operação de charme. E, pela declaração de voto, o PCP votou contra estas medidas, não a favor dos atropelos húngaros.

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    3. Não, Sarin. Aqui nada tem a ver com essa dicotomia. Isso cabe noutras "estórias" que não nesta. Peço desculpa, mas aqui não se pode ignorar o que representa estar contra ou estar a favor. E sobre as posições do PCP em geo-política não há grandes novidades, pois não?

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    4. Até há uns dias dizia o mesmo do mapa do PCP. Mas com esta história da Hungria... Eduardo, a Hungria sempre foi, dos dilectos filhos de Leste, a mais mal-amada enteada, a mais difícil de domar, aquela que mais mão-de-ferro exigiu para lá da Cortina. Duvido que, com a direita no poder, o velho PCP se ativesse a geopolíticas saudosistas - ainda se o Fidesz tivesse os deputados no GUE/NGL...

      Não, caro Eduardo, neste caso percebo a posição do PCP e discordo da leitura que faz - votar contra o relatório que pede sanções de pura ingerência não é votar a favor das violações dos direitos humanos.

      Sou contra as violações dos direitos humanos. Mas sou contra a violação da soberania de um país, ainda para mais desta forma. Ou se suspende tudo, relações e abertura de fronteiras, ou se impõem multas por infracção. Suspensão de voto? Legislar abrangendo um país que não tem direito de voto é Reinar - reinar sobre o país e reinar com os seus cidadãos.

      Já nos chega o peso relativo dos votos na UE.

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    5. Pronto, Sarin. Cada um fica com a sua... e não se fala mais nisso... (é uma força de expressão, claro!).

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    6. Tenho um postal muito anterior a esta votação sobre os princípios e as simpatias, O fim do Princípio.
      Talvez nele a minha opinião esteja mais bem explicada, ou pelo menos mais perceptível :)

      Não se fala mais nisso! :)
      Embora eu desconfie que os tempos que se avizinham nos levem a falar nisso muitas vezes...

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    7. "Não se fala mais nisso" era, como referi, uma força de expressão, não uma expressão de força. Li o seu postal, e concordo com o princípio do primado dos princípios. Há sempre circunstâncias em que é preciso definir prioridades, há princípios que muitas vezes conflituam. Não é raro que dois ou mais princípios cheguem ao mesmo tempo a uma encruzilhada qualquer. Aí, cada um há-de ter um princípio maior, à luz do qual estabelece as suas regras de prioridade. É disto que trata a posição que tenho defendido.

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    8. No caso, entendo que não são os princípios que conflituam - é a solução. Há mais soluções viáveis, não há é vontade, ou talvez energia, política para as propor.

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  3. O PCP é contra a ingerência da UE em assuntos nacionais. É contra a violação da soberania. Seja em assuntos de défice, ou de práticas anti-comunistas como as do ditador fascista Orbán.

    Sempre é mais coerente do que ter PSD e CDS no mesmo partido europeu que Orbán... Ou se calhar não é assim tão incoerente.

    Já o que é 100% coerente, é o anti-PCP primário em que os PS se distraen desde há décadas atrás, e que impediu uma Geringonça mais cedo, pois andavam vestidos de Rosa ao mesmo tempo que brincavam aos "liberaizinhos" com "privatiza aqui", "tira direitos ali", "subfinancia o SNS acolá", e o pior crime de todos que o PS fez contra a esquerda democrática: adesão a uma UE de poder centralizado, sem escrutínio popular, onde mais depressa se é ameaçado devido a uma décima do défice, do que pela violação de direitos humanos e democráticos.

    Portanto este seu post, onde ataca o PCP por este ser defensor da soberania nacional, mas manipula o leitor para dar a entender que é por questõea "geográficas" de outros tempos, não me surpreende. Vocês, rosas, não dão para mais que isto...

    PS: nunca votei PCP (Comunismo) na vida, nem PS (Terceira-Via, Social-Liberal) já agora, pois sou Social-Democrata (esquerda na economia, libertário nos costumes) e como tal voto no BE (Socialismo Democrático), pois são os únicos que compreendem que a UE (desde Maastricht em 1992) e em particular a Zona Euro, são o princípio do fim da Democracia.

    PS2: apesar de perceber o sentido de voto do PCP, e de o saber explicar sem recorrer à mesma desonestidade intelectual que você, e apesar de ser um soberanista contra as ingerências IDEOLÓGICAS da UE, estou do lado do BE e PS nesta votação, pois trata-se de uma ingerência por razões fundamentais: a defesa do Estado de Direito, Livre, e Democrático, num estado membro da UE.

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    1. Quer dizer, no fim de umas tantas "cotoveladas" e de esgotar os rótulos que me tentou colar, bem no fim, até diz que está de acordo comigo. Valha-nos isso, Jorge.

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    2. Para ir do ponto A ao ponto B, há vários caminhos e várias formas de fazer cada um deles.

      Concordamos? Pelo que li, não sabia ainda se concordávamos... é que eu, ao contrário do que você fez neste post, não justifico desonestamente a minha crítica à posição do PCP.

      Resumindo o que eu disse: o PCP é contra a ingerência da UE na soberania nacional. Compreendo isso na maioria das questões que deviam ser da exclusiva competência de cada país, mas não na votação contra a Hungria onde está em causa algo fundamental como a Democracia.

      O que você disse não foi nada disto!!! E mentiu:

      "o mais conservador dos partidos"
      - o partido mais conservador é o CDS-PP. E isto por acaso até é factual:
      in Chapel Hill Expert Survey (CHES) – chesdata.eu:
      BE=0.67; PS=3.17; PCP=4.17; PSD=5.67; CDS=7.33
      Valores do índice Galtan, onde: 0= o mais Libertário (a favor das liberdades individuais); 5= centro (sem tendência específica); 10= o mais autoritário/tradicionalista (que mais quer limitar liberdades individuais, o mais conservador)]

      "perdido na História, o PCP se agarra à Geografia (...) a geografia não muda. O leste é sempre leste"
      - desonestidade intelectual, pura e dura! Tenta criar uma ideia (FALSA) de que o voto do PCP tenha algo a ver com os tempos em que a Europa tinha no leste um bloco comunista/soviético, como se o PCP não soubesse que Orbán (camarada de partido do PSD e CDS) persegue os camaradas comunistas do PCP na Hungria.

      Eu não lhe tentei colar rótulos nenhuns. Eu limitei-me a constatar a realidade. Percebo que para quem é intelectualmente desonesto como você foi neste post, os factos sejam algo que incomoda...

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    3. "BE=0.67; PS=3.17; PCP=4.17; PSD=5.67; CDS=7.33"
      Ou seja, o PCP é mais reaccionário que o PS.

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