
Espanha foi a votos e nada ficou como estava. Não houve qualquer revolução sociológica a determinar o novo mapa político da(s) Espanha(s): direita e esquerda mantiveram os seus votos. Só que os da direita, distribuídos por três forças políticas - o PP, que praticamente implodiu, o Ciudadanos, que quase chegou a segundo partido, e o Vox, da extrema direita (sim, Nuno Melo - extrema direita), mesmo sem se confirmar o tsunami anunciado - valeram menos 22 deputados. Mesmo assim, menos que os 29 perdidos pelo Podemos, vítima dos seus próprios erros, mas também da radicalização eleitoral que potenciou o voto útil nos socialistas.
No meio disto tudo o PSOE ganhou e Pedro Sanchez dá agora voltas à cabeça para encontrar uma geringonça que lhe permita governar. A tentação de um bloco central com o Ciudadanos está fora de causa. Nem eles eles próprios, nem os eleitores socialistas, o querem. Logo que os resultados ficaram conhecidos, ao mesmo tempo que celebravam a vitória, as bases socialistas gritavam "Rivera, no". E não bastam os deputados do Podemos, tal foi hecatombe eleitoral. É preciso envolver ainda os partidos nacionalistas da Catalunha (Esquerda Republicana da Catalunha, com 15 deputados, já que também o partido de Puidgemont foi "castigado") ou do País Basco (Partido Nacional Basco, 6 deputados) ...
Ah... a resposta é artilugio!
Pode não acreditar, mas esse foi-se o primeiro título em que pensei hoje:). Vai ser uma geringonça difícil de articular, seguramente.
ResponderEliminarAcredito, pois. Mais difícil ainda...
ResponderEliminarDuas coisas que importa realçar:
ResponderEliminar- A direitalha foi derrotada e bem derrotada. PP e Vox juntos (não nos esqueçamos que o Vox é um filho dos corruptos do PP) tiveram menos votos que o PP em 2016.
- Sanchez precisa do consentimento da ERC para governar, por isso terá que respeitar o povo catalão se o quiser fazer, ao contrário do corrupto Mariano Rajoy Brey que semeou a sua própria derrota. Visca Catalunya!
Espanta-me se puderes: em Portugal governam os corruptos do PS e os seus aprendizes do BE. Ja' agora, que venham os corruptos do VOX pelo menos para variar - senão corro o risco de enjoar e perder o apetite. Os nutricionistas aconselham uma alimentação variada: rica em proteínas e vegetais variados - de preferência de diversas cores: ao que parece fazem muito bem `a saúde e fortalecem o caco
ResponderEliminarNo "Expresso Curto":
ResponderEliminar"Portugueses ensinam geringonça aos espanhóis. Mas aprendem pouco com as eleições de ontem".
Estes expressivos aldrabões não referem a grande diferença, que reside no facto de na Espanha, geringonça ou chamem-lhe o que quiserem, ser patrocinada e liderada por quem ganhou as eleições.
Ao omitirem este dado fundamental das duas três, estão a vender peixe por conta alheia, a sustentar um barrete que nos enfiaram, ou a fazer de nós parvos.
A terceira nuance é mais que certa.
Quatro anos depois e ainda há quem não perceba que os governos não são eleitos, irra!
ResponderEliminarPor enquanto os extremismos parecem sob controlo, e a Espanha validará ou não em Estrasburgo a opção governativa. Porque em Espanha há dois tipos de nacionalismo em contraposição, e Pedro Sánchez dificilmente conseguirá o apoio de um sem alienar o outro.
"Quatro anos depois e ainda há quem não perceba que os governos não são eleitos"
ResponderEliminarMas há quem se lembre e perceba que o usurpador Costa defendeu não muito tempo antes que os governos deviam resultar do voto soberano do povo e não de arranjos partidários de puro e ocasional oportunismo politico.
Para quem tudo vale tudo serve, no caso serviu sobretudo para resgate próprio do cadáver politico anunciado.
O meu ficou em rascunho por isso :))
ResponderEliminarNão pretendo entrar em debate consigo, mas relembro-o que um acordo parlamentar envolve na discussão os deputados - que são eleitos e que nem sempre cumprem as directrizes da direcção do partido; ao passo que um acordo governamental envolve apenas as direcções dos partidos e os ministros designados - designados, não eleitos. Pode não encontrar diferenças, mas existem.
ResponderEliminarE Pedro Sánchez parece não querer "geringonçar", por isso, talvez não faça falta, para já, a tradução. Pelo menos, literal...
ResponderEliminarTerá que ter muita elasticidade, ou então governar pelos mínimos. Como conseguirá conciliar dois nacionalismos tão distintos sem abrir hostilidades em nenhum? Os separatistas e os unionistas vão obrigá-lo a percorrer uma longa e tortuosa estrada muito estreita - e as europeias castigá-lo-ão por qualquer erro na formação de governo.
ResponderEliminarSempre distingui os objectivos das europeias dos objectivos das legislativas, mas neste momento em Espanha uns dependem dos outros. Sánchez tem razão, nenhuma Geringonça lhe servirá até Maio...
VOX para variar? A escumalha do VOX é descendente do PP, não há nada para "variar" por aí. Os militantes do VOX apenas saíram do PP para enganarem burros como tu mas pelos vistos não tiveram muito sucesso. E se defendes o VOX podes muito bem emigrar para o estado espanhol e escreveu os teus posts em castelhano.
ResponderEliminarEstá na altura de o PSOE escolher o seu lado da história. O lado dos valores republicanos e da defesa da autodeterminação dos povos, o que deveria ser a bandeira de qualquer partido que se diz "socialista", ou o lado da monarquia corrupta e dos espanholismos ferrenhos.
ResponderEliminarUma coisa é certa: sem os republicanos e os independentistas catalães, o PSOE não consegue governar.
Essa conciliação é uma tarefa hercúlea. Não sei como vai ser possível. Será bastante interessante de acompanhar. Acho que temos grandes desafios.
ResponderEliminar(De repente, parecia um telegrama:))
ResponderEliminarSim, penso também que estaremos perante um daqueles momentos de viragem na História.
ResponderEliminarNão me parece que a divisão seja assim clara - um republicano pode continuar a ser unionista, um socialista pode claramente ser monárquico e, ainda assim, ser a favor da independência da Catalunha.
ResponderEliminarO mundo nunca foi a preto e branco, e penso que a Espanha vive por estes dias umas nuances que serão as Eminências Pardas desta Europa ocidental. Não necessariamente boas ou más, mas decisivas para os próximos anos da UE.
:D
ResponderEliminar"um socialista pode claramente ser monárquico"
ResponderEliminarNão, não pode.
Está bem, para si o PSOE está cheio de não-socialistas.
ResponderEliminarSe é matéria de fé, ficamos por aqui. Mas se é matéria ideológica, permita-me recordar-lhe que o socialismo reune várias visões socio-económicas da sociedade, nem todas democráticas (o anarquismo) e nem todas republicanas (as sociais-democracias que existem em várias monarquias europeias).
Quatro anos depois você ainda não sabe que nas eleições legislativas elege-se DEPUTADOS e não o governo. Como tal não há vencedores ou derrotados. Quem "ganha" é quem consegue formar governo e neste caso a direitalha não consegue. Está muito longe disso pois Cs, PP e VOX são ODIADOS pela maioria do povo espanhol.
ResponderEliminarO anarquismo não é democrático??
ResponderEliminarSocial-democracia é diferente de socialismo. A social-democracia é compatível com a monarquia, o socialismo não. Se chamarem ao PSOE sociais-democratas já estou de acordo.
Leia o que digo mais abaixo só para ver se entende.
ResponderEliminarO Anarquismo rebela-se contra qualquer ideia de hierarquia. Como concilia isto com governo pelo povo quando, ainda para mais, este governa maioritariamente por representatvidade?
ResponderEliminarMuitos dos partidos sociais-democratas integram a Internacional Socialista. Porque a matriz é socialista - e o socialismo integra várias visões socio-económicas, como disse antes. Umas mais estatistas e outras mais liberais, umas mais moderadas outras mais revolucionárias.
Pode não gostar, e nesse caso pode tentar reescrever a História, algo muito na moda, e pode ainda reclamar com a Internacional Socialista.
Já agora, o PPD passou a PSD porque Sá Carneiro e outros queriam integrar a IS. Nunca integrou porque o PS de Soares impediu, temendo o risco do oportunismo ou estratégia política mas, penso que também, porque não desejava repartir o palanque. Ainda assim, e tanto quanto lembro, os deputados europeus do PSD integraram a bancada Socialistas e Democratas desde que entraram (após o Cavaquistão) e até ao advento Passista-Relvista.