
Comemoramos ontem os 45 anos do 25 de Abril. Como sempre, com festas populares por todo o país, com desfiles nas principais cidades, e com a sessão solene na Assembleia da República. Que, em vez de uma oportunidade solene para os poderes democráticos instituídos comemorarem e dignificarem a democracia e o 25 de Abril, é normalmente oportunidade para todas as polémicas, e para exponenciar as divisões políticas, sejam elas estruturais, e quase insanáveis, ou meramente conjunturais, esgotadas no tacticismo oportunista da luta política.
O discurso de Presidente da República, sempre o ponto alto da sessão, raramente consegue fugir a estas divisões, sendo mesmo frequente que as acentue. O anterior titular foi disso flagrante exemplo.
As divisões passam invariavelmente pelo cravo vermelho e pelo posicionamento face o discurso do mais alto magistrado da nação.
O cravo vermelho é símbolo dessa divisão que mais salta à vista. Não os bonitos cravos vermelhos que invariavelmente engalanam a casa da democracia para a ocasião, mas os que integram a indumentária dos intervenientes.
Dividem-se sempre em dois grupos: os que usam e os que não usam cravo ao peito. O cravo não é assim o símbolo da liberdade e da democracia, mas o carimbo que uns ostentam orgulhosamente e outros, porventura não menos orgulhosamente, fazem questão de publicamente recusar. Nos últimos largos anos com o Presidente da República à cabeça!
Ontem, a grande maioria dos intervenientes apresentou-se de cravo ao peito. A excepção do representante de uma das bancadas não surpreenderia, e fez apenas tornar mais notada a atitude do mais alto magistrado da nação, que repetiu exactamente o gesto do ano passado, entrando timidamente de cravo vermelho na mão, que pousou na bancada logo que iniciou o discurso.
O que não impediu que, pela primeira vez, todas as bancadas o tenham aplaudido. Nunca antes um discurso presidencial, no 25 de Abril, tinha convocado um aplauso unânime e inequívoco. Terá certamente sido pelo seu conteúdo abrangente e oportuno, afastado das intrigas que enchem a espuma dos dias do discurso político, a que tantas vezes não consegue resistir. Mas também pela consciência que os tempos não vão fáceis para a democracia, e que a sua comemoração não se pode perder em minudências.
Categoria em que me recuso a incluir o cravo vermelho. Por isso gostaria de um dia o ver no peito de todos os que estivessem a festejar o 25 de Abril. E por maioria de razão no do Presidente da República. Porque o cravo vermelho, como o 25 de Abril, não tem dono. E porque a democracia é feita de símbolos!
* A minha crónica de hoje na Cister FM
Lamento mas não é verdade: Comunistas e Bloquistas não aplaudiram o Sr PR
ResponderEliminarPelo menos confira alguma dignidade ao cravo que levava na mão.
ResponderEliminar"O presidente não é fiável nem confiável, e posso prova-lo".
Depois desta afirmação publica de um alto graduado porque será que Marcelo não faz a exigência dessas provas?
Fico à espera.
Há símbolos que, tornados universais pela espontaneidade, não são universalmente abraçados.
ResponderEliminarMarcelo entrando de cravo na mão, Cristas (cf. li num jornal) "sem cravo mas vestindo vermelho" assemelham-se ao nim. Também gostaria que o símbolo fosse abraçado pelos portugueses que pisam a AR, mas há quem não perdoe as circunstâncias do nascimento da democracia em Portugal.
Depois de ver gente da minha idade, e até mais nova, clamar que não se tratou de uma revolução mas de um golpe-de-estado, quando muito de uma revolução cultural, confesso que me apetece vestir cravos o ano inteiro.
Ah, os cravos...
ResponderEliminarSem dúvida que com mais cravos resolvia-se a corrupção que mina o regime. Deve ser isso.
As meias tintas continuam a ser em Portugal o melhor salvo-conduto para a popularidade, sempre paredes meias com o populismo. Que, para MRS se divide em bom e mau, o que lhe permite criticar o segundo e praticar o primeiro. Não há nim mais nim, Sarin (não é para rimar!).
ResponderEliminarNão é nada disso. Bem regressado, António.
ResponderEliminarCaro Eduardo, não está interessado numa petição para fechar as igrejas aos Domingos? A minha inépcia nas redes está a impedir-me de fazê-la.
ResponderEliminarDesgraçado país a viver de gente que para se mostrar democrata precisa de se anunciar digno com autocolante a esvoaçar na lapela ou de carregar um cravo na mão a pesar-lhe nas costas.
ResponderEliminarE a flor do 25 de Novembro, qual e'? Vão dar lições de liberdade `a p.q.v.p. Não passam duma corja oportunista que vive `a custa do status quo. Vão dar lições de sapiência aos ignorantes e desgraçados que, como dantes, comiam com os padres. Agora comem com os videntes ( os da verdade ideologica). Tenha vergonha: não se comporte como um vendilhão do templo. Arrogante e miserável bloguer
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