quinta-feira, 23 de maio de 2019

Nos limites do paradoxo

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Hoje, no último dia do prazo, o Banco de Portugal entrega finalmente na Assembleia da República a lista dos grandes devedores da banca, depois de, em Janeiro passado, ter sido aprovada a lei que obriga as instituições de crédito a divulgar informação sobre os créditos que provocaram as perdas que as  conduziram ao pedido de auxílio do Estado.


Depois de tanta resistência em fornecer esta informação, levantando sempre os maiores problemas, sempre perdidos nos excessos das tecnicalidades apenas acessíveis aos seus altos quadros, o Banco de Portugal acabou por fazer chegar ao Parlamento não uma, mas duas listas: uma para os deputados, e outra para divulgação pública.


É sempre assim, cada vez que falamos de transparência...


Amanhã, os alunos das escolas portuguesas, depois de em Março terem aderido ao grande protesto mundial dos estudantes ("não há planeta B"), vão participar numa greve climática para desenvolver acções de protesto pelas agressões ambientais em 34 cidades.


Mas há testes marcados para esse dia. E os alunos vão ter falta injustificada, justificada por todos os directores escolares, mesmo pelos que saúdam o seu abraço à causa, e juram encontrar toda a justificação para o protesto. 


Somos assim, sempre nos limites do paradoxo! 

6 comentários:

  1. Que versão de Excel usam? Desde 1994 que tem opção de filtros, não precisam de elaborar duas.


    As faltas injustificadas surgem no dia seguinte ao Ministro do Ambiente dizer que a luta dos estudantes é a mais justa.
    Como diz a anedota, "Organizem-se, caraças!"

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  2. Duas listas de devedores? Compreendo que possa haver duas, se uma dos bancos privados, e que já pagaram os empréstimos ao Estado, e outra dos bancos onde está dinheiro público que nunca mais os contribuintes verão.
    Não compreendo porque razão há duas, se os deputados nem têm de saber o que se passa nos bancos que já pagaram ao Estado. E relativamente aos outros, se há dinheiro público envolvido, o público pode saber, deve saber.
    Eu sou uma pessoa com muita compreensão. Compreendi porque razão, acerca da boa saúde do BES, o PR mentiu, o BdP mentiu, o PM mentiu, a CMVM mentiu, e até o líder da oposição mentiu - o sistema estava em cima do colapso, uma faísca e era outra Grécia, com racionamento nos multibancos. Compreendi, mas não gostei. Conheço dois ou três que lá deixaram a pele porque acreditaram nas Instituições.
    Não compreendo porque se escondem os devedores da banca pública ou intervencionada. Demais a mais devem ser os do costume, uma elite de milionários de estufa que vai aparecendo nos media porque deve milhões ao Novo, mais uns milhões à CGD, mais uns milhões ao Montepio, perfazendo contas caladas de centenas de milhões por cabeça. Quem os fez milionários? Porquê? Quem ganhou? Quanto?
    A pergunta de milhões - muitos milhões - é porque é que desde o Bloco ao CDS todos escondem? Não quero crer que o regime esteja todo podre, mas...

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  3. Qual será a lista onde figura Berardo? Ou tem o privilégio de ser imagem de capa das duas?

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  4. Tens razão, é uma questão de filtros. A lista destinada a ser tornada pública está toda filtrada. E com filtros bem escuros!
    O Ministro do Ambiente tem de se preocupar com a causa. Já o Ministro da Educação acha que não tem nada a ver com isso.

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  5. Exacto, muitos filtros por preocupação com o nosso bem pensar.


    Infelizmente, não tenho memória de um governo onde a interdisciplinaridade esteja tão ausente... parece que não discutem políticas transversalmente - será o Conselho de Ministros um exercício de 'brainstorming' do Ministério das Finanças?

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