
O passado fim-de-semana não foi apenas marcado por uma crise política muito particular, que mais não fez que voltar a mostrar a verdadeira face da política portuguesa. Foi também o fim-de-semana da abertura das queimas das fitas, provavelmente mais excitantes que as piruetas e os saltos mortais à retaguarda dos nossos líderes políticos.
Mas não mais dignas. Nem mais motivadoras, nem maior motivo de esperança. Antes pelo contrário…
Em Coimbra, a capital do acontecimento, um grupo de estudantes entendeu apresentar-se num carro alegórico que designou de "Alcoholocausto", com desenhos a preceito. Parece que a comunidade académica, e em especial os professores, reagiu e o carro dos meninos acabou por desfilar sem o nome e sem os desenhos alusivos ao holocausto, substituídos por outros, alusivos à censura e à falta de liberdade.
Aludir à censura e à falta de liberdade, quando a pressão social “impede” uns meninos de brincar com os mais hediondos crimes da humanidade, poderia ser desconhecimento e ignorância. Ignorar que a censura e a falta de liberdade são próprias do mesmo regime criminoso do holocausto e dos que o defenderam, poderia até ser relevado aos mais distraídos jovens de hoje a concluírem os seus cursos de multimédia, de engenharia alimentar (nada contra estes cursos, é de estudantes de não de cursos que estou a falar) ou outros identicamente afastados daqueles conteúdos. Mas, não é o caso. Estes protagonistas são os fitados de História. Isso mesmo, são finalistas da licenciatura em História que se consideram vítimas de censura porque a pressão social lhes impede de banalizarem e branquearem a maior tragédia criminosa da humanidade.
Já no Porto a queima é mais álcool e sexo. Ainda mais… Mas a mesma indignidade. Vídeos de actos sexuais exibidos nas redes sociais, frases sexistas nas barracas, e álcool. Muito álcool. Um dos jornais conta que, numa destas madrugadas, uma jovem foi encontrada seminua e inconsciente no queimódromo. Outro, explica que chegou a tal estado tirando peças de roupa que trocava por bebidas…
E lembrar-mo-nos nós que, há precisamente 50 anos, em Coimbra, os estudantes cancelaram a queima das fitas por estarem em luta contra um regime que lhes roubava a liberdade e os mandava matar e morrer em África, num dos mais marcantes momentos da História do movimento estudantil no nosso país...
* A minha crónica de hoje na Cister FM
"...e o carro dos meninos …"
ResponderEliminarPois é. São os nossos filhos, os futuros doutores, engenheiros e etc., e que vão governar o país quando dali saírem.
Por isso, é muito feio dizer mal dos nossos filhos.
É melhor metermos a viola no saco, porque, se entendermos que o melhor é passar a cantar-se o hino na escola, a ter de se honrar pai e mãe e etc., então vamos ser apelidados de fascistas e não sei que mais, tal como fazem ao Bolsonaro do Brasil, onde 60% dos eleitores, porque votaram nele, são fascistas e não sei que mais.
Caro Eduardo Louro, o seu artigo vale poucochinho.
Todos os anos nas recepções ao caloiro e nas queimas da fitas se repetem as notícias tristes. Se os meninos não sabem fazer melhor com a liberdade que lhes foi oferecida, talvez não a mereçam.
ResponderEliminarMuito feio é confundir liberdade com libertinagem.
ResponderEliminarSó é lamentável que estudantes de história, tenham memória tão curta e que não saibam o que é ética e respeito.
ResponderEliminarQue tal desenvolver uma App, já que as Universidades é coisa que não funciona, para lhes explicar o conceito e o respeito.
Muito triste é a realidade de que o artigo fala e vermos comentários tão tristes de encarregados de educação... Muito triste mesmo...Liberdade não é isso, isso é libertinagem e falta de educação.
ResponderEliminarLiberdade não é falta de autoridade... Amor e autoridade não têm de estar separadas= Educação.
As pessoas tendem a esquecer que, num espaço comum regulado, há regras, e que essas regras são conhecidas quando entram (ou deviam ser). A FAP encerrou barraquinhas que violavam as regras - não é censura, é garantir o cumprimento de regras que todos aceitaram cumprir.
ResponderEliminarOs meninos de Coimbra não foram proibidos de circular com os cartazes, cederam à pressão dos seus pares. Se estivessem seguros da inocência, ou do acinte, da sua piada, seguiriam viagem como programado. Mas não, o que apenas revela a sua incultura - não acho que tenha sido branqueamento, sequer, antes uma piada própria de inconscientes que não percebem o alcance dos acontecimentos. Imbecis, apenas, e maus alunos de História. (O que nos poderia levar a outros debates :))
Em nenhum caso lhes foi cerceada a liberdade. Pensarem-no apenas demonstra o quão mal preparados estão.
O treinador do Liverpool criticou a calendarização e os locais das provas europeias.
ResponderEliminarA sensatez vale ouro.
Vi agora no sapo uns vídeos (truncados, felizmente). Não sei o que é pior, se a falta de respeito de obrigar as raparigas a chupar um falo de borracha para ter uma bebida, se a falta de respeito por si próprias que levou algumas a chupá-lo. Mau demais.
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