Resisti a escrever o que quer que fosse sobre a transferência de João Félix até que estivesse realmente confirmada sabendo-se, como se sabe que, nestas coisas, a verdade nunca chega antes de uma infinidade de mentiras, produzidas por uma máquina diabólica sempre a funcionar em alta rotação.
Sabe-se agora, parece que já não há volta a dar-lhe, que João Félix vai para o Atlético de Madrid. Dizem-nos, diz-nos a mesma máquina, que pelo valor da cláusula de rescisão. Pelos tais 120 milhões de euros, transferência que passa a constar do top 5 mundial.
Será certamente. Poucas dúvidas sobram disso. Mas muitas se levantarão sobre o destino de tanto dinheiro... Uma coisa pode ser dada por certa: se alguém esperava que este negócio resultasse do simples accionamento de uma cláusula de rescisão de um contrato, em que uma parte se apressa a depositar o respectivo valor deixando a outra paralisada e sem qualquer possibilidade de reacção; esqueça!
Não foi nada disso que se passou. E como não foi nada disso que se passou, toda a gente negociou com toda a gente sem restrições de qualquer espécie - incluindo o clube de Madrid com o jogador -, não há forma de os 120 milhões serem 120 milhões a entrar nos cofres do Benfica. Jorge Mendes esteve envolvido - está sempre - e não sai de mãos a abanar. Nem nada que se pareça...
Claro que haverá quem venha a correr dizer que só Jorge Mendes é capaz de fazer negócios deste nível. E são até capazes de trazer para aqui o caso de Bruno Fernandes, de que foi afastado. Mas não colhe. Pela simples razão que João Félix ... não era para vender!
O presidente do Benfica disse sempre que o queria manter no clube, renovar-lhe o contrato e aumentar até a cláusula de rescisão. Que, apenas obrigado pela activação da cláusula prevista no actual contrato, abriria mão do jogador. E por isso não se percebe por que surgiu Jorge Mendes no negócio. Se não era para vender, porquê um vendedor? Nem por que o Atlético de Madrid pôde começar a apresentar propostas a um jogador que não estava livre para negociar, nem era para vender, sem que isso fosse denunciado por hostilidade.
Mas, claro, estamos a falar de negócios - "business, as usual". Onde tudo o que importa é ganhar dinheiro a qualquer custo. Ninguém olhou muito para mais lado nenhum que não esse. Nem o miúdo, sempre o elo mais fraco nestas coisas. Que, deixando-se ir na conversa de todos os que o rodearam, cada um com as suas preocupações e com os seus interesses, corre sérios riscos de, naquele clube e naquele futebol de Simeoni, hipotecar uma carreira que poderia ser brilhante.
O Manchester City, de Guardiola, a alternativa mais robusta, ganha títulos, tem um futebol de primeira água, à medida das mais evidentes qualidades do miúdo, e pretendia deixá-lo na Luz, mais 6 meses ou um ano, passando depois integrá-lo na equipa. No Manchester City iria encontrar Bernardo Silva, uma referência na equipa. Atlético de Madrid vai encontrar fantasmas: João Pinto, Simão, Gaitan... e um clube com enorme dificuldade em conquistar títulos. Vai cair num futebol eminentemente físico e encontrar bancadas cansadas de não ganhar, que nada perdoarão a um miúdo que custou como gente grande. Da maior. Mas, acima de tudo, a diferença é esta: no Manchester City João Félix poderia aspirar a ser bola de ouro. No Atlético de Madrid, nem por sonhos...
Pode perceber-se que, com tanto dinheiro, ninguém se tenha lembrado disto. Não se entende é que o próprio João Félix não o tenha percebido!
Ainda espero, Eduardo. Porque no desmentido percebi que negavam as comissões, não negavam a transferência.
ResponderEliminarPor isso, aguardo mais um pouco. Já cá volto. Ou amanhã.
De futebol percebo pouco, mas aprender não custa. O jogador pode opor-se?
ResponderEliminarNão, Sarin. Terás que esperar muito mais. Se calhar até à publicação do Relatório e Contas, lá para Novembro... Isso sobre as comissões, porque a "plataforma", essa já está a girar.
ResponderEliminarPode é preocupar-se em ser bem aconselhado. Mas com tanto dinheiro não é fácil. Quando se tem 7 milhões de euros líquidos por ano não fica muito espaço para pensar noutra coisa, quanto mais em opôr-se.
ResponderEliminarFalava das comissões, a ida também me pareceu assegurada pelo que não foi desmentido.
ResponderEliminarSim, sim. É pelas comissões que vais ter de esperar. Tu, os outro não!
ResponderEliminarVai ser mais um Renato Sanches?
ResponderEliminarPrefiro o Atlético ao Real, por muitos motivos incluindo históricos deles; mas estragam-nos o miúdo, Eduardo :(
ResponderEliminarLíquidos? Tinha a ideia que geralmente mencionavam os salários brutos dos jogadores (como é natural fazer em qualquer negociação salarial). Mesmo assim ainda seriam uns 4 milhões de euros por ano.
ResponderEliminarNão se compara. João Félix ainda só tem 19 anos e já bateu diversos recordes. Talvez o Atlético não seja a melhor opção, mas a verdade é que Griezmann esteve no Atlético durante 5 anos e é um dos melhores jogadores do mundo.
ResponderEliminarSim, mas supondo que o jogador não quer deixar o clube, ou o país, a família, sei lá - o clube pode obrigá-lo?
ResponderEliminarSuponho que deve ser óbvio para quem gosta de futebol, cláusulas de rescisão, mas não percebo nada disso. O jogador não tem uma palavra a dizer? É vendido assim como se fosse uma coisa?