terça-feira, 25 de junho de 2019

Os números não mentem. Mas enganam!

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Portugal atingiu no primeiro trimestre do ano, e pela primeira vez (desde que há estes registos trimestrais, iniciados em 1999), um excedente orçamental. Pela primeira vez as receitas do Estado foram superiores às despesas, no caso em 180 milhões de euros, 0,4% do PIB.


Esta seria uma notícia fantástica se não estivéssemos todos com a sensação que os serviços que o Estado nos presta estão uma lástima, no caos completo. Dos de maior complexidade, como os de Saúde, aos mais banais, como a simples renovação do cartão de cidadão.


Imagino que a maioria de nós, especialmente dos que não têm que sujeitar a sua opinião às cores do cartão partidário, tenha tido alguma complacência com o governo nesta degradação da qualidade dos serviços públicos. Afinal, entre imperativos financeiros  e objectivos ideológicos, a troika e o governo anterior tinham cortado sem piedade na capacidade de resposta do Estado, e a dinâmica de degradação nunca é fácil de inverter. Erguer é sempre muito mais difícil que deitar abaixo!


Mas a verdade é que, por muita boa vontade que tenhamos, temos muita dificuldade em perceber que, atingidos os indispensáveis equilíbrios nas contas do Estado, se continue a cortar no investimento e a cativar despesa para ir mais além nos resultados orçamentais. E não sobra nenhuma vontade de rejubilar com notícias dos melhores resultados nas contas do Estado com os serviços públicos no estado em que de facto estão... Ter boas contas, mas tratar mal os cidadãos, não pode constituir motivo para júbilo para qualquer governante. Deixa a ideia que, mais que uma opção, é uma obsessão.


Mário Centeno garante que estes resultados não têm a ver com cortes nem investimento público nem nas despesas de funcionamento. E atira com números, em particular na Saúde. E em especial ainda com números de médicos e enfermeiros contratados...


Diz-se que os números não mentem. Mas enganam. E também falham ...

4 comentários:

  1. Os números não mentem nem enganam - também tu com a mania de atribuir aos números as falhas das premissas dos que os apresentam?!

    São estas notícias que nos mostram que, tivesse a Troika entrado com um governo PS, e também Centeno quereria ir mais além. Devem pôr-lhes alguma coisa na água...

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  2. se não estivéssemos todos com a sensação que os serviços que o Estado nos presta estão uma lástima, no caos completo

    Eu não tenho tal sensação.

    Tenho um filho na escola pública e essa escola funciona razoavelmente.

    Esse filho há uns anos (no tempo da troica) teve cancro e foi muito bem tratado no IPO.

    Ando nos transportes públicos, eles estão longe da qualidade dos suíços mas estão ainda mais longe daquilo que eram há trinta anos.

    Aliás, as estatísticas estão aí para nos informar que em termos de saúde pública e de educação os resultados de Portugal não estão substancialmente atrás dos de outros países europeus. Com menos dinheiro obtemos o mesmo resultado.

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  3. Sobre a sua sensação só tenho que o felicitar.

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