terça-feira, 11 de junho de 2019

Perceber ou não perceber - eis a questão!

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Vítor Constâncio não se lembrava de nada, e não percebia que ninguém percebesse que era normal não se lembrar de qualquer coisa que se tenha passado há tantos anos. Há 12, podemos ajudar... Como podemos ajudar lembrando que, em causa, estava a tomada de uma posição qualificada no maior banco privado português, integralmente financiada pelo banco público. No montante de 350 milhões de euros... E que isso implicava uma avaliação de idoneidade do investidor, um juízo de sensibilidade sobre a operação de crédito, e uma avaliação das garantias prestadas...


Podemos ainda dar uma ajuda de memória de contexto relembrando que, muito pouco tempo depois, o presidente do banco público que aprovou a operação, passou a presidir ao banco privado objecto de tomada da posição qualificada.


Depois destas ajudas de memória  certamente que também já Vítor Constâncio percebe que não se percebe que não se lembre. E se calhar até já percebe que, ter estado ou não presente na Reunião do Conselho de Administração do Banco de Portugal "que decidiu não objectar" à participação qualificada da Fundação Berardo no capital do BCP, não contribui nada para perceber o que ele pretensamente não percebia que não se percebesse.


Francisco Assis garante que Vítor Constâncio é um homem sério. Será! O problema é não perceber que, nesta altura, ninguém se esquece da mulher de César...


 

6 comentários:

  1. A seriedade de que Assis fala não é para aqui chamada. Os factos são concretos demais para que nós os contribuintes não nos sintamos revoltados. O Constâncio foi por quase todos considerado um fora de série. Mas o facto é que falhou e de que maneira. É que a seriedade está também na eficácia de uma honrada função profissional. Aqui a honra foi para Constâncio e só para ele, todos os que acreditaram ou não na sua eficácia, vão tendo que pagar por isso. Resumindo: sabia de tudo, nem à reunião foi e continuou feliz ainda por muitos anos. E agora? Não mereceu o que usufruiu do seu percurso, deixou ao povo a responsabilidade de repor esses milhões, será que não deve contribuir de forma especial para aliviar a carga que resultou do seu mau desempenho? A todos os gestores e politicos deveriam ser exigidas acrescidas responsabilidades. A vaidade e a leveza com que desempenham as suas funções deveriam ter custos em função dos seus rendimentos.

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  2. Para que nos, cidadaos pagantes deste grande festim, possamos assacar responsabilidades aos politicos e detentores de cargos publicos de gestao, ha que mudar a Constituicao, algo que os partidos nao querem.

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  3. Para que nos, cidadãos pagantes deste grande festim, possamos assacar responsabilidades aos políticos e detentores de cargos públicos de gestão, há que mudar a Constituição, algo que os partidos não querem.

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  4. Vítor Constâncio foi apenas mais um tipo seriamente (porque é sério) competente, ausente, esquecido e distraído, por isso mesmo está no cargo em que está. Está no sítio para onde vão os tipos seriamente competentes, ausentes, esquecidos e distraídos. E além de todas essas qualidades também não lia as actas das reuniões de conselho de administração do banco de que era a máxima autoridade.
    Vítor Constâncio é um tipo sério. Diz Francisco Assis. Nós não duvidamos disso. Mas também não temos dúvidas que Vítor Constâncio é um tipo seriamente competente, ausente, esquecido e distraído, além de não ter o hábito de ler actas dos conselhos de administração das instituições a que preside.
    A sério?

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  5. É exactamente isso. O que precisamos é de pessoas sérias como o Constâncio. O resultado final também é sério, tal como o trabalho dos decisores como Constâncio. Isto sim, já sentia falta, de pessoas sérias como o Constâncio porque das outras já chega...

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  6. Já alguém aqui notou, de raspão, o lugar que Constâncio ocupa actualmente. Ora o lugar é preenchido por nomeação - tal como o outro do Eurogrupo.
    Tão grave como as amnésias de Constâncio parece ser o critério seguido para a escolha do número dois do BCE. A presença deste português em particular nessa posição não me enche de orgulho, antes de desconfiança em relação às instituições europeias. A polémica já existia quando Constâncio assumiu o lugar.
    Constâncio está em final de mandato. Veremos para onde vai a seguir, mas não devem faltar bons empregos para quem tem o supremo dom de saber para onde não olhar e o que não ouvir. Infelizmente.

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