quarta-feira, 3 de julho de 2019

O peso das coisas

Resultado de imagem para medicamentos com preços exorbitantes


 


Agora, que, uns jornais dizem que a solidariedade dos portugueses já arranjou os dois milhões de euros, que uns dizem não servir de nada, e outros já não serem precisos para nada, não pergunto por que não se entendem. Pergunto apenas se, vender um medicamento por dois milhões de euros, pode alguma vez ser aceitável?


Parece que sim. Mas eu não acho...


 

6 comentários:

  1. Posso-lhe explicar porque se pode considerar aceitável - a alternativa é tratar os sintomas e ter uma morte lenta e potencialmente mais onerosa para os serviços de saúde ou utentes.
    Posso-lhe explicar porque é inaceitável - os doentes saberem que há uma cura e não lhe poderem chegar.
    Posso-lhe explicar porque é aceitável - dantes chamavam-se a certas doenças “órfãs”, doenças com cura conhecida mas raras demais para justificar uma produção de medicamentos, por serem caros demais, e eles aí estão, caros.
    Já viu o que fizeram com as Epipen’s? Isso sim, não tem justificação. Um liberal dir-lhe-ia que é o mercado. Eu não sei que diga.
    E é assim a América, que nos tem dado ultimamente o Trump, as manas Kardashian, a Marvel, e corporações como o Facebook, que minam democracias e privacidades, e agora querem controlar o dinheiro. Pela positiva, os chineses são piores.

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  2. Duas ressalvas, tarde e más horas mas foi o que se arranjou por estes dias:

    * O medicamento não é vendido por esse preço - o medicamento ainda nem sequer é vendido.
    * Há tratamentos que, no longo prazo, alcançam valores semelhantes.

    Agora a tua pergunta:

    Pode, claro que pode. É a diferença entre valores e Valores.

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  3. É esse o preço (grosso-modo, não é isso evidentemente que está em causa) que está estabelecido.E o medicamento não está à venda na Europa, mas creio que está à venda nos EUA.
    Já sobre o que importa, a matéria não é fácil. Haverá sempre quem diga que, se não houvesse a possibilidade de vender um medicamento por estes valores, ele simplesmente nunca chegaria a existir. Ninguém investiria na sua investigação e na sua produção. Como haverá quem diga que a investigação deve ser independente dos interesses das corporações, e estar ao serviço do bem comum. E logo outro alguém responder que, se for assim, bem esperar sentado por grandes descobertas para as pequenas (em dimensão de mercado,bem entendido) coisas. No fundo, tudo é ideológico!.

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  4. A sua "explicação" anda de facto à volta de alguma explicação, António. Mas depois acaba por não explicar grande coisa...

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  5. Nos EUA ainda está como medicamento experimental, não entrou ainda em comercialização.

    Claro que é ideológico! Era essa a tua questão inicial, não era? :)
    Mas lamentavelmente parece-me que é só ideológico para alguns, para a maioria é encontrão do acaso: espanta-me ver aqueles que não querem o Estado a meter-se nos negócios das empresas correrem a dizer mal do Estado por não comprar o medicamento... quererem o bem comum ou quererem os mercados livres está proporcionalmente relacionado com os likes.

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  6. Existem doenças chamadas “órfãs”, por serem raras a ponto de não compensar financeiramente investigar uma cura, ou por haver uma cura mas ser financeiramente inviável produzir quantidades tão pequenas do medicamento.
    Quando o medicamento é produzido é invariávelmente caro. Os custos não serão diluídos por milhões de consumidores. Por outro lado, a prazo, os custos de assistência a esses doentes são sempre maiores do que o preço pedido pelas farmacêuticas, eles fazem as contas. A prazo, o medicamento é mais barato, e cura. Essa é uma lógica de mercado que entendo. Seria como dizer a um hipertenso que com apenas um comprimido caríssimo nunca mais precisava tomar comprimidos diários que ao longo de 10 anos saírão mais caros.
    As epipens obedecem a outra lógica que custo mais a entender, porque eram baratas ($15) e davam lucro, de súbito a patente mudou de dono e passaram para $500. O problema é que quem usa epipens não as pode dispensar, são pessoas que podem sofrer choques anafilácticos com picadas de abelha, amendoim, morango, penicilina, etc., e se não se automedicarem imediatamente morrem. E a lógica aí parece ser “se não queres morrer, paga”. É uma lógica que aceito mal. Aplicada a medicamentos banais é um perigo. Um febrão sem uma aspirina pode matar. Uma infecção urinária sem um antibiótico pode matar. Espero que não se lembrem de subir o preço da aspirina.

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