No dia a seguir ao Natal as notícias costumam ficar-se pelo rescaldo das festividades e pelos números – sempre dramáticos - da operação da brigada de trânsito da GNR. Desta vez poderiam passar ainda pela mensagem natalícia do primeiro-ministro, exclusivamente dedicada à Saúde, até porque as cheias já aconteceram há muito tempo, e são assunto arrumado pelo ministro do Ambiente, e entrar directamente na intrujice.
Mas como intrujice é coisa que por cá não falta, a notícia do dia foi outra. É revelada por um jornal diário e diz que um banco pagava 2 mil euros por mês à mulher do seu presidente, que não era funcionária nem prestava qualquer serviço ao banco.
O rumor correu muito tempo pelos corredores do banco, e acabou por chegar ao Banco de Portugal. O banqueiro, que primeiro se achava apenas vítima de perseguição e de calúnia anónima, viria a confirmar tal situação numa carta, justificando que esse era o preço a pagar à mulher pela estabilidade emocional que lhe garantia, indispensável ao seu bom desempenho. Que a mulher era o seu fator de equilíbrio, que era professora e abandonara a profissão para se dedicar em exclusivo à tarefa de velar pelo seu equilíbrio emocional, e que tinha colocado essa condição quando tinha aceitado a presidência do banco.
No que toca a remuneração de banqueiros já nada nos surpreende. Estamos habituados a tudo, de remunerações milionárias a pensões pornográficas. E normalmente perdoamos-lhe tudo, mesmo quando acabamos por perceber que afinal somos nós sempre a pagar isso tudo.
Só que a “estória” não acaba aqui. O homem terminou o seu mandato, bem-sucedido certamente, e foi no mês passado reeleito para um segundo. A circunstância motivou uma entrevista a uma estação de rádio e a um jornal durante a qual, questionado sobre a subvenção da mulher, negou tudo. Negou o que afirmara por escrito e até que o tivesse feito, e garantiu mesmo que a mulher era professora e que nada tinha a ver com o banco.
Apanhado, não deu mais respostas. E foi então fonte oficial do banco a vir a público garantir que o seu presidente se referira apenas à situação no seu atual mandato.
É isto. São estas as elites que temos… e é nesta intrujice que vamos vivendo. E parece que já nem se pode dizer que a falta de vergonha desta gente é uma vergonha. Mas é mesmo!
Não sei porque não lhe deram simplesmente a ele mais os 2000. E ele que lhos desse a ela. Esta salganhada deve esconder outra maior.
ResponderEliminarParabéns, Eduardo LOURO, isto sim é assobiar, uma sinfonia com várias cores de um só tom, verdadeira música.
ResponderEliminarVou aguardar mais alguns comentários, depois, mais logo, com mais disponibilidade, vou tentar dizer algo mais.
Obrigado.
Agora vou meter a mão na massa, na verdadeira massa, na massa de trolha.
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