quinta-feira, 19 de março de 2020

Presente envenenado?*

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Com a vida parada e as pessoas em casa, com o número das pessoas infectadas a crescer diariamente a ritmo acelerado e com as notícias das primeiras mortes, o país, por enquanto ainda sem dar por isso, está em estado de emergência há já mais de 24 horas.


Até que o Presidente da República tivesse decretado o estado de emergência o país dividia-se em dois: entre os que o reclamavam e os que achavam desnecessário. Agora que está decretado, divide-se em três. Ironicamente tantos quantos  os grupos em que o governo dividiu a população. Mas não os mesmos.


É que, os que antes o reclamavam, dividem-se agora em dois: os que o acham brando, que pretendiam uma coisa mais musculada, e os que entendem que tem o tom certo. Poderia então dizer-se que quem estava contra poderá ter passado a concordar com este estado de emergência em vigor, e que, assim, o país continuaria apenas dividido em dois. Poderia dizer-se isso se, entretanto, os que antes estavam contra a declaração do estado de emergência não tivessem, com isso, apenas confirmado a sua desnecessidade. E passado a ter mais razões para desconfiar.


Sobre o estado de emergência decretado, o país agora divide-se em três: os que defendem o estado de emergência “a sério”, os que defendem o que vigora para defender o Presidente da República, e os desconfiados.


O decreto presidencial do estado de emergência é uma carta branca emitida pelo Presidente da República e entregue ao governo. Só que é uma carta branca que o governo não pediu. Que não acha que lhe faça falta. E sempre que alguém dá a outrem algo que lhe não foi pedido pode sempre suspeitar-se de presente envenenado!


Um presente estranho, anacrónico, que serve mais a quem o oferece que a quem o recebe…


* A minha crónica de hoje na Cister FM

8 comentários:

  1. INDIGNAÇÃO
    Em nome da verdade, é preciso dizer que os grandes (i)responsáveis que assistiram impunemente ao avanço galopante do vírus, desprezaram a necessidade de uma atuação eficaz em tempo útil para combater essa peste à nascença,
    São esses mesmos que agora, montando a tragédia que patrocinaram, para além de uma arrogante postura de impunidade, ditam leis a cumprir pelos inocentes, dando-se mesmo ao luxo de ameaçar com pesadas punições justiceiras.
    Que um exemplar comportamento dos cidadãos inclua a exigência de levar a julgamento os maiores culpados da tragédia, não os deixando escapar às malhas da justiça, e que esta vença no conflito com leis de quem não tem. autoridade ética nem moral para as proclamar.
    Sim Sr. Presidente, Vossa Excelência em vez de comandar navega no triste papel de carpideira das desgraças.

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  2. O PR palhaço pensou: tenho que criar uma merda de emergência, ou fico para trás na corrida com a Ana Gomes. E que fez? Chamou o Costa e disse-lhe: "ou aceitas o estado de emergência ou vais-te vêr lixado com a tua amiguinha Ana Gomes quando ela for PR." E acrescentou: "Por isso, tom lá estas 50 folhas em branco, sendo as primeiras 49 todas rubricadas por mim e a última contendo a minha lindíssima assinatura, e escreve para aí o que te apetecer, para vêr se a gente se safa desta merda, OK?"

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  3. O estado de emergência só entra em vigor a partir das 24h de sabado.
    Cumps.

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  4. Por vontade do Centeno é só para 21 de Março de 2021.

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  5. Perspectiva interessante.

    Com os óbitos a alinharem-se no horizonte, não fazer nada seria um suicídio político.
    Em rigor, nunca saberemos se apenas com o comportamento que já vinha a ser tomado o número de mortos não seria o que vai ser com as limitações da declaração do estado de emergência. Mas sabemos que, com o estado de emergência (a prolongar-se por mais que os 15 dias iniciais, como é previsível) a factura na economia vai crescer. E essa factura vai ficar, politicamente, do lado do governo para a pagar.
    As facas já estão a ser afiadas.

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  6. Eu não sei que tipo de decisões se podem tomar num país sem meios nem dinheiro, mesmo por quem trouxe o país a este estado. Comprar ventiladores, kits de rastreio, proteção para os profissionais da saúde seria sensato.
    Portugal vai levar uma sova. Morrerão milhares, e centenas de milhares serão “curados em casa”, que é como quem diz, estão por sua conta. Pode ser que aproveitem para reflectir sobre onde o Estado gasta o dinheiro, e onde deveria gastá-lo, e se se justifica tirar-nos tanto.
    Na saúde não se importaram muito por os seus aumentos serem à custa de falta de material - agora podem pagar com a vida. Aprenderão?
    No rescaldo veremos se alguém debate as razões porque diferentes países apresentam taxas de mortalidade tão díspares. Duvido. Acredito mais num circo de condecorações e homenagens hipócritas, louvores a um SNS que “esteve à altura do desafio”, “podia ter sido pior”, e mais do mesmo.

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  7. Sobre as decisões que se podem tomar num país sem dinheiro daria por exemplo ignorar a recomendação da OMS: testar, testar, testar.

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  8. Não há dinheiro. Faz falta para o futebol, ajardinar a 2.ª circular e pagar vigas artísticas.
    Desde que soube o preço dum ventilador tenho feito contas. Quantos ventiladores custa a TAP, a CP, o Novo Banco, etc.
    Alguém devia colocar essas contas em letras garrafais, em toda a imprensa.

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