
Numa altura em que tanta gente dá palpites, e todos fazem contas à vida, havia uma certa expectativa para a divulgação das previsões económicas do Fundo Monetário Internacional (FMI). Ninguém gosta muito do que de lá vem, a sua reputação não é das melhores, mas ninguém despreza os seus dotes adivinhatórios. Mais a mais numa altura destas...
No Relatório com as Perspectivas Económicas Mundiais, ontem divulgado sobre o "Grande Confinamento", como chamou aos tempos que vamos vivendo, o FMI admite que este ano a economia mundial vá viver a sua pior recessão de sempre, depois da I Guerra Mundial e de a Grande Depressão de 1929.
Para a economia portuguesa prevê uma recessão de 8,0% - quase o triplo da quebra na economia mundial, e acima dos 7,1% previstos para a União Europeia, e dos 7,5% para a Zona Euro - uma taxa de desemprego de 13,9%, e um défice de 7,1%.
Números terríveis, bem acima dos das últimas previsões do Banco de Portugal (26 de Março) que apontavam, no pior cenário, para uma quebra de 5.7% no PIB e para 10,1% de desemprego. Mas condizentes com as palavras de Mário Centeno quando, dizendo há apenas dois dias, em entrevista à TVI, que não há previsões que valham sem se saber quando é que este confinamento poderá acabar para colocar a economia em movimento, dizia também que cada período de 30 dias (úteis) de paralisação provocava uma recessão de 6,5%.
Querendo isto dizer qualquer coisa como 4,5% ao mês, bastam 1,8 meses para atingir o terrível número do FMI. Um mês já lá vai e, para já, vem aí mais metade de outro em renovado estado de emergência ...
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