terça-feira, 2 de junho de 2020

Diário do regresso à vida

Registados 27 novos casos suspeitos de coronavírus nas últimas 24 ...


 


O país vai-se abrindo. Entramos ontem na terceira fase de desconfinamento, e a malha vai esticando. Já não há praticamente sectores fechados - os centros comerciais na área da grande Lisboa são a excepção, que não sei se faz a regra se a ponta do icebergue.


Os voos começam a aterrar nos aeroportos e, ao que se diz, sem grandes constrangimentos restritivos. À vontade, à vontadinha... Mas também a levantar voo e, ao contrário de tudo o resto, sem quaisquer restrições de lotação, sem distâncias entre os passageiros. Distâncias indispensáveis ao ar livre, nas praias e parques, mas desnecessárias dentro de um avião. Os espectáculos já recomeçaram, e até o futebol já não quer regressar sem público. Ontem, com o primeiro-ministro na plateia, Bruno Nogueira abriu a temporada no Campo Pequeno, com um espectáculo esgotado em 11 minutos. Hoje repete a dose, desta vez com a presença garantida do Presidente da República.


Entretanto nos hospitais as coisas vão-se complicando, sem que ninguém fale muito disso. As transmissões do vírus não baixam, estão mesmo claramente a subir. Na grande Lisboa, mas não só. Testa-se mais, muito mais agora que anteriormente, é certo. E sempre se soube que quantos mais se testassem mais positivos surgiriam. Como quanto maior for a abertura maior é o contágio, porque a "estória do civismo dos portugueses" está mal contada. O bom comportamento dos portugueses durou enquanto durou o medo. E esse acabou!


Acresce que, ao contrário do que se andou durante  muito tempo a dizer, o vírus não é democrático. Não toca a todos da mesma maneira. Bate muito mais nos mais desfavorecidos, e instala-se e circula com muito mais à vontade entre a pobreza e a miséria. Nos bairros mais degradados, nas casas mais insalubres, nos trabalhos mais precários... Entre aqueles que se deslocam para o trabalho em transportes públicos sobre-lotados, como sardinha em lata...


As urgências dos hospitais, até aqui vazias e a permitirem inteira afectação de recursos aos covidários, voltaram a encher-se. Injustificadamente, na maioria dos casos. E as mesmas estruturas têm agora, em vez de uma, duas frentes activas. Porque na propagação do vírus o planalto mantém-se, a altitude é que não. Essa é cada vez maior! 


 


 

4 comentários:

  1. O medo acabou porque a mesma comunicação social que o propagou deve ter recebido ordens para se calar. Há muito dinheiro em jogo.

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  2. Talvez também por isso. Mas se em vez de medo tivesse havido mesmo civismo as coisas seriam diferentes. Até por isso: o medo manipula-se muito facilmente.

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  3. Em Évora há uns autocarros chamados Linha Azul, que pelo visto não têm paragens definidas - páram, literalmente, em qualquer lado onde alguém queira descer ou subir. É uma idéia. O que é admirável é o autocarro parar para deixar saír uma idosa, que demorou o seu tempo e provocou uma fila de carros, e a cerca de 4 ou 5 metros estarem dois idiotas na conversa, e assim que o autocarro arrancou um deles levantou o braço a chamá-lo. O autocarro andou então 4 metros e parou de novo para o senhor entrar. Para civismo estamos conversados.

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