
Não foi apenas o Presidente Marcelo a declarar-se estupefacto com a notícia que o Novo Banco iria exigir - não é pedir - mais dinheiro ao Estado. Todos nós ficamos surpreendidos, não estávamos à espera de tamanha desfaçatez.
Só António Ramalho, Carlos Costa e Sérgio Monteiro - lembram-se dele? O Secretário de Estado do governo Passos/Portas que tratou da privatização da TAP e que, depois, saiu do governo para, a troco de uma pipa de massa no final da cada mês, vender o Novo Banco à Lone Star - não foram apanhados de surpresa. Afinal, o Contrato que Sérgio Monteiro acordou com o Fundo americano, que a equipa de Centeno depois assinou, e que António Costa insiste em desconhecer, e que continua estranhamente secreto, não prevê apenas que o Estado cubra a depreciação dos activos do banco. Prevê ainda que o Estado responda por imponderáveis. Por calamidades e "cenários de extrema gravidade", como o agora invocado a pretexto da pandemia.
Sérgio Monteiro, com o aval de Carlos Costa, o pai da criança, não se limitou a garantir ao seu cliente que os portugueses lhe pagariam toda e qualquer perca de valor que, sobre que forma fosse, viesse a afectar os activos do banco. Fossem créditos que os devedores não tomassem a iniciativa de pagar no vencimento, que poderiam ser cedidos a terceiros, eventualmente até na esfera do próprio Fundo americano (abutre, não esqueçamos) pelo valor que entendessem. Fosse património imobiliário, que poderia ser vendido ao desbarato, mais uma vez eventualmente até em negócios do Fundo consigo próprio, que também, e tão bem, se mexe nessa área. Para isto tratou de salvaguardar 3,9 mil milhões de euros. Já lá vai quase tudo...
Com o contrato a manter-se estranhamente secreto, é já legítimo concluir que Sérgio Monteiro entregou o banco e uma larga carteira de negócios onde o comprador, a seu bel-prazer, ganhava dos dois lados. Não satisfeito ainda, introduz-lhe uma cláusula de salvaguarda de todas as contingências a que todos estamos sujeitos, sem qualquer cabimento. Sempre à custa do mesmo. Dos mesmos, nós todos!
Para isto não há valor determinado. É tudo o que puder ser. Tanto quanto a lata o permita, sabendo-se que a de António Ramalho aumenta ao ritmo exponencial a que lhe aumentarem o ordenado.
Se isto não é gestão danosa, não sei o que o será. Mas a avaliar pelo sorriso com que António Ramalho vai soltando estas novidades ao ritmo a que é aumentado é capaz de não ser. É só o jeito especial de nos tomarem por parvos. Ou de nos deixarem estupefactos?
Não conheço o contrato, devia conhecê-lo, eu e todos. O que ficou claro desde o início - embora muito desmentido por Costa & Costa - foi que só um anjinho teria um determinado valor oferecido, e não o utilizaria na totalidade. Não gostei nada das declarações de Costa & Costa & Outros a garantir que isso seria um extremo, uma coisa hipotética, quase uma impossibilidade. Pois...
ResponderEliminarA venda do malparado também devia ser pública, as vagas notícias que li mencionavam 700 ou 800 milhões vendidos por 20 milhões. O que tanto pode ser o melhor negócio para o Novo Banco como um crime. Não se sabe. Aparentemente não há ninguém a auditar coisa alguma.
Quanto ao imobiliário, ouve-se muita coisa por aí. Ouve-se, mas não se sabe. Dizem que alguns colaboradores da Lone Star iniciaram prometedoras carreiras na construção civil. Dizem, mas não se sabe. Também parece que não há ninguém a auditar isso.
E agora sabemos que há esta cláusula excepcional. Quantas mais haverá?
No início, convém recordar, o Novo Banco era o “BES bom”. E talvez - talvez - o BES desse muitíssimo mais custos ao contribuinte se tivesse sido absorvido pela CGD, como António Costa disse que faria se tivesse sido PM na altura da “resolução”. Mas falar é fácil, o facto é que ele não era o PM, o BCE forçou a resolução, e Costa nunca governou com uma Troika de credores instalada nos ministérios. Essa parte sabe-se, porque o BES revelou-se muito mais que um Banco, uma teia incrivelmente complexa de mafiosos espalhada por tudo quanto era offshore.
Portugal, nesse campo, é um pântano. Toda a gente veio cá lavar dinheiro, mesmo antes da crise de 2008. Na sequência do desmembramento da União Soviética houve notícias de russos a comprar vivendas no Algarve com rolos de notas. Veja-se por exemplo o caso da EDP, uma empresa que sempre deu lucro, vendida em saldos aos chineses, e que desde aí, em cima dos lucros que tem, emite obrigações, alegadamente a fundos chineses ou contrai empréstimos, alegadamente a bancos chineses, para dar gordos dividendos aos accionistas...chineses. A ser verdade, os chineses já receberam o que deram por ela, e são donos e credores.
Estes negócios passam-se com governos PS e PSD, e admiram-se de 80% dos portugueses acharem que Portugal é um país corrupto. Portugal em geral talvez não seja, porque a AT não perdoa cêntimos ao pessoal menor, mas com BES, e CGD, e Banif, e PT, e REN, e Montepio, e engenheiras angolanas, a Lone Star é só mais uma na longa lista de desgraças que andamos a pagar.
Em resumo, não culpo a Lone Star nem o CEO do Novo Banco. Estão simplesmente a fazer o que tem sido habitual, às claras, e com o aval e deferência duma classe política inacreditável.
Não tenho nada a acrescentar, a não ser que faltaram aí pelo meio uns "bois pelos nomes", mas não queria deixar de o dizer.
ResponderEliminarDE ALTO A BAIXO
ResponderEliminarChefe do Estado de Negação.
Não para, não escuta, não olha.
Fora os chavões do que fala nada diz
Marcelo por tudo espera, de Marcelo nada a esperar.
Dar nomes aos bois compete ao MP. Muita gente foi ouvida, todos legalmente amnésicos.
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