
Esta é a boa notícia: ... afinal sempre é uma vitória sobre os espanhóis, no dia da ressaca da derrota da nossa selecção.
A má notícia é que esta vitória portuguesa, afinal como a de ontem dos espanhóis, resulta, em certa maneira, de dedo alheio ao próprio jogo. Não é exactamente uma vitória limpa! E se no jogo de ontem acabou por nem se salientar muito a irregularidade do golo da vitória espanhola, tão convincente ela fora, na nossa vitória de hoje parece-me que não será bem assim.
...Como se esperava, a imensa maioria dos accionistas – perto dos dois terços – aceitou a oferta espanhola, uma oferta já quase irrecusável e que, poucas horas antes, subiria ainda generosamente para os 7,15 mil milhões de euros. Para se ter uma ideia do valor desta oferta – por 30% da Vivo, é bom não esquecer – basta dizer que é praticamente o valor da PT, com Vivo e tudo!
É aí que surge a tão famosa golden share do Estado, que para tanta trapalhada tem servido. ...O accionista Estado, fazendo uso da prerrogativa dourada, inviabilizou a venda e terá salvado uma PT de verdadeira dimensão internacional, com tudo o que isso representa para a economia nacional. Que é muito!
...Pela primeira vez tivemos oportunidade de observar a verdadeira dimensão de uma golden share: a defesa do interesse nacional. Até aqui apenas tínhamos assistido à sua manipulação a partir dos interesses particulares de tutelas e clientelas...
Dez anos já.
ResponderEliminarHá crimes que, não o sendo no estrito sentido legal do termo, não deixam de o ser. A PT foi-se, ficou a Pharol com a Oi, a valer hoje 87 milhões. A Telefónica ficou com a Vivo, em saldo, Granadeiro com uma “vinha de autor”, o BES com os lesados, e Bava com amnésia. Perderam-se 7 biliões, e a maior e mais inovadora empresa da Bolsa portuguesa. Sem dúvida o interesse nacional foi defendido - o interesse nacional espanhol.
Hoje mesmo está a ser dado mais um passo para outra vitória nacional, a nacionalização da TAP. A TAP, por grosso, já deve ter acumulado mais prejuízo do que valia a PT. Nunca voei na TAP, não percebo o interesse estratégico, quando não temos transportes públicos e ferrovias em condições - só para falar de transportes, que há muito mais coisas com falta de condições. Parece-me tão estratégica como termos uma equipa de F1, e ainda ninguém me conseguiu explicar porque razão é para manter.
Recordar é viver. Nem que seja com pesadelos...
ResponderEliminarPor lapso, e ao contrário do que sempre sucede nestes posts - que se limitam a passagens do texto original - não tinha deixado o respectivo link. Já está disponível, para o caso de o pretender visitar.
ResponderEliminar