quinta-feira, 25 de junho de 2020

Passos atrás

SIC Notícias | Região de Lisboa dá um passo atrás no desconfinamento


 


Do Conselho de Ministros de hoje irão sair as orientações para o tal passo atrás dado por possível no anúncio do desconfinamento, há cerca de um mês. Os surtos que diariamente surgem por todo o lado, e mais insistentemente em Lisboa, onde as coisas estão longe de estar controladas, não deixam outra alternativa que não seja recuar.


Não será difícil de prever que o governo divulgue medidas de retoque na moldura penal para o crime de desobediência, particularmente em foco na alarmante onda de festas que se tem espalhado pelo país. E será fácil prever a conflitualidade aberta com a Constituição que vai encontrar. É que o "estado de emergência", que tudo permite, já passou.


E aí já não há como voltar atrás. Há, mas implicaria reconhecer a segunda vaga da pandemia, que todos negam. Todos, menos quem sabe: os epidemiologistas, que já o começaram a dizer.


 

6 comentários:

  1. Caso bicudo. Li o artigo de Adolfo Mesquita Nunes, e em geral aprecio o que ele diz - no fundo, que somos livres e não devemos esquecer isso. E também que a DGS não ajuda muito ao autorizar uns eventos e não outros sem critério sanitário, sob pressões políticas. É aliás assunto muito discutido, esta dualidade de critérios inadmissível, que só contribui para um “que se lixe” generalizado. Mas há mais em jogo, por exemplo li que uma festa num parque de campismo resultou numa série de infectados e no fecho do dito parque. E não está certo que pessoas no uso legítimo da sua liberdade ponham em causa o ganha-pao de quem também tem direito à sua liberdade.
    O caro Eduardo Louro e eu não temos a mesma confiança no civismo dos nossos compatriotas. Portam-se bem com medo e à força, de resto é transversal a todos os comportamentos a idéia de que as coisas só acontecem aos outros. Enfim, pelo menos concordamos que o governo, se não tem sido o pior exemplo, está muito longe de ser o melhor, ou, pelo menos, um exemplo.

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  2. Nem todos os epidimiologistas o dizem, Eduardo. Há os que defendem estarmos ainda numa primeira vaga; face à distribuição dos focos e às incidências em cada um, também me custa ver uma segunda vaga, antes uma primeira que não chegou a ser inteiramente controlada. Desconfinámos o país, não regiões: a taxa de reprodução não era a mesma, mas a pressa foi.
    No entanto, este vírus até deu cabo da clássica distribuição gaussiana, por isso o meu palpite é isso mesmo, um palpite. E desconfio que palpite será também o que a epidemiologia prevê hoje para o comportamento deste vírus amanhã, uma vez que os dados são ainda demasiado recentes para se conseguir determinar o erro e a incerteza. Ainda assim, continuam, a ser a melhor alternativa de que dispomos, não é?

    E já saíram do CM, e nada de novo. Assim como nada de novo quanto à constitucionalidade - Marcelo encontrará solução, afinal temos aí a Champions.

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  3. Nem todos, tens razão. Vai-se começando a ouvir... Não vai ser fácil consensualizar a segunda vaga: como isto não despega é bem capaz de ser sempre a primeira. É como o planalto, sempre lá...
    "Marcelo encontrará solução" - pois claro. Isso para ele são "peanuts"...

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  4. Não sei qual é a confiança que você tem. Eu ... tem dias...Mas não, não tenho muita.

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  5. Com a análise genética não será tão difícil, que se não houver alterações significativas o bicho será o mesmo, não os filhos, e a vaga a primeira, tendo apenas andando a saltitar onde lhe davam espaço, como a cigarra, em vez de a preparar-se para a segunda vaga, como a formiga.
    Há uns anos, ainda Marcelo no primeiro ano de mandato, queixava-se Luís Menezes de Leitão de Marcelo nunca consultar o TC. Respondi-lhe que MRS se considerava constitucionalista e que por isso poupava trabalho aos juízes. Quase quatro anos depois, e com tantos abracinhos e fotografias, não sei como Marcelo ainda consegue ter tempo para se substituir ao colectivo (adorei aquele veto "porque seria chumbado no TC". É que pô-los em part-time é para fracos, Marcelo manda-os logo para lay off).
    E cá estaremos para ouvir o genial discurso :)

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