
A TAP entrou num beco sem saída. Os accionistas privados não têm dinheiro - e, pelos vistos, se o tivessem não seria para lá meter - para acompanhar a injecção de capital que o Estado foi autorizado a fazer na companhia. Nem quiseram chegar a acordo sobre as condições das naturais consequências disso, gerando um impasse que não deixa espaço para terceiras vias: ou a nacionalização ou a falência.
É assim que a coisa nos tem sido apresentada. Foi assim que o ministro Pedro Nuno Santos, eventualmente há muito a falar de mais sobre a matéria, deixou as coisas no Parlamento... Mas com a falência como não hipótese. Logo confirmada pelo Presidente da República: "deixar falir a TAP não é uma hipótese".
Não faço neste momento ideia nenhuma se o governo vai avançar com a nacionalização, como pretende o ministro Pedro Nuno Santos, ou se vai procurar um acordo com o figurinista Humberto Pedrosa, depois de comprar as acções de David Neelman, como parece pretender António Costa. Mas não tenho qualquer dúvida que ninguém tem dúvidas que não é possível manter a TAP.
Tudo começa precisamente na intervenção do Estado, e nas condições que a União Europeia impôs para que o Estado português pudesse ajudar financeiramente a companhia. Entre essas condições estão as do redimensionamento da companhia, um brutal operação de downsizing inequivocamente expressa nas reduções dos números de voos e de aviões. E aí não há volta a dar. Até porque, sabe-se, o que uns perdem, ganham outros. As rotas que vão ser retiradas à TAP passarão para outras companhias europeias. Provavelmente as mais lucrativas, e naturalmente para as maiores, já com os devidos apoios estatais há muito resolvidos.
Com menos aviões, menos rotas, menos voos e, evidentemente, muito menos trabalhadores, a TAP já não será esta que se diz querer salvar. Muitos trabalhadores, provavelmente a maioria dos actuais 10 mil, terão evidentemente de ser despedidos e a inevitável agitação social e laboral daí decorrente apenas fragilizará ainda mais o desempenho económico da companhia e degradará, ainda mais, a sua situação financeira.
Não custa portanto muito a perceber que estão, neste momento, a descartar a hipótese mais sólida que têm à frente. Marcelo diz que "deixar falir a TAP não é uma hipótese".quando a hipótese da falência é uma certeza. Faz lembrar as palavras do seu antecessor no aumento de capital do BES, um mês antes da resolução.
De resto tudo está a preparar-se para que a TAP seja o Novo Banco desta nova década.
A TAP ainda vai parar aos chineses, e a UE e os seus governos têm sido bastante interventivos para evitar uma repetição de 2008, nesse campo.
ResponderEliminarA TAP arrasta consigo 3 mil milhões de dívida. Pode ser o novo Novo Banco sim senhor. E ainda há o Montepio...
Triste é perceber que o dinheiro que este país atira fora, bem usado, daria para colocar piscinas olímpicas em todas as escolas, e ainda sobrava.
Este pais é um colosso!
ResponderEliminarTá tudo grosso, tá tudo grosso. ( como dizia o Camilo e a Ivone Silva ).
Pouco antes do BPN falir em 2008, Sócrates também o nacionalizou. É o caso da Tap, os accionistas ficam com os lucros e o Estado nacionaliza os prejuízos.
ResponderEliminarA hipocrisia da direita: privatizar vendendo ao estado chinês.
ResponderEliminarO Estado chinês devia ser banido da humanidade até acabar com a pena de morte, a censura, o dumping, as perseguições religiosas, o trabalho infantil, o policiamento da população, o imperialismo galopante, etc.
ResponderEliminarE a esquerda não deveria levar periodicamente o país à falência.
Deixar a TAP falir era fechar as portas aos voos transatlânticos.
ResponderEliminarAlém que você se esquece que a TAP também possui um valor extra ao ter 27 slots em Lisboa, 3 em Heathrow e 3 no Charles de Gaulle, diárias, que valem muitos milhões. Quando Rui Moreira criticou a companhia por acabar com 2 voos diários para Londres, o destino era Gatwick e os aviões levavam 10 a 20% da sua capacidade. Esses já eram situações que era preciso resolver. Agora terão de ser mais. Uma das hipóteses é vender slots e reduzir as viagens para alguns dos destinos ou mesmo alterar o aeroporto de destino para um dos secundários. Em Londres, o preço de uma slot em Heathrow chega para pagar 7 em Gatwick e 50 em Luton. Em Paris é parecido.
Outra hipótese é vender/alugar aviões dos mais antigos a outras companhias. Até as low cost estão sempre a alugar aviões para substituir alguns dos próprios, devido a avarias.
Sim irá gerar despedimentos (os contratos a prazo devem ir todos para o desemprego), alguns pilotos vão-se embora do país e espaços utilizados (e pagos) nos aeroportos serão reduzidos.
Deixar falir, iria obrigar o estado a pagar 7000 a 10000 milhões de euros só em indemnizações, além de criar problemas no tráfego aéreo que teria de ser o país a suportar as operações de transporte dos funcionários e passageiros que tivessem bilhetes da TAP dos destinos para onde mal existem voos. Depois de venderem todos os aviões, todas as slots e os espaços próprios (como a manutenção de Lisboa, muitos já se mostraram interessados nela, talvez venha a ser vendida a alguma outra empresa), o estado poderia reclamar os valores que pagou... se olhar-mos para os casos ingleses (como a Thomas Cook, que levou a Inglaterra a gastar 11000 milhões de libras, ficando como credora da massa falida), seria possível com um custo muitíssimo alto a curtíssimo prazo, depois, parte dos corredores e slots seriam vendidas a outras companhias e 70 a 80% dos voos não seriam substituídos.
É o caso de Faro, onde a TAP tem retirado voos, porque as viagens, dentro da Europa, são mais baratas nas low cost. Ao contrário de Lisboa, onde as slots estão cheias e os custos são gigantescos, estando as empresas a pagar ou a voar aviões vazios, para as manter.
Caro leitor, não contesto nada do que diz. Só que a TAP é uma empresa falida... Não há volta a dar.
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