
A reunião extraordinária do conselho europeu para aprovar a resposta da União à crise da pandemia, em Bruxelas, atravessou todo o fim de semana e entrou, sem fim à vista, por esta segunda-feira.
Demos a bazuca por certa, e parecia que já faltava definir o modo de uso, o seu manuseamento. Afinal não era bem assim, e o que há três meses se viu não foi uma luz, mas uma miragem. Fenómeno frequente no deserto, que é mais ou menos aquilo em que a União Europeia se transformou.
Vai chegar-se a um acordo, não tenho muitas dúvidas disso. Mais hora, menos hora, mais milhão menos milhão. Na altura em que escrevo, aquele ponto de encontro em quem pede e quem oferece, que sempre existe algures em qualquer feira, até nem estará muito longe. Os ditos frugais, os cinco, já aceitam que a contribuição a fundo perdido possa subir aos 350 MM de euros; e a Alemanha, a França e os países do sul já aceitam que desça até aos 400 MM de euros. Só que depois surgirão novos pontos de clivagem à volta das condições de utilização, e novos bloqueios. E quando finalmente se tiver chegado a novo ponto de encontro já a resposta terá perdido toda a oportunidade.
Não é as razões de cada uma das partes que está em causa. Nem a legitimidade em exigir rigor na utilização que cada país faça dos recursos que a União ponha à sua disposição. Com objectivos e controlo desses objectivos, e não com penas ou ajustes de contas. O que está em causa é o processo de decisão que bloqueia o funcionamento da União. E, pior, que subverta os seus princípios fundadores.
Não é grave que haja países com visões diferentes sobre a União Europeia. Grave é a cedência em princípios do Estado de Direito que têm de ser inegociáveis e, como se já não bastasse o próprio paradigma do processo de decisão, que até a violação dos princípios democráticos sirva de moeda de troca negocial.
Mais que deplorável, é a morte moral da União. A História da Humanidade diz-nos que é normalmente por aí que tudo começa.
Não temos dinheiro outra vez. Portanto sejam solidários e tal e coisa e desembolsem.
ResponderEliminarNão me parece que seja essa a grande conclusão do texto.
ResponderEliminarEsse comentário já estava escrito antes de ler o texto? É que não é sobre estar a pedir dinheiro, como prosaicamente lhe chama, que o autor se debruça.
ResponderEliminarAo ler o título, pensei que ia discorrer sobre o regresso de Jorge Jesus ao Benfica.
ResponderEliminarSobre esse já disse oportunamente o que tinha a dizer. E nem meto Europa nisso.
ResponderEliminarÉ verdade, António. Não é esse o tema. De vez em quando decide atirar ao lado. Já não lhe acontecia há uns tempos...
ResponderEliminarAtirei ao lado e aparentemente acertei em cheio em qualquer coisa.
ResponderEliminarSobre esse assunto, é mais ou menos isso: estamos em crise, toca lá a devolver parte da receita fiscal que recebem das empresas que para aí deslocam as suas sedes para pagar menos impostos sobre as actividades comerciais que exercem nos outros países. Os tais que estão em crise.
ResponderEliminarO melhor disto tudo é a Holanda e a Suécia porem-se com tretas quando, em proporção, a Holanda teve mais do dobro das mortes por Covid-19 que Portugal e a Suécia teve mais do triplo... Não sabem cuidar dos seus e ainda vêm mandar postas de pescada!
ResponderEliminarOs tais que estão em crise porque têm um regime fiscal que já expulsou do país todas as empresas que poderiam dar receita fiscal?
ResponderEliminarJá agora vá até ao fim, porque a Holanda não é um paraíso fiscal, Portugal é que é um inferno fiscal.
Basta ir ver o ranking das cargas fiscais dos países da zona euro para evitar excessos de adjectivos. Não disse que a Holanda era um paraíso fiscal e sobre o inferno fiscal existente em Portugal, situa-se na média europeia. Mas, claro que toda a gente sabe que a Sonae, Jerónimo Martins e outras deslocaram as suas sedes para a Holanda só para ficar mais perto do Red Light District... ou das Coffee Shops... só não vê quem não quer
ResponderEliminarA Sonae e a JM pagam em Portugal os impostos das vendas em Portugal.
ResponderEliminarE a nossa carga fiscal não está na média. Em taxa de esforço do contribuinte é a maior.
Taxa de esforço? Isso vem no boletim do INE? A Sonae e a Jerónimo Martins pagam o IRC onde?
ResponderEliminarNão, não vem no boletim do INE. A Sonae e a JM pagam o IRC em Portugal. Da próxima vez que for ao supermercado olhe para o talão da caixa.
ResponderEliminarConhece uma coisa chamada consolidação de resultados? E vem-me falar em talões de supermercado...
ResponderEliminarO NIF é português.
ResponderEliminarE não sei o que é a consolidação de resultados. Explique lá.
ResponderEliminarO senhor ou é burro ou faz-se. O NIF da Modelo-Continente é português, já o NIF da Sonae SGPS, dona da Modelo-Continente, será holandês, dado que a sua sede é nesse país. E é nesse país que essa empresa pga impostos. Esclarecido? Não dou mais nenhuma lição de borla.
ResponderEliminarE eu não lhe pago por asneiras. O que vai para a holding é o lucro depois de impostos.
ResponderEliminarQue por sua vez paga impostos sobre esse lucro. Onde? No Red Light district.
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