quinta-feira, 9 de julho de 2020

O vírus*

O que aprendi sobre os Portugueses | Geral


 


Pôde ler-se ontem no Diário de Notícias que, com a pandemia, e os exames à distância, um número crescente de estudantes universitários está a abordar centros de explicações para contratar professores que os substituam nesse acto de avaliação. Surgem com ofertas irrecusáveis com um simples propósito: que um professor lhe faça o exame.


A reportagem não arrisca números. Mas os diversos entrevistados que dão testemunho do modus operandi dizem invariavelmente que, se tomarem por amostra estatística representativa o que é do seu conhecimento pessoal, este é um fenómeno de grande escala. E quer dizer aquilo que todos nós há muito conhecemos da sociedade portuguesa: uma sociedade que convive bem com a fraude, a corrupção, e o chico-espertismo. Onde viver do expediente fácil é sempre mais compensador que viver do trabalho.


Num país onde os dirigentes políticos falsificam habilitações e currículos, fazem exames ao domingo, pagam a quem lhe escreva livros, que depois compram até esgotar edições, não é de estranhar que a elite de amanhã procure comprar resultados de exames, para que mais facilmente lhes sejam franqueadas as portas para o lado de lá da impunidade.  


É este o grande vírus há muito instalado em Portugal e para o qual não parece haver antídoto, nem vacina, nem cura. Uma sociedade tão aberta à viciação só pode ser uma sociedade infectada, sem presente e sem futuro, e cada vez mais fechada ao desenvolvimento e à decência.


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

5 comentários:

  1. Ora nem mais !
    Portuga que se preze, estará sempre na brecha para uma falcatruazita...
    Mas já era assim desde os tempos da "Santa" Inquisição.

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  2. Ironicamente, vale finalmente a pena estudar para fazer o trabalho dos outros. É dinheiro em caixa, livre de impostos.
    É para evitar batota que há provas presenciais. Ou devia haver.

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  3. Quer o António dizer que vale a pena estudar para abrir a porta aos outros. Para ser porteiro, que não é profissão menos digna que as outras.

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  4. Pode-se ganhar mais a abrir portas do que a entrar nelas, não esqueça isso.
    Quanto à importância relativa de certas profissões, é isso mesmo, relativa. Por exemplo se precisar duma consulta urgente é preferível conhecer um(a) recepcionista do que os médicos todos.

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