quinta-feira, 30 de julho de 2020

Verdades e mentiras

Expresso | Caso Floyd. Milhares de pessoas nas ruas de Londres e ...


"Sempre que a esquerda sair à rua para dizer que Portugal é um país racista, nós sairemos à rua com o dobro da força para mostrar que Portugal não é racista". Foi com estas palavras que André Ventura justificou uma contra-manifestação de reacção aos protestos contra o assassínio de Bruno Candé, no passado sábado em Moscavide, agendados para sexta e sábado em várias cidades do país. 


É capaz de ter razão. Até aqui, em cada vez que tentou, deixou a ideia que Portugal não é um país racista. Com tão poucos apoiantes na rua, é verdade que deixou a ideia que nesta causa do racismo não tem muitos seguidores. A coisa já lhe corre menos bem quando garante que o fará com o dobro da força. Nas redes sociais, com anónimos e perfis falsos, onde facilmente cada um vale por mil, é fácil.  Na rua é um bocado mais difícil. Mas também já se sabe que declaração do Ventura sem mentira, não vale.


Não. Portugal não é um país racista porque o racismo é tabu em Portugal. Mas é um país onde há racismo. E onde há um racismo latente, de que se alimentam os Venturas desta vida. Essa é que é verdade!


 

3 comentários:

  1. Realmente, nunca fomos racista...Valha-me nossa Senhora...

    86Imagem 3: Cine Colonial (Clô Clô) nos anos 70.Fonte: http://marius70.no.sapo.pt/Cinema%20Colonial.jpgMas, quando um cinema permitia a entrada de todos, a segregação se dava na distribuição das cadeiras. Os chamados “indígenas” ficavam nos bancos mais próximos à tela; logo atrás deles, nas cadeiras, sentavam-se os crioulos empobrecidos ou os “novos assimilados”; e, nos assentos mais modernos, muitas vezes estofados, ficavam crioulos mais ricos e os portugueses. Para cada uma dessas seções, o valor do bilhete era diferente19. Jacques Arlindo dos Santos, em seu livro de memórias Abc do Bê Ó (1999), diz que após a inauguração dos cinemas eram vendidos três tipos de bilhetes: superiores (destinado aos brancos), plateias (para os “assimilados”) e gerais (para os “indígenas”). O Cine Colonial, um dos mais frequentados pela população mais pobre, popularmente conhecido como “Clô Clô”, situado no Bairro São Paulo, era o mais democrático, pois, mesmo acabando os bilhetes, quando se tinha a lotação esgotada, as pessoas levavam cadeiras de suas casas ou se sentavam no chão. Nos cinemas de Angola, a separação dos locais destinados a cada grupo era uma prática comum. No Cine Ben-guela, havia uma zona reservada aos indígenas e, além dos lugares demarcados, eles não podiam assistir a todos os filmes. Nos cartazes de propaganda de muitos filmes, a proibição vinha explícito com os seguintes lembretes: “Interdito a Indígenas”20. As distinções entre os cinemas também são destacadas por Arnaldo Santos (1981) no livro Kinaxixe, de 1965. Na última parte do conto “Despertar”, que se passa no fim do período colonial (anos 50-70), o protagonista Gigi, que naquele momento da história já tinha conseguido entrar no Liceu, deixa de ir ao já referido Cine Colonial para ir ao Cine Nacional, localizado na Alta. Gigi então mostra as diferenças entre os frequentadores dos dois espaços. No Nacional “[...] o cinema enchia-se de moças lindas, brancas e cabritas de cabelos ondulados, de fala suave”. Já no Colonial, “[...] a gente que frequentava o Colonial tinha ficado no começo da vida e competia já, desesperadamente, por necessidades primárias”21. De origem humilde, apesar de estudar no Liceu, ele gostava de ir ao Cine Colonial, só não poderia deixar seus colegas saberem, pois estes chamavam os frequentadores deste espaço de mussequeiros. Quando em Angola alguns desses interessados por cinema se reuniam em cineclubes para assistir e/ou debater sobre determinados filmes, dificilmente contava-se com a presença de angolanos negros. O português Francisco Castro Rodrigues, em entrevista a Maria do Carmo Piçarra (2013), diz que os nativos não iam aos cineclubes porque tinham medo, afinal nos outros cinemas eles não podiam entrar. Mesmo quando em alguma situação eles podiam frequentar, não iam, pois se tratava de «coisas de branco»22.19 SANTOS, Jacques Arlindo dos. ABC do Bê Ó. Edições CC. Angola, 1999, p.1920 GOMES, Miguel. Cinema dos tempos que já lá vão. Revista Austral, Luanda. 2010, p.82.21 SANTOS, Jacques Arlindo dos. Op cit.. p.64-65.22 PIÇARRA, Maria do Carmo. A revolução projectada de um cine-esplanada: entrevista a Francisco Castro Rodrigues Luanda e suas segregações: uma análise a partir das salas de cinema (1940 – 1960)

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  2. Portugal é um país de ingénuos e de mentecaptos armados em inteligentes intelectuais, de que se alimentam os trafulhas desta vida.
    J M

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  3. Ventura devia estar preso pelo crime de difamação. Artigo 185º do código penal:
    "Quem, por qualquer forma, ofender gravemente a memória de pessoa falecida é punido com pena de prisão até 6 meses ou com pena de multa até 240 dias."

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