sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Teias*

Como limpar facilmente as teias de aranha - 9 passos


 


A complexidade do sistema financeiro, nome atribuído ao manto com que se cobre, e onde se enrola muito enroladinho para que tudo continue a passar entre os pingos da chuva, tem destas coisas.


Com a resolução que há seis anos, feitos esta semana, o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, cozinhou com a União Europeia, poderia pensar-se que o BES ficaria morto e enterrado sob o nome de banco mau. E que teria nascido um banco bom, para fazer vida como Novo Banco, até que alguém o aperfilhasse e lhe desse um nome porventura mais apelativo.


Hoje sabemos que o banco bom era tão mau como o mau, e que ninguém o quis aperfilhar. Acabou por ter que ser dado a uma família de acolhimento que, para ficar com ele, exigiu uma pesada pensão de alimentos, que nos custa os olhos da cara.  


E sabemos que o banco mau, em vez de jazer tranquilo, continuou a sua vidinha, a escavar o buraco em que o deixaram. De tal forma que o buraco já triplicou. E hoje o BES não tem capacidade para responder por mais que 2,8% do buraco em que está metido. Parece que já há que lá meter uns 6,5 mil milhões de euros.


Não se sabe muito bem por quê. Sabe-se que paga salários, e que o salário médio é superior a 4 mil euros mensais, provavelmente porque, num banco a jazer estendido, há grandes decisões a tomar e pesadas responsabilidades a remunerar.


A dívida do seu fundo de pensões cresceu ao mesmo ritmo, e também já triplicou desde 2014. Essa já é mais fácil de perceber, basta lembrar que, só a Ricardo Salgado, continua a pagar uma pensão de 90 mil euros por mês.


Não se indignem. Tem mesmo que ser assim. É preciso pagar-lhe todos os meses 90 mil euros para que ele possa pagar, também todos os meses, os 39 mil que dessa pensão lhe foram arrestados em 2017.


Deixa um terço do que tira. Mas, de outra forma, Ricardo Salgado não pagaria nada. Nem teria por onde…


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM


 

8 comentários:

  1. Felizmente a CMVM acusou o BES mau pelo último aumento de capital. Seis anos depois. Mesmo assim, mais expeditos que os tribunais...

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  2. É verdade. Se calhar estiveram à espera que as palavras do presidente da República da altura prescrevessem.

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  3. Sabe o que me deixa pior no caso BES?
    A teia montada por Ricardo Salgado revela uma mente, ou uma equipa, com grande competência e profundo conhecimento do negócio. Possivelmente, se tivessem aceite a ajuda, como os outros, e utilizassem as suas capacidades noutro sentido, talvez tivessem salvo o Banco.

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  4. Oh louro devias era vir para a capital do móvel, pois já vi que pecebes muito de bancos.
    E de cadeiras, será que também gostarias de perceber?
    E assobiar, já sabes?

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  5. Esta é muito profunda...

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  6. Parece-me uma tese de baixa probabilidade. Mas nunca se sabe...

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  7. A Origem do Problema Geral do Sistema Bancário Português, está bem mais atrás onde esta Bola de Neve começou, ainda Vítor Constâncio estava no Banco de Portugal. E depois não há só um culpado, pois Todos olham para as Teias, sabem que elas lá estão, mas Limpar nada. O Banco de Portugal, e até mesmo por fora dá pra ver, mas por dentro é sem dúvida uma Grande Casa Abandonada cheia de Teias de Aranha, e que quem lá entra tem Preguiça em limpar ou pensa que entrou numa qualquer Atração Turística, para atrair capital Estrangeiro. E assim, ao longo dos Anos, vem ficando o Instrumento Legislador Bancário Português.
    Espero que Mário Centeno, ao invés dos Antecessores, não caia nas Teias e fique agarrado a elas, mas que as possa finalmente Limpar a Casa Abandonada.

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