Um grupo de nove empresários das áreas da restauração, bares e discotecas, acampados em frente ao Palácio de S. Bento, entra hoje no sexto dia de greve de fome.
Sabemos das dificuldades por que passam. Essas e outras atingem-nos, mesmo que mais a uns que outros, a todos. Este é um barco onde estamos todos, mesmo que, como ainda há dias dizia o Presidente da República, uns em primeira classe, outros em segunda e terceira, e outros até nos porões.
Não é possível ficar indiferente a tão extremada manifestação de protesto, como não é possível ficar indiferente às dificuldades por que passam aquelas pessoas em concreto, e mais alguns milhares nas mesmas condições, com os seus negócios paralisados há tanto tempo. Essas pessoas merecem a nossa compreensão, a nossa solidariedade e o nosso respeito.
Sabemos da legitimidade moral para este tipo de manifestação. Mas também percebemos que vai contra as regras do jogo o poder dialogar sob pressão com movimentos inorgânicos e espontâneos. Que isso pode abrir precedentes eventualmente incontroláveis. Já quando a reivindicação é apenas e tão só falar com o primeiro-ministro, custa-nos mais a perceber.
Até porque, nas diversas reportagens que as ontem televisões por lá fizeram, foi possível reter dois pormenores - bem pormaiores - interessantes. Numa das ocasiões um dos grevistas de fome, justificou-se com o facto da associação do sector, a quem caberia institucionalmente defendê-los, é presidida por alguém que administra uma empresa que depende dos contratos de catering estabelecidos com o Estado. Noutra, o conhecido chef Lujbomir Stanisic, também grevista de fome e o rosto mais mediático do auto designado "movimento a pão e água", de dedo em riste, apontando o caminho da rua ao Chicão, o presidente do CDS, gritava-lhe: "não há cá partidos, querido"!
Talvez estes dois episódios tenham passado despercebidos. Mas merecem toda a atenção. Quando as instituições falham, sejam quais forem, rompe-se a organização e entra anarquia. Os movimentos inorgânicos não são mais que respostas anárquicas a estruturas bloqueadas. Tão bloqueadas que não permitem outras.
Mostra-nos a História que rapidamente perdem a virgindade, e logo surge alguém de fora moldar-lhe a forma à sua própria medida. Seja ela a dos contratos de catering ou a de um partido qualquer.
Nos empregos, quem não está bem muda-se !
ResponderEliminarEstá ou esteve a decorrer a apanha da azeitona e havia falta de gente para a apanhar.
Quem é que quer saber dos bares e das discotecas ?
Mas não apontou o caminho da rua a André Ventura...Este ia lá não como político mas como cidadão...
ResponderEliminarO GATO DA CAÇA ANDA POR AÍ NAS SOMBRAS
ResponderEliminarO lado mais chocante foi já ter visto o Dr. Costa vestir agora a capa sem medida de todas as formalidades e usos, para se escusar a dar uma palavra aos grevistas em situação extrema de risco para a saúde, com o argumento balofo de que tem agendadas reuniões com organizações do setor.
Para quem se cagou para os formalismos e para algum respeito pela prática tida por normal de considerar e aceitar como habitual deixar governar quem ganhou as eleições, não deslustra o seu mau caráter
Não menos merecedora de indignado repudio a ausência física e oral de sua excelência o anedótico professor Marcelo, uma velha carpideira que vai a todas, não faltando nunca quando as desgraças já tiveram acontecido.
Dois personagens indigestos, não havendo perdão para tamanha falta de humanidade, de que dá o mau exemplo de se entrincheirar na leitura rígida de uma qualquer norma, tantas vezes traçada à medida dos interesses de duvidosa legitimidade.
É contudo de ter a esperança que o Senhor Presidente perca o medo que tem dos ralhetes d 1º Ministro, e se disponha a aparecer para uma saudação aos grevistas e um abração de solidariedade.
São só eles que estão a pão e água? Como dizem na minha terra: quem tem padrinhos não morre mouro.
ResponderEliminarBoa noite!
Não sendo só eles, merecem o nosso respeito por voluntariamente nos estarem a representar. A pão e água.
ResponderEliminarFinalmente Marcelo ganhou um pingo de vergonha. Não indo eu aí a baixo trago vocês cá acima.
ResponderEliminarPor distração saiu anónimo. Sou o Marques Aarão.
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