O dia é de sol, e ainda cheira a Páscoa. O equinócio e a lua cheia fazem a natureza transbordar de energia, e chamam-nos à rua. As esplanadas estão abertas, e porventura cheias. Quatro a quatro. As escolas abriram, e os recreios encheram-se de vida. As lojas - com menos de 200 m2 e com porta para a rua - abriram, e as pessoas podem entrar, não têm que ficar ao postigo.
A máscara, essa é que tem de continuar. A esconder caras bonitas dos beijos do sol.
Mais do que mudou neste primeiro dia de desconfinamento tremido é o que queremos que continue a mudar. Que ao 5 de Abril suceda o 19, com mais uma fresta na porta. E o 3 de Maio, com a porta já meio aberta. Que não se volte a fechar. Que não se feche mais, e nos deixe viver, mesmo com as dificuldades todas que aí estão.
Não está tudo nas nossas mãos, mas está muita coisa!
Ora aqui está mais um post a provar a validade da experiência de Milgram. No essencial, uma prosa contrafeita de paleio para encher chouriços, com uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma, a fazer-me lembrar a letra daquela canção infantil de que apenas recordo estes versos:
ResponderEliminarPapagaio louro
Da pena amarela
Olha lá não caias
Lá dessa janela.
Canção infantil, papagaio louro, experiência de Milgram, tudo referências inter-cruzadas que apontam para aquilo que, popularmente, se designa por psicologia do rebanho, onde apenas quem vai à frente vê o caminho e todos os outros seguem de cabeça baixa, confiantes de que a autoridade (quem vai à frente) assumirá as consequências e a responsabilidade dos resultados e por isso papagueiam alarvidades.
Mas como é isto possível perante evidência científica e empírica a contradizer? É muito simples: "90% das pessoas são estúpidas e 50% são ainda mais estúpidas", figurando os papagaios que até têm blogues uns degraus abaixo.
Sobre a experiência de Milgram não irei adiantar mais porque informação sobre ela abunda na net. Quanto a evidência científica e empírica sobre a ineficácia de medidas não-farmacêuticas seguem-se links e excertos de artigos científicos e também imagens de gráficos elucidativos.
«Although mechanistic studies support the potential effect of hand hygiene or face masks, evidence from 14 randomized controlled trials of these measures did not support a substantial effect on transmission of laboratory-confirmed influenza.»
(Do artigo científico "Nonpharmaceutical Measures for Pandemic Influenza in Nonhealthcare Settings—Personal Protective and Environmental Measures"
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7181938/)
«Meta-analyses suggest that (...) facemask use provided a non-significant protective effect (...).»
(Do artigo científico "Effectiveness of personal protective measures in reducing pandemic influenza transmission: A systematic review and meta-analysis"
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28487207/ )
«Although the difference observed was not statistically significant, the 95% CIs are compatible with a 46% reduction to a 23% increase in infection [in the mask wearers].»
(Do artigo científico "Effectiveness of Adding a Mask Recommendation to Other Public Health Measures to Prevent SARS-CoV-2 Infection in Danish Mask Wearers - A Randomized Controlled Trial"
https://www.acpjournals.org/doi/10.7326/M20-6817)
Gráfico de estudo comparativo sobre o uso de máscara realizado aquando da epidemia de gripe espanhola de 1918-19: https://prnt.sc/upo9jd.
«Surprisingly, stay-home measures showed a positive association with cases. This means that as the number of lock-down days increased, so did the number of cases. The use of face coverings initially seems to have had a protective effect. However, after day 15 of the face covering advisories or requirements, the number of cases started to rise. Similar patterns were observed for the relationship between face coverings and deaths. (...) These results would suggest that the widespread use of face masks or coverings in the community do not provide any benefit. Indeed, there is even a suggestion that they may actually increase risk, but as stated previously, we feel that the data on face coverings are too preliminary to inform public policy. We have more confidence that results for stay at home orders suggest that such orders may not be required to ensure outbreak control.»
ResponderEliminar(Do artigo científico "Impact of non-pharmaceutical interventions against COVID-19 in Europe: a quasi-experimental study"
https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2020.05.01.20088260v2 )
«While new medical treatments proposed to cure COVID-19 cases are required to be validated through controlled double blind studies, the benefits and risks of social distancing strategies are not subject to any comparative tests. However, full lockdown measures, such as those decided in Italy, France, Spain and United Kingdom have not been experienced in Western Europe countries for centuries, and their effects in contemporary population’s mental and physical health is largely unknown. (...) In the absence of any control group, the impacts on western Europe’s population will not be measurable until months. Nevertheless, increased mortality due to difficulties of access to basic health care, increased mental conditions linked to isolation, as well as social consequences of economic recession, despite being unquantifiable so far, is to be expected. Such measures are thus only appropriate if their impacts on limiting the epidemic spreading save more lives than their inherent death toll.»
(Do artigo científico "Full lockdown policies in Western Europe countries have no evident impacts on the COVID-19 epidemic"
https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2020.04.24.20078717v1.full.pdf)
Gráfico de estudo realizado em Marselha: http://prntscr.com/wa8j30
Nas três imagens seguintes temos evidência do que mais se aproxima de verdadeiros grupos de controlo. A primeira relativa à evolução da epidemia na região dinamarquesa da Jutlândia do Norte, onde 7 municípios implementaram confinamento rigoroso e 4 permaneceram abertos; as restantes relativas à evolução da epidemia nos estados vizinhos americanos de Dakota do Sul (sem confinamento, sem mácaras obrigatórias e com tudo aberto) e Dakota do Norte (com confinamento, máscaras obrigatórias, escolas e estabelecimentos não-essencias fechados).
http://prntscr.com/10bfmrd
(colhida do artigo científico "Lockdown Effects on Sars-CoV-2 Transmission – The evidence from Northern Jutland", https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2020.12.28.20248936v1.full);
http://prntscr.com/10elvsp - Dakota do Sul vs. Dakota do Norte, "casos"
http://prntscr.com/10em0aq - Dakota do Sul vs. Dakota do Norte, óbitos
(fonte: worldometers).
E como leitura complementar:
"Covid-19: politicisation, “corruption,” and suppression of science"
https://www.bmj.com/content/371/bmj.m4425
"Reconstruction of a Mass Hysteria - The Swine Flu Panic of 2009"
https://www.spiegel.de/international/world/reconstruction-of-a-mass-hysteria-the-swine-flu-panic-of-2009-a-682613.html
PS - Já me esquecia: na Suécia e na Bielorrússia, sem máscaras obrigatórias, com escolas total ou parcialmente abertas e com todos os estabelecimentos abertos, veja-se o número de óbitos por milhão de habitantes (p.e. no worldometers) e compare-se com Portugal, RU, Espanha, etc.