O convite de Fernando Nobre para cabeça de lista do PSD por Lisboa é um mais tiro de Pedro Passos Coelho no próprio pé. O tão absurdo quanto despropositado anúncio da sua candidatura à Presidência da Assembleia da República é mais que um tiro no outro pé. Começam a ser muitos tiros nos pés …
Presidente da Assembleia da República? Agora? Mas por que carga de água?
Porque tinha já convidado Manuela Ferreira Leite? Já isso tinha sido errado, mas era um erro que se perdoava: tratava-se de deixar claro que não é de vinganças. A nobreza dos fins fazia com que se perdoasse a fraqueza dos meios!
Repetir o erro sem fins que se percebam é muito mais difícil de entender…
Fernando Nobre até poderá alargar, o que está muito longe de adquirido, a base eleitoral do PSD. Até poderia ter – que não tem - perfil para Presidente da Assembleia da República. Mas para quê falar agora de uma eleição que cabe exclusivamente aos deputados eleitos a 5 de Junho? Não lhe bastaria convidá-lo para integrar uma lista qualquer? Precisaria de ser número um de Lisboa? E logo com essa particularidade – nunca vista – de acumular com a candidatura à presidência da AR. Dois em um: absolutamente desnecessário!
Não bastou a estória da revisão constitucional, a subida do IVA ou a privatização da Caixa Geral de Depósitos?
E, depois, Fernando Nobre também não ajuda à festa. Acaba de esbanjar o pouco do prestígio político que lhe sobrou das presidenciais e fica com muita dificuldade em arrancar a pele de oportunista que se lhe colou. E deixou-nos conversados quanto à conversa da cidadania!
Em pouco tempo habituamo-nos ao percurso errático, confuso, trapalhão e inconsequente de Fernando Nobre. Receio que Passos Coelho esteja a copiá-lo!

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