quinta-feira, 8 de abril de 2021

Jorge Coelho (1954-2021)

Morreu o histórico socialista Jorge Coelho


 


A notícia da morte, de todo inesperada  como todas as mortes súbitas, caiu com força na tarde de ontem e deixou o país consternado. Ia para escrever o país político, para não dizer a classe política, mas recuei e escrevi país, sem qualquer adjectivo. Porque Jorge Coelho era um político, mas era um político de uma grande ligação ao país e às pessoas, ao povo, cujos sentimentos e aspirações conhecia como poucos.


Claro que há sempre os trogloditas, alguns dos quais aparecerão porventura por aqui, como aparecem em tudo o que é caixa de comentário, que não conhecem mais que a verborreia. Mas são vozes que não chegam ao céu.


Jorge Coelho foi um político que deixou de precisar da política - abandonou-a com aquela mítica demissão de ministro das obras públicas, aquando da queda da ponte de Entre-os-Rios, fez agora 20 anos - para se tornar num bem-sucedido gestor, empresário e comentador - sem que a política deixasse de precisar dele. Bastava ouvi-lo para perceber o que a política precisava dele...


Foi dos mais carismáticos políticos da sua geração, de grande capacidade de organização e de mobilização, verdadeiramente sagaz e astuto e com grande capacidade de perceber cada momento político. Nunca foi um mestre de ciência política, um pilar ideológico ou sequer um grande orador. E no entanto fica conhecido pela sua forma de expressão, na sua dimensão beirã que cruzava a boa disposição e o bom trato, com a acutilância.


É certo que em Portugal é preciso morrer para se passar a ser boa pessoa. Somos tão pródigos no elogio na morte como na maledicência em vida. Mas não deixa de ser notável a expressão de reconhecimento e de respeito a que temos assistido, e que atravessa todo o nosso espectro político. 

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