Hoje não vale a pena perdermo-nos em preliminares. Vamos directos ao assunto!
O Braga, com a sorte do jogo, é certo, afastou o Benfica da final da Liga Europa e deixou os benfiquistas, não à beira de um ataque de nervos, mas na mais profunda depressão. Eu que o diga!
Falo por mim mas também pelo que tive oportunidade de confirmar com todos os benfiquistas que encontrei: esta derrota doeu a sério, fez mossa e deixa marcas! Como o presidente Luís Filipe Vieira (LFV) bem percebeu de imediato. Não percebemos se Rui Costa o percebeu e percebemos que Jorge Jesus não o percebeu de todo. Se o tivesse percebido as primeiras palavras dele teriam sido as mesmas de LFV: “peço desculpa”!
Esta derrota doeu de mais porque era a última esperança de ganhar alguma coisa de jeito nesta época. Porque os benfiquistas se agarraram a essa esperança para esconder a frustração de uma sensação de regresso ao passado. Mas doeu ainda mais porque os benfiquistas acordaram de uma mentira: já não lhes bastava a mentira do governo e do seu primeiro-ministro; agora era o seu porto de abrigo, a âncora dos seus equilíbrios psico-sociais, a traí-los e a abandoná-los. Agora mesmo, quando o estrangeiro veio tomar conta de nós e passar-nos não sei quantos atestados de incompetência! Agora mesmo, quando vemos sondagens que nos dizem que mentir compensa!
O Jesus resume tudo isto a uma questão de azar: o Benfica teve azar na primeira mão, na Luz, onde o Braga teve muita sorte. Azar e a sorte que se repetiriam no jogo de Braga.
É evidente que há circunstâncias de sorte e azar. A sorte do jogo, que o Braga teve na Luz ao marcar o golo do empate num lance inexplicável e logo a seguir ao golo do Benfica. Que voltou a ter em Braga no momento e nas circunstâncias em que fez o golo que valeu o apuramento. Que o Porto teve no Dragão na semana passada, como aqui se deu conta, e que voltou a ter ontem quando faz o 1-1, que arrumou com qualquer sombra de dúvida sobre a eliminatória, num remate que, indo para fora, encontraria um adversário para se encaminhar para a baliza. Mas serão sempre circunstâncias. O resto é feito pela tal crença, de que aqui também se falou a semana passada, como o Porto e o Braga bem ilustram A sorte é uma coisa que dá muito trabalho, como se diz, se repete e é verdade!
Toda a gente percebeu que, nos jogos que decidiram o campeonato e a taça, os jogadores do Porto, ao contrário dos do Benfica, entraram cheios de confiança, determinados e disponíveis para discutir todos e cada um dos lances. Em Braga viu-se exactamente a mesma coisa: enquanto os jogadores do Braga respiravam confiança – ficou, apesar do azar invocado por Jesus, a sensação clara que se precisassem de ganhar por dois golos tê-los-iam procurado e marcado – os do Benfica tremiam, desconfiavam um dos outros e, claramente, não corriam!
E isto não tem a ver com sorte ou azar. Tem a ver com competência!
Competência que faltou na construção do plantel, com um plantel desequilibrado, com demasiadas posições sem uma alternativa sequer. Na gestão do plantel - com jogadores esquecidos e ostracizados que, assim, não podem ter nem condição física nem psicológica – desvalorizando qualitativa e financeiramente uma enorme quantidade de jogadores. Desvalorização que se estendeu aos chamados titulares, onde David Luiz, já cedido, Fábio Coentrão ou Cardozo valem hoje - o primeiro já valeu - bem menos que no fim da época passada. Na gestão da equipa, praticamente reduzida onze jogadores, sem qualquer rotatividade, que literalmente rebentou no último terço da época. Que, mesmo poupada - com uma segunda equipa nos últimos quatro ou cinco jogos do campeonato a perder jogos e pontos com os últimos classificados – chegaria de rastos a esta eliminatória com o Braga.
Basta ouvir Jorge Jesus para percebermos que dificilmente ele terá todas as competências que hoje são requeridas a um treinador de topo: um treinador que só sabe de futebol nem de futebol sabe! Mas, mesmo que ele as tivesse, bastaria ouvi-lo para percebermos que nunca as conseguiria comunicar… E basta ainda ouvi-lo – mais pavão que os pavões de S. Bento - para compreender as suas competências de team building: não é por acaso que não tem no seu currículo duas épocas consecutivas de sucesso, seja isso lá o que, no seu caso, for. Competência que faltou à administração na renegociação do contrato de Jesus, no caso Roberto – nos valores inacreditáveis do negócio e na permissividade no processo de desestabilização que introduziu na equipa -, ou na responsabilização de toda a estrutura pela irregularidade da equipa e pela desvalorização óbvia de todos os jogadores.
Competência que faltou na definição de funções de Rui Costa: ninguém sabe o que faz nem quais são as suas responsabilidades. Sabemos apenas que, para adquirir competências, não basta ter sido um grande jogador, ter o Benfica no coração, e estar no coração dos benfiquistas!

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