quarta-feira, 30 de junho de 2021

Corrente de ar

As condecorações mais polémicas de Portugal - Portugal - SÁBADO


 


Não sabemos no que vai dar, mas a detenção de Joe Berardo e do seu advogado surge como uma lufada de ar que entra por uma janela que se entreabre numa sala congestionada de ar absolutamente irrespirável.


Depois dos desfiles pelas comissões parlamentares de inquérito, e das respectivas prestações televisivas, de tantas figuras de proa dos negócios em Portugal, iniciados até pelo próprio Berardo, o que mais faltava era que nada se passasse. Que ninguém, para além de nós todos, pudesse achar que não teria de haver alguma coisa a fazer.


Berardo é apenas o mais tóxico mito de um país saloio, de deslumbramento fácil. Recebeu comendas das mãos de insuspeitos e respeitados Presidentes da República, encheu horas de televisão e páginas de jornais e revistas. Fez os negócios que quis, como quis. Os bancos puseram-lhe nas mãos o dinheiro que quis, sem garantias. 


Comprava acções com dinheiro dos bancos, garantidos por essas acções. Garantia o risco com o próprio risco, e os bancos achavam graça. De longe acenava-lhes com a famosa coleção de arte, mas só para a verem em exposição. E ria-se. Ria-se muito... E dizia "babe"... E que não devia nada... Que não tinha nada, nem medo de ninguém...


Claro que tudo isso já se passou há muito tempo. O tempo não volta para trás, passa pelas coisas e elas prescrevem. Não há meios ... 


Mas há mais comendadores. E mais chicos-espertos que parecem parvos, e só por acaso não são comendadores.

4 comentários:

  1. Uma encomenda de mil milhões de euros.

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  2. Será que ninguém percebeu que Joe é nome de gangster?

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  3. Será que ainda ninguém percebeu quem é que foi o mandante?

    Pedro Cunha

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  4. Há uns bons anos quando fazia um dos meus passeios por este Portugal, parei numa aldeia para a visitar, uma das aldeias do interior, a dada altura precisando de uma informação dirigi-me a um dos habitantes, já com bastante idade, como as conversas são como as cerejas, lá diz o velho ditado, fomos falando e a determinada altura da conversa e do assunto o dito ancião diz-me: " oooohhh! meu amigo, neste país para se ser honesto tem que se roubar muito".
    Como sempre palavras sábias dos mais velhos.

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