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Jorge Sampaio é uma marca da História e da vida política nacional. Um homem culto e cosmopolita, que valia pelo que era, sem nunca precisar de se pôr em bicos de pés. Um Presidente de emoções e afectos, mas recatados. Transparente, onde a hipocrisia e o cinismo não cabiam.
Da sua biografia política salientaria a liderança das lutas estudantis contra a ditadura do regime de Salazar; a espontaneidade da sua candidatura à Presidência da República, numa decisão pessoal e directa, sem tabus, antecipando-se e impondo-a ao seu Partido; dez anos em Belém de rara consensualidade, bem expressos nos 72% de taxa de aprovação - ou de popularidade, como se queira - com que terminou o seu último mandato; e, finalmente, a dimensão verdadeiramente senatorial, de autêntica reserva moral da nação, no seu papel de Presidente ex-Presidente, e o reconhecimento do seu prestígio internacional.
Já ouvi alguém chamar-lhe o "príncipe da política". Parece-me bem!
Morreu hoje, sem tempo de completar os seus 82 anos. E Portugal perde um Homem daqueles que fazem mesmo falta!
Um exemplo de grandeza, civismo, educação e saber estar, num país por vezes tão dado á mesquinhez, á mediocridade e á promiscuidade.
ResponderEliminarnaturalmente compreendo este tipo de referencias postumas.
ResponderEliminarE entendo perfeitamente o sentido de quantos escrevam : parte um homem que faz mesmo falta.
Mas isso é o coraçao ( a tristeza, a saudade) a falar. Nao a razao.
Na realidade só faz mesmo falta, quem está ativo, nao era o caso do Sampaio, pessoa com já 80 anos.
No fundo estou dizer isto : ainda estao vivos algumas figuras seniores que admiramos ( e outras que odiamos), mas dos quais ja nao se fala, portanto só sao ressuscitados quando se noticia o seu obito.
p.e.
ResponderEliminaragora entre as 21h e as 22h a radio mais antiga do país transmitiu uma entrevista com Jorge Sampaio, á Flor, em 2013.
Nao estou a dizer que nao exista mais Sampaio depois de 2013, nem que nao existem outras entrevistas posteriores, mas se nao existem é porque o Senhor deixou de existir.
A sério? Em repúblicas não há príncipes, e os presidentes são os máximos servidores do povo, que é quem mais ordena.
ResponderEliminarEm democracia não há poderes divinos, e todos são iguais em direitos e obrigações, mas aqueles que se propõem a cargos públicos, têm responsabilidades acrescidas. Uma vez eleitos (não escolhidos) ou cumprem com seriedade os seus cargos e funções, ou são aldrabões ou gatunos ou incompetentes ou incompreendidos.
Quanto ao Jorge Sampaio, não sei o suficiente para afirmar de que categoria foi, mas a avaliar pelos amigos que se vão manifestando, começa a ficar mais fácil chegar a conclusões.
Capisce ?