terça-feira, 14 de setembro de 2021

Portugueses que não merecem os portugueses

Visão | Ferro Rodrigues sobre os ataques de negacionistas: “Trata-se de um  crime público. Espero que a PGR cumpra o seu dever"


Portugal é hoje um dos mais bem sucedidos países - porventura o de maior caso de sucesso no mundo - no processo da vacinação contra o covid-19. Por duas razões fundamentais: porque a campanha de vacinação foi bem planeada e melhor executada; e porque os portugueses aderiram em bloco!


Planeamento e rigor de execução não são atributos que geralmente nos sejam creditados, mas cá estiveram, neste processo. Também não somos especialmente conhecidos pelo empenho em causas, mas a verdade é que a História regista momentos vários de galvanização e mobilização nacional à volta de muitas e grandes causas. 


Na resposta à pandemia, na medida como acatamos as restrições a que nos tivemos de sujeitar, ou até na forma como tantas vezes antecipamos espontaneamente medidas desse género, fomos, em geral, de um notável comportamento cívico. E na adesão à vacinação, em todos os escalões etários, demos uma lição ao mundo.


Claro que há sempre alguma gente desprovida dos mínimos exigíveis de sanidade mental capazes de alinhar em teorias malucas, de negar as evidências, por mais que há muito estejam demonstradas, capazes de fugir aos mais estabelecidos padrões cívicos, e disponíveis para seguir agendas dos mais deploráveis propósitos de gente de poucos escrúpulos. E que, em sociedades abertas e democráticas, como felizmente é a nossa, têm direito a manifestar-se. 


São, felizmente, em Portugal meia dúzia de pessoas. Quando violam o Direito Democrático só têm que ficar sujeitas à lei, naturalmente. É a essa lei que têm de se submeter gente como esse senhor que por aí anda e se diz juiz, os que fizeram aquela espera, em Odivelas, ao almirante Gouveia e Melo, ou, e são evidentemente os mesmos, os que se juntaram à porta do restaurante onde almoçava Ferro Rodrigues, para o insultar e ameaçar.


É preciso que a Procuradoria Geral da República e o Ministério Público, nessa como em todas as matérias, cumpram o seu dever e activem o Código Penal. Mas é preciso mais: é preciso que a sociedade desincentive esses comportamentos, porque esses grupelhos inorgânicos ao serviço de gente perversa, de objectivos bem definidos, sabe usar os instrumentos de comunicação para os potenciar. E aí surgem outras responsabilidades, que não aquelas que a lei pode, e deve, sancionar.


Já bastam as redes sociais, desreguladas e incontroláveis, para lhes dar projecção de que se alimentam. Mas ainda têm as televisões para os fazer engordar.


Aquilo que vimos com Gouveia e Melo, com o dito juiz perante os agentes da PSP, e com Ferro Rodrigues é notícia?


É, mas poderia certamente ser dada de outra forma. E mais um pormenor: na "espera" a Gouveia e Melo, na sua visita a um centro de vacinação em Odivelas, poderia esperar-se cobertura televisiva; no deplorável confronto do tal juiz com os agentes da PSP,  cujo acontecimento era a sua audição no Conselho Superior de Magistratura, já essa cobertura é mais difícil de perceber; e na "visita" ao almoço de Ferro Rodrigues com a mulher, no fim de semana, é de todo incompreensível. Simplesmente não havia acontecimento para cobrir!


E é aqui que surge o mais rocambolesco e chocante: o jornalismo justifica o "acontecimento" na presença do médico Fernando Nobre, o ex-candidato à Presidência da República e histórico da AMI, para discursar nessa manifestação


Esse mesmo. Quem por aqui acompanha as memórias de "10 anos" tem podido revisitar a personagem, presença frequente nessa altura destas páginas. Sem qualquer tipo de surpresa, este episódio mostra ao que pode chegar uma criatura que um dia se apresentou como exemplo e personificação da cidadania.


Há portugueses que não merecem os portugueses que têm como concidadãos!


 


 

6 comentários:

  1. Negacionistas: em todas as sociedades há sempre cães a ladrar por tudo e por nada.

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  2. Intolerável, se são criminosos devem ser punidos, se são "apenas" chalupas, devem ser internados compulsivamente... A democracia não pode ser branda com aqueles que se servem dela para a minar e destruir.

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  3. Culpa do Passos Coelho. Quando lhe chamavam tudo e mais alguma coisa devia ter feito queixa ao MP. Quando cuspiram na cara do seu ministro das finanças devia ter mandado prender o delinquente. E quando gozaram publicamente com os resultados capilares da quimioterapia da esposa devia ter acusado todos de xenofobia e machismo tóxico. Não o fez, e agora chegámos a isto.

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  4. Em 2011, Fernando Nobre disse "dêem-me um tiro na cabeça". Só lamento que ninguém tenha posto isso em prática. Pois gente que nega a gravidade de uma pandemia mais valia não existir. Mas como Portugal é um país que respeita os direitos humanos, não tendo pena de morte, o melhor que se poderia fazer era prender toda essa escumalha. Que se infetem entre eles e se falecerem, paciência.

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  5. O que tem o cu a ver com as calças? Eu lembro-me bem do que foi a governação de Passos Coelho e todos os insultos foram poucos. Já os insultos a Ferro Rodrigues foram feitos, não por gente justamente indignada com a governação do PS (que merece críticas, embora não tanto como a de Passos Coelho), mas sim pelo pior que há na sociedade: assassinos que acham que têm o direito de infetar outros com Covid.

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  6. Esses “assassinos” acham que as vacinas vão provocar mais mortes que o Covid. Portanto o Governo, o Vice-Almirante, os profissionais de saúde, e toda a gente que contribuíu para o sucesso da vacinação, são assassinos.
    Acho muito bem que tenham o direito e a liberdade de se manifestarem, até mesmo de ameaçar e insultar. Isso não é novo. Novidade é este governo achar-se acima dessas coisas porque se aliou aos profissionais do insulto.

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