O governo grego anunciou expressamente que não irá cumprir o acordo de resgate financeiro assinado com a troika. Já toda a gente sabia que tudo falhara, esta não é mais que a confirmação oficial dessa realidade!
Há muito que se sabe que montante do financiamento - 110 mil milhões de euros – era insuficiente. Há muito que está a ser negociado um reforço de montante idêntico – mais 100 mil milhões. Há muito que sabe que, naquelas condições, o resgate é uma missão impossível. Que, nas mesmas condições, mais 100 mil milhões é apenas mais dinheiro deitado para cima de um problema que a UE, em vez de ajudar a resolver, agravou.
O governo grego diz que este ano o défice será de 8,7% do PIB, contra os 7,6 acordados. Para o próximo ano – se é que alguém acredita que haja na Grécia alguma condição para estabelecer seriamente qualquer previsão – aponta par 6,8, acima dos 6,5 estabelecidos. Enquanto na rua os gregos mandam os homens da troika para casa e gritam que não querem o dinheiro deles, no Luxemburgo, à entrada para a reunião do Eurogrupo - que mais uma vez irá fingir que procura uma solução – o ministro das finanças, Evangelos Venizelos, falava grosso, recusando o papel de bode expiatório e reclamando o orgulho nacional grego. Nada que lhe valha de muito, mas é sintomático…
A economia grega caiu lá em baixo, bateu no fundo. Porque seguia a caminho do precipício e porque a receita do programa de resgate – sempre a mesma e cega austeridade, punição em vez de remédio – mais não fez que dar gás até ao abismo. É a espiral de destruição económica alimentada pelo ciclo vicioso da austeridade!
Ainda se ao menos viesse a tempo de nos servir de exemplo para alguma coisa … Mas já não vem!

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