sexta-feira, 8 de outubro de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Cedo erguer – madrugar – é um dos indicadores geralmente associados ao trabalho e à produtividade. É normal, sabemos que é de manhã que começa o dia e sabemos que é de manhã, pela fresquinha, que as nossas capacidades estão mais disponíveis.


Nos países mais desenvolvidos, mais ricos e mais produtivos o dia de trabalho começa cedo, bem cedo. Coisa que cá mais pelo sul não é assim tão bem vista.


Temos também a ideia que o inverso, a propensão para as noitadas - os noctívagos nunca serão madrugadores – é coisa de foliões, de gente mais dada á folia que ao trabalho. Claro que sabemos que há muito boa gente que não gosta de madrugar sem que sejam exactamente uns calões e preguiçosos, há pessoas que são mais produtivas à noite e há muitos que simplesmente não gostam de dar os bons dias a ninguém. E há até gente que trabalha por turnos, umas vezes de dia outras de noite, e há mesmo quem tenha de trabalhar de noite para que os outros, os tais madrugadores, quando madrugam, já possam contar com um sem número de coisas sem as quais nunca poderiam fazer aquele figurão.


Mas nada disto invalida aquela velha ideia de que deitar cedo e cedo erguer dá saúde e faz crescer. Os méritos do madrugador serão sempre mais reconhecidos que os do noctívago!


Com os golos as coisas não se passam exactamente assim. Pelas simples razão que todas as alturas são boas para os marcar, um dos mais usados lugares comuns do futebolês.


Daqui se percebe que um golo madrugador não é o que se marca de madrugada, bem cedo, logo pela manhã. Mesmo sendo todas as alturas boas para marcar golo, a madrugada nunca será tempo de marcar golos pelas simples razão que também os jogos de futebol não gostam de dar os bons dias a ninguém, só conhecem a tarde e a noite. Ia dizer que nunca a manhã, mas já não é verdade, porque as televisões já vão impondo também jogos nessa primeira parte do dia. Bem, mas é já uma manhã bem alta, nada madrugadora. O golo madrugador é o golo logo no início do jogo, independentemente da hora a que for marcado, todas boas como já vimos; o golo tanto pode madrugar às três da tarde como às nove da noite.


Também o golo madrugador dá saúde e faz crescer. Quer dizer, dá saúde psicológica à equipa retirando-lhe a pressão do resultado, e fá-la crescer, dando-lhe mais confiança e tornando-a, assim, maior.


Já o golo noctívago, tardio – mesmo já no final do jogo – pode ter várias caras. Será épico se vier reverter um resultado negativo e pôr um ponto final no sofrimento e na ansiedade que foi dramaticamente crescendo ao longo do jogo. Será pouco mais que indiferente se nada vier alterar.


O Sporting é já o campeão dos golos madrugadores neste campeonato. Não há jogo que não comece com um golo do Sporting. Ou com dois e até já com três! Quem chegar um tudo-nada atrasado aos jogos do Sporting já não tem hipótese de ver golos. E lá seguem eles de vento em popa, cheios de moral, no seu oitenta até que o oito regresse.


E no entanto tudo isto começou com aqueles três golos noctívagos, bem tardios, de Paços de Ferreira. Andavam eles pelo seu profundo oito quando, de repente, lhes caem do céu aqueles três golos fora de horas. Logo a seguir fizeram jackpot em Vila do Conde: dois golos madrugadores de nada lhes teriam valido não fosse o vadio que lhe apareceu já alta noite. Desde então, sempre a encher até ao actual oitenta, foram quatro ou cinco jogos consecutivos de golos madrugadores. Daí que tenham entrado agora na fase de passar mais de metade dos jogos a defender com dez, todos de unhas bem afiadas, o seu precioso golo madrugador!


 

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