Lews Hamilton e Max Verstapen saem da Arábia Saudita em igualdade pontual para discutirem o título mundial na última etapa deste Mundial de Fórmula 1, no Abu Dhabi, no próximo fim de semana. Só por uma vez, em 1974, dois pilotos tinham chegado empatados em pontos à última prova do campeonato - então Emerson Fitipaldi (cujo neto sofreu hoje um grave acidente, neste mesmo circuito, na prova de fórmula 2) e Clay Regazzoni. Isto depois de Hamilton ter vencido o seu 103º Grande Prémio, e o terceiro dos últimos três, que o relançou para o seu oitavo Mundial, que chegou a parecer perdido.
Foi uma grande corrida, este Grande Prémio esquisito e cheio de coisas estranhas. Desde logo com três partidas da grelha de formação, duas bandeiras vermelhas e já nem sei quantas intervenções do safety car. E muita manha, e outras coisas que tais.
A corrida iniciou-se com os dois pilotos da Mercedes, Hamilton e Botas, nos dois primeiros lugares, donde partiram, com Verstapen em terceiro. À décima volta o primeiro acidente, com Mick Schumacher, e primeira entrada do safety car, que os pilotos da frente aproveitaram para mudar pneus. Todos, excepto o holandês, que quando ia entrar recebeu ordens da equipa para não o fazer, ficando na frente da corrida. Percebeu-se que a Red Bull apostava na bandeira vermelha, que interromperia a corrida, e a relançaria para nova partida, donde sairia na pole, que ontem falhara ao embater no muro à saída de uma curva, quando se aprestava para a conquistar. Quatro voltas depois, aí estava a antecipada bandeira
Nova partida, agora com Verstapen a partir na frente, e com pneus novinhos. Hamilton, em segundo, arrancou bem. Como Verstapen e Ocon. Encontravam os três lado a lado na primeira curva onde Hamilton, quem mais tinha a perder, teve se cortar, Verstapen adiantou caminho por fora da pista, e Ocon, ficando em segundo, seria primeiro pela infracção do holandês. Cá atrás duas molhadas de carros, com Perez, o segundo piloto da Red Bull, a ficar fora da corrida. Nova bandeira vermelha, e nova grelha de partida, desta vez negociada, ao vivo e a cores, entre a direcção da corrida e as equipas: Ocon. Hamilton e Verstapen. Que no arranque, tirando partido dos pneus macios escolhidos para o efeito, mas de risco face às voltas em falta, quando os adversários optaram por duros para durarem o resto da corrida, passou de terceiro para primeiro, à frente de Ocon e de Hamilton, que pouco demorou a ficar a trás do seu rival para o título.
Começou então a perseguição, interrompida de quando em vez por acção do safety car virtual, por força de inúmeros toques em pista que a iam pulverizando com os pequenos destroços que daí resultavam. E começaram os já habituais truques de Verstapen para evitar a ultrapassagem. Numa dessas ocasiões empurrou Hamilton para fora de pista. Foi penalizado, com a obrigatoriedade de lhe ceder o lugar. Nada mais que uma nova oportunidade para outro truque: em vez de abrir para o deixar passar, travou à sua frente, para que lhe batesse por trás. Hamilton ficou com a asa dianteira destruída, e portanto com o carro desequilibrado. Não chegou a passar, mas Verstapen contava com o estrago provocado, mesmo que tivesse de voltar a ceder-lhe a passagem. Como aconteceu, para de imediato tirar partido disso, e voltar à frente.
Mas já não tinha pneus. Os que contara para ganhar na partida não lhe davam para ganhar a corrida. E Hamilton, mesmo com o carro naquelas condições, passou para a frente e fez até a melhor volta da corrida, que lhe deu mais um pontinho. E ganhou claramente uma das corridas mais difíceis de ganhar. Em competição, nem sempre a verdade ganha.. Desta vez ganhou!
Verstapen é um extraordinário piloto, disso não há duvidas. Dúvidas há é que seja um verdadeiro desportista. Para mim, evidentemente!
Uma coisa é a manha, o chico-espertismo. Cabem sempre no desporto. Outra é a batota. Quando a Red Bull arrisca na estratégia e Verstapen arrisca na pista, não há nada a dizer. Mas quando lhe acrescentam batota, já é outra coisa. E fazem-no vezes de mais!
Foi exatamente essa a minha visão do que se passou durante este GP. Acho que acabou por se escrever direito por linhas tortas. O ultimo GP tem tudo para ser emocionante do principio ao fim!
ResponderEliminarA FIA "não pode" admitir que um negro ultrapasse um ariano em número de campeonatos ganhos e, por isso, apadrinhou outro ariano a quem concedeu a super-licença aos 16 anos de idade, quando ainda andava de cueiros. Que saudades do tempo em que a F1 era um desporto em que a capacidade e habilidade dos pilotos ditavam o resultado final, em que o Adriano Cerqueira e o Domingos Piedade sabiam do que estavam a falar, do humanismo do Ronnie Peterson que o fez parar o carro e atravessar a pista a correr para socorrer um colega que tinha capotado, sendo colhido mortalmente por outro piloto que não se apercebeu da situação, da rivalidade com lealdade entre o Senna e o Prost. Agora, os resultados são ditados "na secretaria", punindo uns e deixando outros fazer batota, de acordo com as conveniências racistas da FIA.
ResponderEliminarQuero recusar-me a admitir a sua tese rácica, mas subscrevo que a FIA promove outros interesses que não os exclusivamente desportivos. Já o fazia no tempo dos saudosos Adriano Cerqueira e Domingos Piedade. Só que esses, para além de saberem do que estavam a falar, denunciavam esses interesses com todas as letras. E palavras.
ResponderEliminarA FIA sempre foi assim. Como nem sempre houve lealdade entre Senna e Prost, como entre Lauda e Prost, Mansel e Piquet, Michael Schumacher e Damon Hill ou David Coulthard. Mas , claro, hoje a competição não é o que era. Hoje decide-se quase tudo entre a electrónica e "arbitragem" (em vez de secretaria). E, sinceramente, não estou nada à espera que as coisas corram bem em Abu Dhabi. Verstapen será campeão do mundo se nenhum dos dois pontuar, e isso é meio caminho andado para haver problemas.
Verstapen é sinonimo de piloto resabiado e que demonstrar de facto um mau perder impressionante, com o alto patrocínio de uma formula 1 moribunda.
ResponderEliminarJá por diversas vezes colocou em risco a integridade física dos seus colegas de profissão de forma verdadeiramente gratuita, em especial o Hamilton.
Uma coisa é ser um piloto fora de série, como Hamilton o é, outra é "querer" ser um piloto fora de série e utilizar, ele (Verstapen) e a equipa dele, a estratégia do vale tudo para esse fim.
Isto com um Senna ou um outro grande piloto em pista nunca iria ser permitido!