quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Brilho? Só no golo que vale por três!


 


O Benfica assegurou a presença na final a quatro da Taça da Liga, a disputar em Leira no final do próximo mês de Janeiro. Depois de, em Guimarães, ter deixado fugir o pássaro que teve na mão, naquele empate a três daquele jogo que começou bem e acabou tão mal, ficava a tarefa de ganhar na Luz ao Covilhã, marcando pelo menos três golos e sofrendo, no máximo, um.


A missão não era impossível, nem sequer difícil. Ganhar por 3-1 ao 16º classificado da Segunda Liga só poderia ser tarefa complicada se o Benfica a complicasse. Por muito que o adversário conte, como conta sempre.


E o Covilhã contou. Mas contou mais o que o Benfica a complicou. Poderia dizer-se que começou por complicar com a escolha do onze inicial, sem qualquer dos habituais titulares. Mas foi por muito mais que simplesmente a escolha dos jogadores para desempenhar a tarefa. Começou pela opção pelos três centrais  Tomás Araújo, Ferro e Morato. Poderá Jorge Jesus - ausente do banco por mais uma das originalidades do futebol português, e como espécie de contra-peso para o castigo de Sérgio Conceição - (mandar) falar em ideia de jogo, mas ideias são uma coisa, e o jogo é outra. E o que o jogo mostrou foi três jogadores do Benfica para um do Covilhã naquela zona do terreno e, logo ali, criado um desequilíbrio numérico nas outras zonas do campo onde o Benfica teria de disputar a bola para poder chegar aos três golos da tarefa. Nas zonas de construção de jogo, o adversário tinha dois jogadores de vantagem. Que, depois, a passividade, a falta de dinâmica colectiva e os passes errados dos jogadores do Benfica faziam parecer muitos mais! 


Com mais jogadores para ocupar espaços onde a bola tinha de ser disputada, e com o miolo do campo entregue a Meité e Taarabt, a errarem passes e a perder a bola cada vez que lhe pegavam,  ela nunca chegava nem sequer a Pizzi, quanto mais a Seferovic e Gonçalo Ramos, a quem se exigiam golos, os tais três, mas que eram simples espectadores do jogo. Ia a primeira parte a chegar a meio quando surgiram o primeiro remate, a primeira oportunidade de golo e até o primeiro canto. Mas para o Covilhã!


E dois em um. Ao primeiro remate do jogo correspondeu Helton Leite com uma boa defesa, para canto. E do primeiro canto a segunda oportunidade para o Covilhã, com um remate à trave.


Valeu que pouco depois, à beira da meia hora de jogo, na marcação de um livre numa das raras chamadas jogadas de laboratório que temos visto neste segundo consulado de Jorge Jesus, mas também das mais bonitas que se podem ver, o Benfica chegou ao golo. Vale a pena recordar: livre sobre a esquerda, Taarabt pegou ba bola e, quando toda a gente esperava que dali saísse mais um remate desastrado, coloca-a em Pizzi, incorporado na barreira que, de calcanhar, isola Gonçalo Ramos que, por sua vez a coloca à frente de Seferovic para, já na cara do guarda-redes, a enfiar na baliza. À primeira oportunidade, o golo. O primeiro dos tais três que era preciso!


O golo teve o condão de salvar ... Taarabt. Que pouco depois, noutro belo passe, isolou Gonçalo Ramos, que não conseguiu bater o guarda-redes do Covilhã. E por aqui se ficava a primeira parte, com duas oportunidades de golo criadas. Por aqui e pela expulsão de um jogador do Covilhã, que partiria para a segunda parte com 10. Nada que se notasse, porque o Covilhã ainda ficava com um a mais, dada a tal vantagem que  mantinha com o tal um para três lá na frente.


Ao intervalo, as substituições. Sempre tarefa facilitada para o treinador, como aqui tenho dito. Entraram Rafa, Darwin e ... Paulo Bernardo, preterido na equipa inicial a ... Meité, que ninguém ainda percebeu como é jogador de futebol. Mas é, e é pago pelo Benfica!


A qualidade do jogo melhorou então um pouco, e o Covilhã foi encostado lá atrás. Mesmo assim, e com o 16º classificado da Segunda Liga a jogar com 10, o segundo golo apenas surgiu já a segunda parte ia a mais de metade. E de penalti, cometido sobre Rafa, e convertido por Darwin. E o terceiro, o tal que garantia o apuramento, cinco minutos depois, e já à beira do último quarto de hora. No bis de Darwin, mas também num frango monumental do guarda-redes covilhanense. 


E assim, sem brilho, ficou cumprida uma missão que nunca se tinha tido por exigente, mas que chegou a parecê-lo. Com um penalti e um frango, contra 10. Valha que o primeiro golo, contra 11, vale pelos três! 

17 comentários:

  1. Jogar contra 9 (b sad) é bem mais fácil do que jogar contra 10.
    Valha-nos ao menos a excelente exibição.
    A falta que o basófias faz no banco.

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  2. Foi preciso um penalty e um peru dos grandes, ou não estivéssemos em quadra Natalícia, para passarmos à fase final da taça da treta, como é possível ter um remate à baliza quase a trinta minutos de jogo, bem como jogar a maior parte do encontro contra 10, frente ao 16º classificado da segunda liga e fazer uma exibição miserável, tendo inclusive de ir buscar ao banco alguns dos habituais titulares para a vergonha não ser maior. Com JJ ou sem JJ é doloroso a um benfiquista ver tanta falta de qualidade e ambição, quanto a passes falhados em todos os jogos nem é preciso falar, até parece que durante a semana não treinam e só se reúnem umas horas antes dos jogos para fazerem umas peladinhas.

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  3. O "Rei dos frangos, abriu sucursal na Covilhã.

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  4. o jesus nao fez falta! porque jogaram do mesmo estilo com a sombra dele no banco..bem bom..objetivo conseguido..next...

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  5. O que vos interessa é o objectivo atingido. Não vos interessa como.

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  6. Excelente exibição. Está a gozar.

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  7. Caro Eduardo Louro,
    Não compreendo a sua ( e de muita gente, reconheço) fobia contra um jogador como o Taarabt, seguramente um dos melhores do actual plantel do Benfica. Falha passes? Falha!. Porém, joga para a frente e proporciona espectáculo. E isso é tudo o que um adepto do futebol deveria querer ver.

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  8. Para mim é óbvio, desde que vi o Benfica de Rui Vitória fazer frente ao Bayern nuns 4ºs de final da Champions, e incorporando jovens da formação, que o Benfica deve jogar em 4-1-4-1 (ou 4-3-3 com triângulo invertido no meio campo), com um 6, um 8, e um 10.
    Nesse sistema, temos os jogadores necessários na frente para os jogos nacionais, e o meio campo reforçado para a Champions, e ainda um sistema onde todos os jogadores da formação podem ser aproveitados.

    Olhando para o atual plantel, é óbvio que a dupla de centrais, estando Veríssimo lesionado, deve ser Otamendi e Vertonghen, com Morato e Ferro seus suplentes, Gilberto é quem tem rendido mais à direita e Diogo Gonçalves é o óbvio concorrente. Grimaldo à esquerda e do que vi, nenhum está à altura para o substituir. Talvez fosse o ano do... Nuno Tavares, mas esse é mais um que já se foi.
    O nosso 6 é Weigl ou Florentino, o nosso 8 é João Mário ou Gédson, e o nosso 10 é Pizzi ou Taarabt, sendo P.Bernardo o óbvio sucessor na próxima época.
    Nesse sistema, Rafa pode jogar numa ala e dar mais apoio ao meio campo (do lado onde estiver Pizzi) e Darwin na outra ala e a chegar mais próximo do avançado.
    O avançado é obviamente ou Seferovic ou G.Ramos. Yaremchuk pode entrar no lugar de Darwin quando é preciso mais músculo do que velocidade. E o suplente de Rafa neste sistema é obviamente Radonjic (que deve ser substituído por um da formação quando o seu empréstimo terminar, ou coloca-se novamente Pizzi do lado direito do ataque).
    E em certos jogos (e esta contra o Santa Clara seria um desses), temos gente suficiente na frente para jogar num 4-4-2 de olhos postos na baliza adversária e onde menos do que uma goleada deve ser considerado uma "derrota" pelo balneário no final do jogo.
    Obviamente perceberam: Everton não tem lugar no plantel. É para vender e recuperar o investimento o quanto antes, sem qualquer valorização. Tínhamos um Jota, e fomos buscar isto... é a prova de que a comissãozinha e o anúncio da "grande contratação" antes das eleições, valem mais para os Vieiristas, do que qualquer projecto desportivo.

    E o treinador deve ser substituído o quanto antes. O Benfica ora tem perdido, ora tem ganho com más exibições. Fez um bom jogo contra um Barcelona em crise, e só está na Champions porque Zahavi (do PSV) mandou aquele remate à trave... De resto, continua na Taça da Liga por uma unha negra, e no campeonato mantém-se no 3º lugar do ano passado. Caminhamos obviamente para mais uma época onde ficaremos a zeros!
    O Benfica não tem projecto, não tem treinador, não aproveita a formação, e tem demasiado Vieirismo ainda na estrutura e na SAD. E não me venham com a conversa do "ano zero" do Rui Costa, pois tal como ele disse no debate, este já é o seu 14º ano... e isso não pode valer só para o que se fez de bem.

    Dito isto, concordo com o E.Louro quando diz que não há ideia de jogo. Nem ideia, nem fio, e muito menos espetáculo. A coisa está tão preta, que mesmo quando os jogos dão em sinal aberto, eu não tenho vontade nenhuma de os ver.
    Precisamos de um Presidente sem Vieirismo, de uma SAD sem suspeitas, de um treinador a sério, sem bazófias e não desactualizado, tipo Erik ten Hag (Ajax), de aproveitar a formação, de ter só os jogadores de qualidade necessários e as transferências cirúrgicas, em vez de carradas de contratações (e comissões...).
    Precisamos de um projecto em que chegar aos 8-avos da Champions seja um objectivo mínimo, e não de um Presidente que festeja como se ganhasse algum título só por entrar na fase de grupos, e muito menos de um treinador que diz que os 8-avos não são sequer um objectivo mas apenas um extra.
    Precisamos de nota artística, de ter apenas a dúvida do momento em que o golo é marcado, e não a dúvida se vamos ter um remate sequer na primeira parte...

    Ah, e precisamos de uma forma justa de os adeptos poderem seguir todos os jogos da equipa, em vez de lhes exigir a subscrição de 3 canais premium diferentes. O modelo atual da BTV está esgotado, se é que alguma vez fez s

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  9. Quem mais, ligado aos lampiões, aguarda detenção pela PJ para passar uma ou duas noitinhas na esquadra? Quem mais? Será o Soares Oliveira que pagou o casório da filha com o bagulho dos sócios lampiões?
    Nesta época o pai natal anda cheio de prendinhas.

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  10. Dizem que o Flamengo vem por ai novamente ...Oxala tenha sucesso e nos tire ja o bazofias-traidor do JJ da frente.
    Alem disso estourou milhoes p fazer equipa escolhida por ele e continua a nao funcionar epoca e meia depois. Nao com a escolhas do 11, baralha as taticas, as substituiçoes sao sempre treta - falhadas, e insiste em improvisar e por jogadores a jogar fora da posiçao. Ontem mais uma miseria contra 10. Eram SC da Covilha ..... olha se fossem de aAlvalade ...
    SLB4EVER
    JJ NEVER
    Boas Festas....

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  11. aqui fala-se sempre no mesmo..papagaios e louros

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  12. Cado Eduardo, não se trata de qualquer fobia. O Taarabt às vezes faz algumas coisas bem, como ontem, após o bem sucedido livre, como refiro no texto. São é poucas essas vezes. Acredito que haja quem lhe aprecie o estilo. Mas para além do estilo está a eficácia, e aí a folha de serviço não entusiasma. É que, falhar passes, tem como consequência que a bola fique no adversário, e quando isso acontece ela vira-se para a nossa baliza, em vez de prosseguir o seu caminho natural para a do adversário. E isso é um óbvio foco de instabilidade. Ou não acha?

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  13. Concordo com o seu caderno reivindicativo, Miguel.

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  14. contra-peso para o castigo de Sérgio Conceição .... se o jesus nao estiver só tem vantagens, parece uma dupla penalização para o FCP

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  15. Bom dia, caro homónimo
    Não tenho por hábito comentar nas redes sociais. Fi-lo por razões que facilmente se extraem do texto acima. Posto que a sua resposta é tão educada quanto a minha, e que, depois de argumentar em favor da sua opinião, me deixa uma pergunta, decidi continuar a nossa conversa.
    Taarabt é, por culpa própria, um mal-amado. Após a recuperação encetada por Bruno Lage, o atleta passou de culpado a vítima. Qualquer jogo que o Benfica perca, logo surgem dedos acusadores em direcção ao marroquino. Eu, que joguei futebol e que o vejo jogar, sinto que Taarabt passou ao lado de uma grande carreira. Vamos por partes.
    Falei de dar espectáculo; o Eduardo fala de eficácia. Tal como numa partida de futebol, vou jogar a primeira mão ao seu campo. Num jogo haverá qualquer coisa como 800/900 passes. No campeonato português marcam-se um pouco mais de dois golos por jogo. Se em cada golo intervierem (ofensivamente, não a jogar para o lado e para trás) cinco jogadores), a "eficácia" dos passes que levaram até ao golo não ultrapassa 1% do total executado pelas duas equipas. Taarabt, no tempo em que se encontra em campo, estará, decerto -- com passes como os que deram dois golos contra o Famalicão e o acima referido por si ao Covilhã -- no top 3. da responsabilidade pelos golos do Benfica.
    Analisemos agora o tipo de passes que o marroquino realiza. Ao contrário de alguns dos seus colegas, Taarabt efectua passes frontais e de ruptura entre linhas defensivas ( procura meter a bola pelo buraco da agulha). Os mais difíceis, como é óbvio. E por isso falha a maioria. Quantos passes falha Salah por jogo? E Levandowski? A maioria, obviamente.
    Por outro lado, pergunto-me se um sistema defensivo como o do Benfica, com cinco defesas e um médio defensivo, não tem a obrigação de recuperar bolas. E, finalizo com um par de novas questões: Quantos passes que se perderam executados por Taabrat resultaram em golo para o adversário? Admito que algum, ainda que de tal não me recorde. Quantas grandes penalidades sofreu o Benfica por causa de Taabrat? Quantos golos marcou o magrebiino na própria baliza? E que respostas obteríamos se puséssemos as mesmas questões quanto aos colegas da defesa -- incluindo o guarda-redes que tão mal joga com os pés, ao ponto de colocar bolas tremendamente perigosas ao alcance dos avançados adversários -- e aos médios (só para citar os que mais perto da sua baliza actuam)?
    Taabrat não traz "estatística". Não traz "critério à la Fernando Santos". Não traz "contenção à la Jorge Jesus". Traz espectáculo. Acaso o Liverpool e o Bayern Munique, provavelmente as duas melhores equipas da actualidade, estão preocupadas com "a posse de bola"? E , mesmo a golear, jogam para o lado e para trás? E mostram "critério", que é o mesmo que quem diz "jogam para nos fazer adormecer"?
    Futebol não é a pseudo-ciência que uns quantos treinadores e comentadores nos querem fazer crer. É antes festa, alegria, vitórias e derrotas. Um jogo, tão-só.

    Nota à margem do tema:
    Falam os "iluminados" da importância dos resultados com o Porto para se decidir da manutenção ou despedimento de Jorge Jesus. Não posso discordar mais. Quero que o "meu" Benfica ganhe, mas é inaceitável que tenhamos um treinador que não mostra competência para pôr a jogar um conjunto de jogadores bem acima da média para o futebol português. Futebol também é arte de bem jogar. E que simples que é fazê-lo.

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  16. Caro homónimo gosto da sua exposição, e mais ainda do nível, pouco comum nestas caixas de comentários. Concordo com tudo o que diz, mesmo no que acrescenta sobre Taarabt. Claro que quem arrisca mais tem mais probabilidades de errar. No que afinal poderíamos divergir é na ponderação do risco. Há momentos em que há mesmo que correr riscos, outros em que não. Parece-me - mas posso estar errado - que Taarabt não sabe fazer essa distinção.
    Ao ler o seu comentário cheguei a pensar que viesse a falar de Renato Sanches, daquele dos 18 anos, de Rui Vitória, que o Taarabt de Bruno Lage chegou a parecer poder imitar. Mas este Taarabt de Jorge Jesus não tem nada a ver com o que Lage reabilitou. Como nenhum dos outros, afinal. É pela qualidade de jogo que se avaliam os treinadores. Mas, e mesmo que uma coisa não esteja dissociada da outra, também pela evolução dos jogadores. Uma e outra confirmam este desastre que foi o regresso de Jorge Jesus, e o erro que é mantê-lo, e permitir-lhe que conclua a destruição, desportiva e financeiramente, de todos os jogadores que tem à disposição
    Obrigado pelos seus comentários. E volte sempre.

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