
Depois da sua vitória eleitoral interna - não tanto pela expressão dessa vitória, que foi mesmo por poucochinho, mas por ter sido a terceira consecutiva - Rui Rio até poderá ter feito renascer a sua carreira política, e surgir finalmente aos olhos dos portugueses como potencial primeiro-ministro. Mas a verdade é que, mais uma vez, não está a saber capitalizar essa espécie de ressurreição e, em vez de se afirmar como alternativa credível para tomar em mãos os destinos do país, escolheu envolver-se em trapalhadas que, em vez de o credibilizarem como verdadeira alternativa, lhe engordam a imagem de um certo populismo e emagrecem a da estadista.
As suas declarações sobre a detenção de Rendeiro, mas também as listas de candidatos a deputados, ambas virais no espaço mediático, são um manual de como desperdiçar capital político em dois tempos. Rui Rio recusou o debate com o seu adversário com o argumento que não queria perder com as eleições internas o tempo que tinha por precioso para tratar das do país. Em vez de o gastar a preparar debates com Paulo Rangel, preferia gastá-lo a preparar-se para as eleições de 30 de Janeiro.
Passadas as eleições, e ganhas, esperava-se um Rui Rio cheio de propostas para o país, bem preparadas. Mas não, nem uma. Surgiu nas redes sociais a acusar a PJ e o seu director de foguetório ao serviço do PS, quando o país, as instituições e todos os restantes partidos enalteciam a detenção de Rendeiro. Na entrevista de ontem ao Vítor Gonçalves, na RTP, acrescentou mais nós aos tinha dado no Twitter e apertados, depois, pela sua porta-voz para os assuntos da Justiça. Mas quando, sobre o anunciado propósito de António Costa num governo mais curto, foi questionado sobre o número de ministérios do seu governo se viesse a ganhar as eleições, respondeu que não se lembrava. Que tinha estudado isso há muito tempo, e já não se lembrava. Mas que seria mais ou menos os mesmos 16 de Costa.
Quis legitimar e reforçar a acusação ao Director da PJ de estar ao serviço do governo do PS com o facto de ser um cargo de nomeação governamental, sem perceber o que, à luz das justificações das suas escolhas para as listas de deputados, isso poderia dizer das sua próprias escolhas se, e quando, no governo.
A bota do "anti-institucionalismo" de Rio não joga lá muito bem com a perdigota da alternativa que pretende, e lhe caberia, protagonizar,. O rio corre debaixo da ponte, mas este Rio está a ficar parado no meio da ponte. A ponte entre o populismo anti--regime e a alternância no regime. E, pior que estar no meio da ponte sem saber bem se voltar para trás ou prosseguir em frente, é estar no meio da mesma ponte cada vez mais despido, praticamente nu!
Bem sei, da estória do rei, que a multidão não vê. Mas bastou uma criança gritar que o rei ia nu...
Não recordo nenhuma proposta concreta do candidato a PM. Tirando deixarem o Dr. Costa trabalhar sem a maçada de ir ao parlamento de quinze em quinze dias. Não sei se Rio seria um bom PM, como é um péssimo candidato não chegarei a saber.
ResponderEliminarÉ provável que não. Mas ... sabe-se lá. Vê-se tanta coisa...
ResponderEliminarUm congresso, supostamente onde seriam dados a conhecer o programa eleitoral e os candidatos iriam defender a regionalização... acabou com declarações, comunicados, correcções a declarações, explicações de comunicados, explicações de declarações e correcções a comunicados. Além da parte engraçada que foi o líder da lista de Portalegre a afirmar "com 19 anos já sei mais da vida do que o PM saberá até morrer"... um PUTO que só ainda sabe o que são discotecas, bares e andar de BMW, fazer aquela afirmação devia ser parte de um standup, afinal é o candidato a quem Rui Rio dá o poder de ser deputado. Depois da porcaria que Passos Coelho fez ao dar a direcção da Distrital da Segurança Social de Portalegre a um jovem advogado, que terminou o curso e foi nomeado director geral ao mesmo tem que o governo "se enganava" (como o tribunal decidiu para não pagar 53,74 milhões de euros ao jovem, em Outubro de 2016) e dava 200 anos de diuturnidades, onde ficou 6 meses e que o antecessor regressou e demorou 18 meses a colocar tudo nos eixos, agora o PSD apresenta um jovem que se diz super homem e mais conhecedor do mundo que qualquer outro português. Como é normal o PSD eleger 1 deputado, aquele PUTO será deputado, falta saber se é pelo PSD ou pelo Chega.
ResponderEliminarE de programa eleitoral, são muitas promessas, sem nada para avançar. Curioso é que André Ventura esteve reunido com Rui Rio e com 5 dos vice-presidentes do PSD, no Sábado, sem que fosse dita a razão da reunião. Mas, há algo muito interessante: Rui Rio e a sua liderança dizem que não farão uma coligação com o Chega. Atenção a este pormenor: Coligação. O PSD diz que não se irá coligar com o Chega... não diz que não irá avançar com acordo parlamentar, igual ao dos Açores, ou dando ministérios, a membros do Chega, caso consigam os 116 deputados entre o PSD e os partidos de direita. É uma bela forma de mover a bandeira... ao mesmo tempo que negoceiam os acordos futuros atrás do palco.
essa do Rio nu, está bem esgalhada.
ResponderEliminarNo entanto, é sempre assim. Sim, certo, diz que quem concorre para PM devia ter outra postura, outra credibilidade.
Mas vamos lá ver : Passos coelho ganhou as eleiçoes, apesar do roubo descarado aos portugueses. E portanto compreende-se que entre os adeptos laranja nao compreendam que o Rio, oposiçao, nao as ganhe.
Nem digo que ouvi o discurso do Rio no encerramento do congresso. Mas quando ouço a direita preocupada com os salarios baixos, tá tudo dito, nu.
Um pormenor nao abordado no post, e que ainda nao vi : que consequencias pode ter o rompimento com o cds ? Será que a coisa nao visa engrossar o chega? Em quem vao votar , util, os CDS´s ?
alias, ocorre-me e acrescento : as unicas palmas espontaneas ao discurso do Rio, foi quando ele anunciou o corte nos apoios sociais para obrigar as pessoas a trabalharem por salarios miseraveis.
ResponderEliminarMas o Costa antecipou-se e já antes tinha dito publicamente estar escandalizado as ver as folhas salarias de algumas empresas...com salarios miseraveis.