quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Banha da cobra para o crescimento

Intestino Poroso...mito ou realidade? - Scimed


Portugal tem um indesmentível e complexo problema de crescimento económico. Hoje tão iniludível que foi finalmente trazido para o debate eleitoral, nesta campanha. Se não se pode dizer que seja transversal a toda a campanha, menos se poderá dizer que tenha sido trazido em toda a sua plenitude. E, menos ainda, em modo de debate sério


Portugal tem vários problemas estruturais que confluem no problema do crescimento, como uma vasta rede de afluentes a desaguar no rio. Olhar para o estado do rio sem ver o que vem dos afluentes a montante é não querer perceber nada. E o que se não quer perceber, não se quer resolver.


É verdade que o tema veio para a campanha pela mão da direita, e em particular pela da Iniciativa Liberal, que dele faz prato principal. Daí passou para a agenda do PSD. A esquerda, mal, pouco mais fez que ignorá-lo, e deixou a direita sozinha a tratar do assunto da forma que entendeu. Com um mau diagnóstico, a receita nunca poderia ser mais que banha da cobra.


O diagnóstico partiu da comparação do crescimento dos países de leste, do lado de lá da antiga cortina de ferro, com o de Portugal. Não é por acaso, é um diagnóstico propositadamente enviesado para apontar ao fim político. Ignora que todos os países crescem mais nos primeiros 15 a 20 anos da adesão à Comunidade Europeia, por razões tão óbvias, que me dispenso de enumerar. Ignora as qualificações desses países à partida. Ignora o grau de especialização industrial da sua maioria. E ignora a sua centralidade geográfica e, em particular, as paredes meias com as maiores e mais desenvolvidas economias da União.


Ignora tudo isto para relevar as suas políticas liberais. De liberalismo.económico, evidentemente. Porque os outros não lhe importam. Os meios não devem justificar os fins, mas é campanha eleitoral... Temos de ser condescendentes.


O problema é a receita. Nessa já não pode haver condescendência. E a receita, adiantada por Cotrim de Figueiredo e logo apadrinhada por Rui Rio, é baixar o IRC. É simples: baixa-se o IRC e a economia desata a crescer!


Um vendedor de banha da cobra não faria pior. Mas esse nem disputa eleições nem se propõe a fazer crescer o país. Fica-se pelas dores de barriga e afins...


 

3 comentários:

  1. Tem razão: um vendedor de banha da cobra não faria pior... mas pelos vistos é o suficiente para ser primeiro-ministro.

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  2. Ignoram ainda o peso das empresas públicas no PIB desses países. Se esses Estados obtêm grande parte das suas receitas através dessas mesmas empresas públicas, não precisam de cobrar impostos tão elevados. Agora em Portugal estão à espera do quê? A mesma direita que andou uma década inteira a dizer que não havia dinheiro para nada, agora acha que se pode simultaneamente bastar os impostos e financiar hospitais e colégios privados. A direita quer uma nova bancarrota.

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  3. Não é o primeiro-ministro que, com todos os defeitos que tem, anda a sugerir baixar os impostos ao mesmo tempo que se financia todo o tipo de aventuras do setor privado como os colégios privados dos filhos dos ricos. A direitalha que passou uma década inteira a dizer que não havia dinheiro, agora acha que se pode esbanjar tudo nos fetiches dos ricos.

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