
O Tribunal Constitucional recusou-se a validar a pantominice dos partidos, e mandou repetir a votação no círculo da Europa, em que mais de 157 mil votos acabaram considerados nulos pela mistura dos votos legalmente expressos (bem ou mal, mas é a lei que é, e essa obriga à cópia do cartão de cidadão para validar o voto) com os outros, a que faltava o cartão de cidadão.
Marcelo, que tinha abençoado a pantominice, saltou logo fora da carroça - "é uma lição aos partidos". Uma afirmação que casa mal com outra - "Parti do princípio que não decidiam anular as eleições", rematada com "É a democracia a funcionar".
Não é. Se, pelo contrário, não for a democracia a não funcionar é, pelo menos, a democracia a funcionar mal.
Depois desta enorme falta de respeito pelos que vivem e trabalham lá fora, para onde na maioria dos casos foram empurrados, quantos emigrantes irão agora votar?
Eduardo, falo pela Alemanha: a abstenção atingirá recorde histórico, se for decidido o voto presencial, pois, nesse caso, há eleitores que terão de andar centenas de quilómetros para votar. A Alemanha é um país enorme e os portugueses estão muito espalhados. Ao contrário do que acontece aí, é óbvio que não há uma assembleia de voto ao virar de cada esquina. Quem vive em grandes cidades, ainda tem sorte, ainda que se tenha de deslocar à embaixada, ou ao consulado, e este possa ser longe. Para quem vive em cidades pequenas (como eu) são dezenas, ou mesmo centenas, de quilómetros (o "meu" consulado fica a cerca de 60 km).
ResponderEliminarNos outros países não será muito diferente, se bem que a comunidade portuguesa de Paris é muito grande, como sabemos. Essas pessoas votarão presencialmente com mais facilidade.
Ainda não está decidido se será de facto voto presencial, mas eu não vejo outra hipótese, se a repetição ocorrer a 27 de fevereiro. Não penso que haja tempo de enviar a documentação necessária.
Sei bem dessa dificuldade, Cristina. Da distância e até dos horários de funcionamento dos consulados, que abrem quando abrem e até atendem o telefone quando o atendem. Mas a essa dificuldade acrescem a desmotivação, a justificada revolta pela falta de respeito que naturalmente sentem pela forma como objectivamente foram tratados, e a frustração. Frustração em dose dupla: porque o seu voto vale sempre menos do que os dos restantes concidadãos (pela gritante falta de proporcionalidade relativamente aos círculos eleitorais nacionais) e, neste caso, já nem vai contar para decidir nada. E acresce ainda a arbitrariedade, se se vier a confirmar, pela razão que aponta (falta de tempo) ou por qualquer outra, o impedimento do voto por correspondência.
ResponderEliminarPara assegurar umas eleições, minimamente, justas, onde os votos de todos contem de igual forma, a única solução é repetir a votação em todos os círculos eleitorais, numa data simbólica, 25 de Abril de 2022, até lá, há tempo suficiente para afinar a democracia.
ResponderEliminarBom ... para afinar a democracia ter-se-ia de começar pela equidade na representação dos círculos eleitorais. E isso não é só impossível até 25 de Abril. É impossível em qualquer data para estas eleições. E se não é impossível para as que se sigam, é de todo improvável - uma improbabilidade com uma probabilidade próxima dos 100%.
ResponderEliminarO que devia ser explicado é porque é que foram invalidados os do circulo da Europa e foram validados os de fora da Europa se a pantominice foi a mesma.
ResponderEliminarA explicação é simples. Ou talvez não. É simples, porque os de fora da Europa não foram impugnados. Deixa de ser simples é explicar porquê. Se calhar tem a ver com os resultados. Quem ganhou fora da Europa, achou que estava tudo bem. Mas que já não estava nada bem quando não ganhou. Mas isso sou eu e a minha má língua a dizê-lo.
ResponderEliminarToda a gente sabe que o único objetivo das embaixadas é estarem de férias permanentes a mamar o dinheiro dos contribuintes. Ajudar os portugueses no estrangeiro: ZERO. E eu falo por experiência própria.
ResponderEliminarFora da Europa ganha sempre o PSD. Um sinal claro de que os emigrantes portugueses fora da Europa são na sua maioria pessoas privilegiadas que não estiveram cá durante os anos da Troika e querem é que o povo português se lixe. E até 1985 o segundo deputado do círculo "Fora da Europa" era sempre do CDS, deputado esse que representava os fascistas que tinham saído do país após o 25 de Abril. Pimenta no rabo do povo português para eles é refresco.
ResponderEliminarNo fundo não são muito diferentes dos apoiantes de Bolsonaro que vivem em Portugal, em vez de voltarem para o Brasil de Bolsonaro. Pimenta no rabo do povo brasileiro para eles é refresco, enquanto vivem num país governado pelo centro-esquerda e que aceita imigrantes.
Se a democracia funcionasse, depois do que se passou no FCP - SCP, o estadio do Dragao ja teria sido interditado ou o FCP a fazer jogos á porta fechada, sem publico e sem receitas.
ResponderEliminarÉ bem por aí,,,se a democracia funcionasse em pleno até se poderia questionar com que direito alguém pode votar nas opções para o país, quando á partida não sofrerá directamente as consequências dessas opções. Estou á vontade para o dizer, pois passei grande parte da vida profissional como emigrante e basicamente é isso,,,,,estando la fora por mais interesse que tenha no que se passa cá, estou-me nas tintas se a coisas correm melhor ou pior para a maioria.
ResponderEliminarum post disparatado, escudado na decisao do Tribunal.
ResponderEliminarAs vezes , muitas vezes os pormenores fazem toda a diferença. Imaginemos que o Tribunal rejeitou todos os outros requerimentos e que só este teve pertinencia ?!!!
Alias, pode até dizer-se inedito e estranho que qualquer agrupamentozito possa solicitar o Tribunal Constitucional.
Por outro lado temos um TC, e será assim em todo o mundo, que só "trabalha" quando solicitado, pois nao atua por ele proprio.
E logicamente nao há nenhum desrespeito, no máximo haveria crime propositado, coisa que ninguem afirma.
Fico em pulgas para voltar aqui e ver protestar porque desta vez votarao mais ou votarao menos .
Para igualar o post no exagero, direi que está um país e ilhas parado por causa de um incidente que nao conta para as contas.
percebe-se que o Eduardo sabe. Mas tambem se sente que dá com uma mao e esconde a outra :
ResponderEliminarSe amanha chegar um "lembrete" ao TC de que as eleiçoes nao podem ser repetidas porque os resultados sao conhecidos, o TC vai validar.
Explicando para alguns leitores:
uma maquina de registo do totobola, numa localidade, avariou. A acçao foi repetida e todos os apostadores, agora em filas de milhares de pessoas , todos acertaram nos 13 resultados.
if " exodo nunca visto : portugueses estao todos a emigrar para poderem votar outra vez " -noticia na Imprensa Falsa.
ResponderEliminarOportuno
Concordo consigo plenamente. Sempre mal dispostos, parece que estão sempre a fazer um favor e de má vontade. Sorte de quem não precisa dessa corja...
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