sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Estúpida forma de suicídio


Mais um jogo, mais uma demonstração de uma equipa sem carácter e sem sombra de personalidade. Uma equipa que não é equipa!

 

É uma máxima do futebolês que uma equipa joga o que a outra deixa jogar. É um clássico que o Boavista deixa pouco que o adversário jogue, mas nem sempre é assim. Provavelmente com o jogo da meia-final da Taça da Liga, em Leiria há menos de um mês na cabeça, o Boavista, que então jogou mais e melhor, entrou convencido que há dois jogos iguais. O que vai exactamente contra outra das máximas do futebolês.

 

E por isso a equipa de Petit entrou disposta a jogar o jogo de igual para igual. Disposta, por isso, a jogar e a deixar jogar. E deu-se mal. Ou melhor, passou a dar-se mal.

 

A primeira parte dividiu-se em duas metades. Na primeira, dividiu o jogo. Foi então um jogo quase sem balizas, mas entretido. O Benfica, já com os problemas do passe e da recepção aparentemente resolvidos, e com boa dinâmica de jogo ia cimentando uma superioridade clara no jogo, culminada no primeiro golo, praticamente no fim dessa primeira metade. Um golo que, até pelo seu ineditismo, era de bom pronúncio - um remate de fora da área, de Taarabt. Duas coisas raras, mais raro ainda um golo de Taarabt, que já se julgava uma impossibilidade histórica.

 

Taarabt, a novidade na equipa que evitou o mesmo onze pela terceira vez consecutiva foi, de resto, a figura da equipa. Até pelo que o jogo acabou por ser.

 

Na segunda metade da primeira parte a exibição do Benfica chegou a ser exuberante. Marcou o segundo golo, desta vez por Grimaldo, fez mais dois, anulados por fora de jogo, em jogadas de bom futebol, e poderia ter chegado à goleada.

 

Não chegou, e depois veio o costume. Em vez de continuar com a embalagem que trazia da primeira parte, o Benfica entrou para a segunda parte para o gerir. O primeiro quarto de hora foi isso que mostrou, que a equipa trazia na cabeça a ideia de controlar o jogo no alto do 2-0, porventura com a sugestão daquele rodapé da SIC, ontem, que assinalava que o Porto goleara a Lazio por 2-1.

 

Todos sabemos que este Benfica não tem qualidade de posse de bola para controlar um jogo. Ou o assume, ou não o consegue controlar. Acresce que este Benfica de Nelson Veríssimo sofre sempre golos. E nunca marca mais de dois golos (a excepção foi aquele jogo de Tondela, onde marcou três, abdicando também da goleada). Entrar para gerir o jogo e o resultado é portanto apenas a mais estúpida forma de suicídio.

 

O que aconteceu nesse primeiro quarto de hora foi que o Boavista aproveitou essa estupidez para se colocar por cima do jogo. O Boavista destabilizou o jogo, e introduziu-lhe rapidamente a agitação na disputa da bola, nos duelos e até, aqui e ali,  na quezília. E quando uma inversão destas acontece já não há volta a dar.

 

Mais ainda para Nelson Veríssimo, que só acertará nas substituições quando for proibido de as fazer. A única que merece algumas palavras é a de Taarabt por João Mário. O marroquino tinha sido dos melhores, e é também o que melhor se adapta às condições em que o jogo já estava lançado. Não seria ele a conseguir inverter aquelas condições, evidentemente. Mas era o que mais confortável nele poderia permanecer. Pelo contrário, João Mário teria condições para inverter o rumo do jogo, mas era também, e ainda mais na fase que atravessa, o que mais facilmente poderia sair atropelado.

 

E saiu. Nem na única substituição onde poderíamos procurar alguma racionalidade, Nelson Veríssimo acertou. E o Benfica foi-se afundando a pique. O segundo quarto de hora foi um terror, e não fechou, nem poderia ter fechado, sem o  golo do Boavista que inevitavelmente seria apenas o primeiro. O segundo não tardaria muito, menos de 10 minutos. E só não veio o terceiro porque não calhou, e também porque o Boavista ficou satisfeito com o empate. Porque, em meia hora, num terço do jogo, o Boavista fez o suficiente para, pela segunda vez em menos de um mês, ter merecido ganhar o jogo.

 

Este Benfica suicida já não tem por onde se pegar. É sempre a cair, sem que se saiba onde vai parar. Nem com que estrondo. Nem em quantos cacos se vai desfazer.

2 comentários:

  1. mandem o verissimo embora antes que seja tarde.

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  2. o rafa e o darwin estao mal .. estao a mais ali no onze .. mandem estes para fora do benfica

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