quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

Sempre a Europa a pagar as favas

Rússia x Ucrânia: quais sanções podem ser impostas contra governo de Putin?  - BBC News Brasil


 


A não ser que o cheiro a pólvora comece a entrar fortemente pelas narinas da poderosa indústria de armamento americana, e a despertar-lhe o irresistível apetite pela oportunidade, não me parece que se confirmem, neste momento, as mais dramáticas perspectativas de guerra generalizada a partir da Ucrânia.

 

À excepção dos militares russos, e naturalmente dos cidadãos ucranianos, não há ninguém disposto a morrer na Ucrânia. E aquilo que se pode neste momento prever também já será suficiente para aconchegar as barrigas do negócio das armas, por insaciáveis que saibamos que são. Tudo indica, pois, que os ucranianos vão ficar entregues a si próprios, e que os russos se vão começando a enterrar num atoleiro bem mais fundo do que aquele em que se enterraram em 1979, no Afeganistão. do qual pode até bem ser que já nem seja Putin a sair.

 

Para já não me parece perspectivável que o Ocidente vá para além das sanções económicas, de que a Europa é evidentemente quem mais vai sair a perder. Mas isso é o inevitável curso da História da Europa que, sem política externa e resignada ao conforto  de um ténue abrigo no chapéu americano, se deixou chegar aqui. 

 

A eficácia das sanções é praticamente nula, e vão fazer ricochete para acabarem a atingir que está mais próximo do destino previsto - a Europa. Que, no actual contexto inflacionista e de dependência energética da Rússia, vai pagar cara esta factura.

 

Quem mais generalizadamente sofre com as sanções são as populações. A doutrina das sanções é que o agravamento das suas condições de vida promova a sua revolta e, a partir dela, a desagregação do poder político que as dirige. Só que isso não funciona em regimes autocráticos, com máquinas de repressão capazes de esmagar toda e qualquer sublevação popular. Menos ainda num país com a História da Rússia, e menos ainda na forma de Putin exercer o poder.

 

Daí que estas sanções venham rotuladas de inteligentes - smart sanctions -, supostamente direccionadas às elites da oligarquia de Putin. Mas também aí a eficácia tem perna curta. Porque os grandes oligarcas russos já têm almofada para tudo, e alguns até já têm outras nacionalidades - veja-se Abramovic, o novo cidadão português -; e porque a própria economia russa, mesmo que débil, e até por isso, tem mecanismos próprios de sobrevivência.

 

O poder pessoal de Putin, a única coisa que verdadeiramente lhe interessa, continuará intocável na sua redefinição da História, com a máquina militar focada na Ucrãnia enquanto a da intelligentsia continuará a sua tarefa pelo mundo, e em particular na Europa, em cuja destruição concentra o seu objectivo de defesa pessoal. Na espionagem, nos ciber-ataques, e na promoção do desenvolvimento da extrema direita.

 

Isto é, sempre a Europa a pagar as favas…

 

5 comentários:

  1. Atenção que lá por terem outra nacionalidade, não se livram das sanções. Continuam a ser russos, até ao momento em que vendam os negócios russos e renunciem à nacionalidade russa.
    Mas, tem razão. A Rússia é a principal fornecedora de gás natural (45%) e de petróleo (27%) à Europa. Países como a Alemanha, França, Áustria e Itália dependem a 84% dos fornecimentos russos. Países como a República Checa, Eslováquia e Polónia, tem 92% de dependência da Rússia. É com isso que o Putin joga para resolver algo que durava há 8 anos... os ucranianos terem expulso os 104 fantoches russos, que queriam entregar o território à "mãe Rússia", em Fevereiro de 2014. Seguiu-se mais de 80000 milhões de dólares americanos, em fornecimentos de soldados e material de guerra aos "rebeldes", que são militares russos e batalhões russos, que não conseguiram cumprir o objectivo, tendo abatido o MH17 quando pensavam ser um avião ucraniano, obrigando a Rússia a retirar 17000 militares e 10000 equipamentos militares, da Ucrânia. É que o Trump poderia ordenar um ataque demolidor à frota russa, no mar Báltico... o Obama e o Biden só mexerão alguma palha, quando o Putin estiver ás portas de Berlim...

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  2. Essa de Trump poder ordenar um ataque demolidor à frota russa é que não sei onde a possa ter ido buscar...

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  3. É estranho dizer-se que o Obama e o Biden só fariam algo quando Putin já estivesse às portas de Berlim, até porque o título em si, é auto-explicativo: é sempre a Europa a pagar as favas.
    Vejamos: o Obama acabou de rebentar a Síria e foi a Europa a lidar com vagas de "refugiados" (e vai entre aspas, porque a esmagadora maioria não é refugiado de coisa nenhum, senão da boa vontade da Europa de entregar subsídios cmo uma espécie de mea culpa) vindos da Síria, do Iraque, Sudão (LOL?)... e, vai-se a ver, têm ligações ao Estado Islâmico, como caso daquele "refugiado" iraquiano que foi apanhado a levantar o subsídio, depois de se descobrirem planos para fazer ataques na Alemanha. O Biden, dois dias depois de ser empossado presidente, bombardeou a mesma Síria que, agora, demonstrou apoio a Putin.
    E por aí vai: a mesma Europa que se "quer multicultural" ao bom aspecto Norte Americano, está a ser destruída por aqueles palermas que quer reclamar como seus cidadãos, quando, de Europeus, nada têm, nem se esforçam por ser. Se os países Africanos e do Médio Oriente e até mesmo o Brasil, com ódio tão típico aos Portugueses, reclamassem zonas em que os seus cidadãos são em grande número, como zonas separatistas dos países em que se encontram, a Europa estava em muitos maus lençóis.

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  4. Apesar de este "Bruno" ser claramente escumalha racista, tenho a aplaudir o facto de dar a cara na sua estupidez. A não ser que use uma fotografia que é de outra pessoa, e nesse caso devia ser julgado por roubo de identidade. Escumalha!

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  5. O Trump era a prostituta de serviço do Putin mas parece que há escumalha que, mais de um ano depois de ele ter caído em desgraça na sequência de um auto-golpe falhado, insiste em lamber-lhe o ânus, coisa que a nem a esposa dele faz.

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