
Não se percebeu bem se, ontem, o PCP terá usado o Campo Pequeno para uma tourada se para um espectáculo de circo. Tourada não terá sido, foi circo. Não houve touros, houve contorcionismo e muito malabarismo, e isso faz parte do circo.
No comício de ontem para assinalar o seu 101º aniversário o tema principal teria inevitavelmente de ser a guerra na Ucrânia, e girar à volta das posições públicas que o Partido tem manifestado a esse respeito. Sob palavra de ordem "paz sim, guerra não", o comício serviria para Jerónimo de Sousa reclamar que não caricaturassem a posição do PCP que, “sem equívocos, e ao contrário de outros, condena todo um caminho de ingerência, violência e confrontação”. E para afirmar que não defende Putin, e que nada liga o partido ao capitalismo vigente na Rússia.
E conseguiu fazer tudo isso classificando o poder na Ucrânia de xenófobo e belicista, imputando a "ingerência, violência e confrontação" à “administração norte-americana e o seu complexo militar industrial" e a responsabilizando pela invasão - palavra também abolida do discurso comunista - a “intensificação da escalada belicista dos EUA, da NATO e da União Europeia”, cobrindo em toda a extensão o argumentário de Putin.
No circo desta "nova campanha anti-comunista" o PCP dispensa ajuda. Faz os números todos sozinho!
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