
À segunda semana a guerra sobe de tom. A Putin já não basta alvejar hospitais, creches e habitações. O seu ministro dos negócios estrangeiros, o não menos abominável Sergei Lavrov, declarou que "a III guerra mundial só pode ser nuclear" e, para explicar o que queria dizer, a Rússia atacou a central nuclear de Zaporizhia, a maior da Europa.
A partir daqui os dados estão irreversivelmente lançados, e deixa de ser razoável esperar algum tipo de sentido de responsabilidade do Kremlin. Só resta agir!
Não. Ao contrário do que vamos ouvindo, não está feito o que poderia ser feito. O que está feito é a Alemanha a negar que tenha apreendido o mega-iate do oligarca russo Alisher Usmanov, depois dessa apreensão ter ontem sido notícia. É a Europa a continuar a receber gás russo. É o gás natural liquefeito (GNL) estar fora do embargo - como se começou por pretender deixar de fora, no sentido inverso, os bens de luxo -, e estar, a esta hora, a ser recebido em Sines o navio Vladimir Vizenavio, de bandeira de Hong Kong, proveniente de Sabetta, no norte da Rússia.
É necessário e urgente, a partir da ONU e da correlação de forças aí estabelecida na Assembleia Geral de anteontem, que o embargo comercial seja total, sem excepções. Congelar, de facto e não com anúncios seguidos de desmentidos, todos os bens dos oligarcas russos. Fechar todos os espaços aéreos. E fechar todas as embaixadas, com a expulsão todos os diplomatas e o corte de relações diplomáticas com o regime de Putin.
Tudo, custe o que custar!
Depois disto, sim. Digam que está feito o que poderia ser feito!
Mesmo que ainda fique por fazer o que Kasparov propõe que seja feito: emissão de passaportes ucranianos a todos os pilotos da NATO que aceitem combater as tropas russas em aviões vendidos à Ucrânia por 1 euro, com as insígnias ucranianas!
Eu proponho ainda que qualquer europeu possa voluntariar-se para ir para a Ucrânia combater a Rússia, sem perda de posto de trabalho ou salários (o exército português encarregar-se-ia de pagar os salários). Mas lá está, tem que ser opcional, pois não podemos obrigar ninguém (nem sequer soldados profissionais) a lutar numa guerra a milhares de quilómetros da sua terra até porque já tivemos duas más experiências no século XX (primeiro a I Guerra Mundial, depois a Guerra Colonial).
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