Em vez de sinal de esperança a indicar o princípio do fim da guerra, o abandono das tropas russas do cerco a kiev é apenas a certeza do pesadelo de uma guerra sem regras, nem fim à vista.
O recuo das tropas de Putin, em nome do que quer que seja na ordem da estratégia militar de guerra, não nos deu apenas a conhecer nomes cidades e vilas da periferia da capital como Bucha e Irpin. Deu-nos a conhecer uma dimensão da brutalidade e do horror que nem nos piores pesadelos admitíamos. Deu-nos a conhecer uma outra dimensão da guerra, e transportou-nos, a cada um de nós, para outra dimensão de revolta.
Valas abertas cheias de amontoados de corpos, ruas cobertas de cadáveres, muitos de mãos atadas e sacos enfiados na cabeça, como vimos nas insuportáveis imagens que nos chegaram de Bucha, mostram-nos a monstruosidade das tropas russas. A guerra é impiedosa, mesmo quando feita dentro das suas próprias regras. Mas há linhas que nem a guerra pode cruzar. Uma coisa são as vítimas causadas em ataques de conquista de posições, e essas só poderão militares. Podem sempre acontecer vítimas civis por um erro, ou até por efeitos marginais. Outra, é executar civis antes de baterem em retirada.
Foi isso que as forças militares russas fizeram em Bucha e Irpin. Que soma a ataques a hospitais, creches e escolas. E que soma a relatos de médicos sobre crianças de Mariupol golpeadas e cortadas nas zonas íntimas do corpo.
É tudo isto somado que nos transporta para outra dimensão da revolta. Uma dimensão que é bem capaz de nos transportar para além de Putin!
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