
Celebra-se hoje o dia da Europa, assinalando a Declaração de Schuman, a 9 de Maio de 1950, em que o então ministro dos negócios estrangeiros do governo da França propôs, em plena reconstrução da Europa do pós-guerra, que França e a Alemanha - duas nações com uma longa e sangrenta história - juntassem a produção do carvão e do aço. O objectivo era acelerar a modernização dos dois países, depois da devastação económica e humana da Segunda Guerra Mundial, evitando uma potencial corrida de disputas concorrenciais nessas indústrias críticas e, com isso, evitar condições para o ressurgimento de uma nova guerra.
Um ano depois, a 18 de Abril de 1951, representantes de França, Alemanha, Itália, Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo assinaram o Tratado de Paris e estabeleceram a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA), uma organização pioneira baseada no princípio do supra-nacionalismo. Depois Comunidade Económica Europeia (CEE) e agora União Europeia (UE).
Passam hoje 72 anos, assinalados em guerra. Mas num clima de união como há pouco se tinha por imaginável, bem diferente do de há 10 anos, como se pode ver abaixo.
Não era no entanto esta celebração que mais marcava este 9 de Maio. Era a que celebra este mesmo dia, mas de 1945. O dia em que a Alemanha nazi se rendeu à União Soviética, dois dias depois da rendição à Aliança Ocidental. A Guerra, essa, só terminaria 4 meses depois, a 2 de Setembro, com a rendição do Japão, menos de um mês depois das bombas atómicas americanas sobre Hiroshima e Nagasaki.
Aguardava-se que Putin puxasse por uma qualquer carta da manga. Da "operação especial" já não tinha nada para tirar, ao contrário de tudo o que teria esperado. O melhor que tinha para apresentar seria um desfile em Mariupol, encabeçado pelo líder separatista da auto-proclamada República de Donetsk. Nada mais!
Afinal, para a parada militar da Praça Vermelha, Putin não tinha nada. Nem na manga. Não teve nada mais para apresentar que não fosse o seu discurso repetido e repetitivo. A novidade foi nada. Foi nada de meios aéreos, o habitual prato forte da manifestação do poderio militar russo, neste dia, na Praça Vermelha. Que, sendo nada, não é uma novidade menor. Nem nada que se pareça...
Não correu nada bem a Putin neste 9 de Maio, com muitas brechas abertas. Sem aviões e com vários artigos publicados contra a guerra em sites sob o seu controlo, onde era definido como “ditador paranóico deplorável” e responsável pela “guerra mais sangrenta do século XXI”. Com três estações de televisão a serem alvo de ataques informáticos, substituindo as designações da programação por declarações contra a guerra, e com legendas a denunciar que "as vossas mãos estão cheias de sangue de milhares de mortos de ucranianos e crianças". Da cor do sangue foi também a tinta que manifestantes projectaram para a cara do embaixador russo em Varsóvia, à chegada a uma cerimónia de homenagem aos soldados soviéticos mortos durante a II Guerra Mundial.
"Arruinaram o nosso feriado sagrado" - declarou o embaixador, na mais lúcida declaração da diplomacia russa dos últimos largos tempos!
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