
Estamos ainda longe de conhecer a real dimensão da tragédia em Mariupol. As primeiras imagens da evacuação de civis do complexo siderúrgico de Azovstal - através da abertura, pela primeira vez, de verdadeiros corredores humanitários, o primeiro resultado da visita de Guterres - onde milhares de civis e militares ucranianos têm resistido, sitiados há mais de dois meses, permitem-nos no entanto uma primeira aproximação à trágica realidade ainda escondida debaixo dos escombros e para lá do negro dos edifícios da mais mártir cidade desta guerra.
Milhares de pessoas mais de dois meses sem comida, nem os mínimos cuidados de higiene, nem nas mais básicas necessidades fisiológicas. Mais de dois meses sem verem qualquer luz. Mais de dois meses de baixo de fogo, à espera de quando seria a última vez que as paredes tremiam antes de desabarem sobre os seus corpos. Mais de dois meses à espera que acabasse o ar que iam respirando...
Numa evacuação a conta-gotas, em que ainda só começaram a cair as primeiras ...
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