Vi há dias, algures, - confesso que não tenho uma grande memória, apenas uma memória selectiva que deita facilmente fora uns detalhes para se fixar nos que realmente lhe interessam – um quadro que dava conta de um estudo efectuado em oito países da UE. Recolhia em cada um desses oito países – Alemanha, Grécia, Itália, Inglaterra, França, Espanha, República Checa e Polónia – a respectiva opinião sobre um conjunto de atributos relevantes para as nações. Como estou simplesmente a socorrer-me da minha memória – selectiva, e como referi já nem sei onde é que poderei recuperar o tal quadro – corro o risco de deixar algum desses atributos para trás. Creio que me recordo de todos, apenas quatro. Mas, se assim não for, são de qualquer forma estes que me interessam: os mais e os menos trabalhadores e os mais e os menos corruptos dentro da União Europeia.
Os resultados eram interessantes:
- Em todos os oitos países se achava que os alemães eram os mais trabalhadores;
- Em nenhum dos oito países se achava que o seu era o menos trabalhador, condição que era invariavelmente atribuída a gregos e italianos, sendo que, nestes, cada um achava que era o outro;
- Também em todos os oito países se apontava a Alemanha como o país menos corrupto;
- Mas – e aqui vai o que mais me impressionou -, à excepção da Alemanha, como se percebe pela questão anterior, cada um achava que o seu país era o mais corrupto.
Não são apenas os gregos e os italianos a acharem que a corrupção tomou conta dos seus países, como provavelmente todos achariam normal. Não! Os franceses acham que é lá e não na Grécia ou em Itália que a corrupção mais se faz sentir. E os espanhóis, e os polacos e os checos…
Isto dá a ideia clara do estado da Europa. Do desencanto que atravessa as nações europeias e da credibilidade que atribuem às suas elites. E ajuda a perceber por que é que os capitais voam para a Alemanha. Por que é que a Alemanha não precisa sequer de pagar juros pelo dinheiro que capta, como se tem visto nas últimas semanas pelas taxas simbólicas de 0,07%. Por que é que há gente que prefere colocar dinheiro de borla na Alemanha, como que a pedir por favor para lho guardar, que a emprestá-lo a taxas de juro agiotas aos outros.
E, claro, esclarece definitivamente por que é que as eurobonds nunca passarão de uma quimera…
Mais que continuar a bater na Alemanha e na Senhora Merkel confesso - logo eu, a quem não têm doído as mãos - que acho que talvez não fosse má ideia reflectir um bocadinho sobre estes resultados. E a realidade que lhe está por trás!

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