
Só hoje, à 11ª etapa, aqui chega a edição deste ano do Tour de France, a 109ª da sua História. E nem estava para ser ainda hoje, de tão pouco que havia para contar. Só que, de repente, na primeira abordagem aos Alpes, a primeira etapa de verdadeira montanha surgiu com muito para contar.
A etapa, que ligava Albertville ao Col du Granon Serre, com apenas 152 quilómetros, passava pelos incontornáveis Col du Télégraphe, contagem de montanha de primeira categoria, e pelo Galibier, para terminar Granon Serre, ambos de categoria especial. Pogacar já há muito que andava de amarelo e a mandar na corrida como bem entendia. Não precisara sequer da montanha para cedo chegar á liderança. Parecia até que, se o primeiro lugar é dele, então quanto mais depressa o ocupasse, melhor. E parecia tão dele que ninguém ousava disputar-lho.
Tinha sido assim nas etapas anteriores, e foi assim hoje. No Col du Télégraphe e no Galibier, aqui mais ainda. Não tinha equipa, mas também não precisava dela. Não havia quem o atacasse, porque se o fizessem ele vingava-se. Foi assim no Galibier, com o ataque de Roglic - Pogacar respondeu e deixou toda a gente para trás. E a Jumbo, a super equipa deste ano, em sentido. Todos menos Jonas Vingegaard, que se agarrou à usa roda. Tanto que Pogacar achou que era de mais, e decidiu deixar de o rebocar, convencido que lá mais para a frente trataria do assunto. E todos os principais adversários que tinham ficado para trás acabaram por recolar na última descida do dia.
No início da escalada do Granon Serre Pogacar recorreu ao único apoio que tem na equipa - Rafal Majka - para o ajudar a tratar de um assunto de que ele se costuma encarregar directamente. O ciclista polaco fez o seu trabalho, impôs um ritmo duro e eliminou, desta vez ele, grande parte da concorrência. Só que, a pouco mais de 5 quilómetros lá do alto, Vingegaard percebeu que alguma coisa não estava bem com Pagacar para não responder ao ataque de Romain Bardet. Como já não tinha respondido ao de Quintana. E aproveitou para tentar a sorte. Acertou em cheio. Majka já tinha dado o que tinha para dar, e surpreendentemente Pogacar também.
Depois foi ver Vingegaard ir por ali acima, passando por todos os que havia para passar, a correr para a amarela e para a etapa. E Pogacar a ser passado por todos os que Majka tinha feito deixar para trás, sem que nenhum deles pudesse responder.
No fim, lá em cima, Pogacar era apenas o sétimo, a praticamente 3 minutos de Vingegaard. Perdeu a amarela e caiu para terceiro, ainda atrás de Bardet. E caiu o mito da invencibilidade!
Amanhã há Alpe D´Huez para esclarecer se hoje foi apenas um dia mau, que acontece a todos, ou algo mais que isso. De uma ou de outra forma este Tour está aberto quando se julgava fechado. Vingegaard é um osso duro de roer, e tem ao seu serviço, agora que Roglic é decididamente carta fora do baralho, a mais forte equipa da actualidade.
Sem comentários:
Enviar um comentário