quarta-feira, 20 de julho de 2022

Tour de France 2022 - II

 Foto: Guillaume Horcajuelo/EPA


 


Tínhamos ficado (mas também chegado) na 11ª etapa, ainda nos Alpes, mas já com Jonas Vingegaard de amarelo, depois daquela quebra de Pogacar, por negligência alimentar, ao que se disse. Antes do Alpe d'Huez, que deixou tudo na mesma, como ainda está!


No Alpe d'Huez, no dia da França, no 14 de Julho, Pogacar atacou, mas Vingegaard respondeu com grande à vontade. E assim voltou a suceder repetidamente...Até hoje. 


Sucederam-se três etapas de transição dos Alpes para os Pirinéus, todas com a sua história, e nenhuma acabou por correr à medida dos roladores, e especialmente dos sprinters. Acabaram, sim, à medida dos interesses de Vingegaard. Ou porque respondeu sempre com facilidade aos ataques de Pogacar, sempre que a estrada empinava, ou porque, na 15ª, no domingo, entre Rodez e Carcassona, num percurso de 202,5 km, quando sofreu uma queda, Pogacar deu um exemplo de desportivismo, e não atacou a corrida, aguardando pela recuperação do seu adversário, e pelo seu regresso ao pelotão. À campeão!


Seguiu-se mais um dia de descanso, um inédito terceiro, antes de, ontem, chegar aos Pirinéus, para uma série de três etapas que, com o contra-relógio de sábado, decidirão a corrida. A etapa de ontem, a 16ª, entre  Carcassonne e Foix, com quatro contagens de montanha, uma de segunda e três de primeira categoria, disse muito do que pode ser esta passagem pelos Pirinéus. Disse que, afinal, Pogacar terá muitas dificuldades em apear Vingegaard do primeiro lugar. Disse-o na última montanha quando, depois do jovem esloveno ter atacado na subida anterior, com resposta pronta e clara do dinamarquês, não ter voltado a atacar na última  e decisiva subida ao Peyragudes, limitando-se a seguir na roda do seu companheiro Raphal Majka, até este ter partido a corrente e ficar apeado - incidente na sequência do qual se lesionaria, lesão que o impediu de partir para a etapa de hoje - e, depois, a seguir Vingegaard, bem protegido pela sua equipa de luxo, mesmo que já sem Roglic, que já não partira para a etapa, depois de grandes exemplos de humildade no trabalho gregário a favor do seu companheiro, no papel de líder que fora seu.


Ao abdicar de atacar no Peyragudes, Pogacar reconhecia claramente que não estava melhor que o seu adversário, e que não valia a pena atacá-lo. 


Hoje, na segunda etapa dos Pirinéus, entre Saint-Gaudens e Peyragudes um percurso de 130 km e de novo com quatro contagens de montanha, e de novo com três de primeira categoria (incluindo o mítico Col D´Aspin) e uma de segunda, e apesar de ter ganhado lá no alto de Peyragudes, hoje com a meta de chegada, Pogacar não deu melhores indicações. Nem Vingegaard piores.


Se nas etapas anteriores a Jumbo Visma era um exército às ordens de Vingegaard, hoje foi  a UAE-Emirates - tanto mais que hoje já não contava com Majka, nem com Marc Soler, igualmente vítima da etapa de ontem, e estava reduzida a apenas quatro ciclistas - a mandar na corrida e a prestar um surpreendente serviço ao seu líder. Primeiro com Mikkel Bierg e, depois, até à meta, no trabalho fantástico do americano Brandon McNulty na frente da corrida, que destruiu toda a concorrência, E a verdade é que, em condições diferentes - Pogacar com equipa e Vingegaard sozinho -, o resultado foi o mesmo. Quando Pogacar atacou, Vingegaard respondeu. E depois abdicou, novamente. Até à meta, onde só bateu o adversário no sprint final, ganhando-lhe apenas 4 segundos na bonificação.


Tudo indica que a última etapa dos Pirinéus, amanhã, não seja muito diferente destas duas. E se assim for, os 2:18 que agora fazem a vantagem de Vingegaard deverão ser suficientes para lhe garantir a vitória, em Paris.


 

Sem comentários:

Enviar um comentário

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...