Partiu o maior génio do futebol português. Quando a bitola for génio puro, o puro génio da arte da bola, Chalana é o maior de todos. A sorte não lhe foi talhada à medida da sua genialidade, e a vida acabou por ser-lhe madrasta, negando-lhe o seu verdadeiro lugar no futebol mundial.
Como é habitual, o reconhecimento chega com a morte. E os vivas a Chalana só chegam agora, quando ele já os não pode ouvir.
Recebi esta noticia com uma profunda tristeza, foi como se tivesse partido alguém da minha família, e não apenas da família desportiva, da família biológica, mesmo. Enquanto benfiquista e adepto do futebol foi o génio de Chalana que me proporcionou alguns dos momentos mais entusiasmantes e deliciosos de sempre...Tardes e noites de pura magia...Como posso esquecer aquele derby em que ele pôs literalmente de gatas, á procura da bola, o Gabriel, que era então o lateral direito do SCP. Vi Chalana dar os últimos toques na bola em 22 de Março de 2003, na despedida do velho Estádio da Luz e apesar da idade e das mazelas, estava lá tudo, o toque de bola, a visão de jogo, a ginga, em suma, a genialidade. Mais recentemente, em 2016, cruzei-me várias vezes com ele, no Estoril, no paredão, junto á praia da poça. De todas as vezes que o via pensava em pedir-lhe para tirar uma selfie, mas estupidamente e talvez por pudor nunca o fiz, algo de que me arrependerei para sempre...Descansa em paz, pequeno grande génio, no panteão dos IMORTAIS.
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