sexta-feira, 5 de agosto de 2022

O sopro americano na borboleta chinesa

O que incomodou Pequim na visita de Pelosi a Taiwan? | Vídeo | PÚBLICO


Depois da invasão da Rússia à Ucrânia, e especialmente dos movimentos tectónicos na geopolítica mundial que se lhe seguiram, ficou escrita nas estrelas que a tomada de Taiwan pela China seria uma questão de tempo. 


Não é preciso saber ler bem as cartas, ou as estrelas, para perceber o que lá ficou escrito. Se a invasão de um país soberano e como tal reconhecido internacionalmente e sem qualquer reserva por todo o planeta dera no que deu, bem mais fácil ficava para a China o passo para a consumação da sua missão histórica de "um só pais e um só Estado", até porque Taiwan não é reconhecido como Estado soberano por mais que 13 países, onde nem sequer se incluem os Estados Unidos, para quem os interesses da globalização falaram sempre mais alto.


Por isso a recente e polémica visita de Nancy Pelosi, a speaker da câmara dos representantes, não podia ser menos oportuna. Nem menos perigosa!


Trata-se verdadeiramente de brincar com o fogo, e expõe mais uma vez o baixo pudor da política externa americana. Custa a perceber a racionalidade desta visita, neste que é o momento de maior tensão mundial das últimas décadas, e também o de maior convergência entre a China e a Rússia. E choca que tenha simplesmente sido um instrumento para ajudar no teste doméstico das intercalares do próximo Outono.


A eliminação de Ayman al-Zawahiri poderia ser trunfo suficiente para as midterms, mas chegou tarde de mais. Tudo estava já em marcha, e nem Biden foi já a tempo de evitar a provocação a que Pelosi emprestou a cara, deixando a nu que a administração democrata se está nas tintas para as asas da borboleta chinesa. E, acima de tudo, para os 24 milhões de chineses que vivem naquela impressionante ilha montanhosa que dizem querer proteger, mas que simplesmente estão a entregar a Xi Jinping.


 

1 comentário:

  1. Se por um lado os imperialistas americanos estão a criar uma crise desnecessariamente, por outro lado a República Popular da China parece estar bastante sensível. Goste-se ou não, Taiwan ainda é um país independente da República Popular da China, do mesmo modo que a Coreia do Norte e a Coreia do Sul são países diferentes. Esperemos que a República Popular da China tenha um pouco de noção e não se arme em EUA/Rússia. Se a China quer "retaliar", pode sempre visitar Cuba, aquela ex-colónia americana que ainda hoje os imperialistas americanos não aceitam ter perdido.

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