quarta-feira, 24 de agosto de 2022

Suspeições à la carte

Brasil e Angola buscam reaproximar relações econômicas – CEIRI NEWS –  Jornal de Relações Internacionais


Vão a votos os dois maiores países da língua portuguesa. Angola, já hoje, e o Brasil, daqui a pouco mais de um mês.


Não se esgotam nestas particularidades da dimensão, da língua comum e do calendário, os paralelismos entre os dois actos eleitorais nestes países irmãos. Há mais!


Para além da língua têm em comum a debilidade da democracia e das instituições. Um enorme potencial de riqueza sucessivamente desbaratado, e uma insustentável desigualdade que desemboca na pobreza pornográfica da imensa maioria dos seus povos.


Têm ainda em comum neste processo eleitoral algo de macabro. Para Angola seguiu, daqui ao lado, o cadáver do anterior presidente e obreiro-mor do país e do regime, mais de dois meses depois da sua morte, e de despudorada disputa dos seus restos mortais. E para o Brasil seguiu, a partir do Porto, conservado em formol e formalidades bacocas, o coração do longínquo obreiro da independência, há 200 anos.


E têm ainda em comum nestas eleições o clima de suspeição sobre os resultados eleitorais que já está instalado nos dois países, e à forte probabilidade de não virem a ser aceites pelos perdedores. Não é exactamente uma novidade, e é o reflexo da debilidade da democracia nestas duas paragens da língua de Camões e Pessoa.


Há, porém, diferenças fundamentais neste comum clima de suspeição. Em Angola é levantado pela oposição e, pela História, com provável sustentação. E, acima de tudo, por quem não tem o poder das armas, o que faz toda a diferença nas suas consequências. No Brasil, ao contrário, é levantado por Bolsonaro, no poder. E com o poder das armas. E não só o das forças armadas institucionais, há ainda um Brasil armado que vai para além delas atrás de Bolsonaro.


No Brasil, Bolsonaro replica Trump, seguindo-lhe a cartilha à risca. Mas num país em que as instituições são bem menos consolidadas que as americanas.


São, por isso, bem menos aceitáveis, e muito mais preocupantes, as suspeições "à la carte" de Bolsonaro que as da oposição em Angola.


 


 

1 comentário:

  1. Não há nada em que Bolsonaro não imite Trump. Perdoai os burros que votaram nele que pelos vistos não sabem mesmo o que fazem.

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