terça-feira, 6 de setembro de 2022

A fazer dos fortes fracos


O Benfica entrou a ganhar na Champions. E vão dez ... Dez jogos ... dez vitórias. E por agora, no fim da primeira jornada, o primeiro lugar do grupo (o PSG ganhou por 2-1 à Juventus, em Paris). 


Dirão os do costume que ... nada. Que o Benfica só encontrado adversários frágeis. E que este Maccabi Haifa é mais uma equipa fraca. A mais fraca do grupo, será em teoria. Veremos se a prática o vai confirmar.


Só que esta equipa israelita é tudo menos fraca. É mesmo muito forte. Fisicamente fortíssima e, do ponto de vista táctico, um adversário muito difícil.


A primeira parte mostrou claramente as dificuldades deste adversário. O Benfica não fez - é verdade! - uma boa primeira parte, e chegou a parecer que este seria mais um jogo na linha dos dois últimos do campeonato. 


As dificuldades do futebol do Benfica nesses dois últimos jogos mantiveram-se, em particular no que se refere à velocidade e ao afunilamento do jogo para a zona central do ataque, com total ausência de chegadas à linha de fundo - as que mais desequilíbrios provocam nas defesas adversárias. Só que desta vez percebia-se que essas dificuldades eram mais provocadas pelo adversário que propriamente por demérito dos jogadores.


A equipa israelita dificultou mesmo muito a tarefa do Benfica, com uma dimensão física que lhe permitia marcar individualmente em todo o campo, sempre com enorme pressão sobre cada jogador adversário e, com isso, encher de areia a engrenagem do futebol de Roger Schemidt, muito especialmente pelo que entupiu as ligações de Enzo e de Florentino. Depois, essa dimensão física permitia-lhe fazer que saía a jogar, e com isso chamar os jogadores do Benfica para, depois, lançar para a frente à procura das segundas bolas.


E este foi o desafio que, na primeira parte, o Benfica conseguiu ganhar. Muito por mérito dos dois centrais - o miúdo, o António Silva, e o seu avô, Otamendi, foram absolutamente soberbos. O resultado era um empate, a zero. E apenas uma oportunidade de golo, nos pés de Rafa, e negada pelo guarda-redes. Mas o controlo sobre o jogo que, naquelas condições, o Benfica sempre manteve era um grande resultado ao intervalo.


Não se poderá dizer que na segunda parte tudo mudou. Mas mudou muita coisa. Começou por mudar com a troca ao intervalo de Gonçalo Ramos por Muza. Não que o croata seja melhor, mas porque é diferente. Joga de costas para a baliza, como dizem. Mas o que de mais relevante trouxe ao jogo foi o posicionamento. Mais fixo, fixou mais os centrais adversários, e abriram-se mais espaços. E, com eles, a inspiração de Grimaldo e Rafa. Mas também Enzo Fernandez, e até de João Mário.


E os golos acabaram por aparecer. Dois, em apenas 5 minutos, e ainda dentro dos primeiros dez da segunda parte. Primeiro numa excelente jogada colectiva, com Grimaldo (lá está, já perto da linha de fundo) a cruzar para a entrada de Rafa, bem junto à linha de golo. E, depois, aquela obra de arte - arrisco mesmo que esteja desde já encontrado um dos maiores candidatos ao prémio Puskas - do espanhol. Um golo de grande espectáculo que encheu de brilho a vitória do Benfica!


Em apenas 10 minutos ficou resolvido um problema que até parecia bem difícil de resolver. Com o problema dos golos resolvido, o resultado da primeira parte - o controlo do jogo - alargou-se. Com nova intervenção de Schemidt que, para isso, trocou Neres - que não fora bafejado pela inspiração - por Aursnes. E com o António e o Nico sempre lá bem em cima, sem darem qualquer hipótese de susto.


Esperava-se a estreia de Draxler, mas foram Chiquinho e Diogo Gonçalves a entrar para subsistirem o esgotado Rafa - que, se na altura de decidir e definir os lances tivesse metade da qualidade que tem a romper com bola, seria hoje um dos melhores do mundo - e o esforçado João Mário. É o que temos ... e, pelos vistos, ainda teremos de esperar pelo internacional e campeão mundo alemão. 


E o terceiro golo, que melhor definiria a superioridade do Benfica sobre mais este "fraco" adversário, só não surgiu porque o poste direito da baliza do guarda-redes americano do Maccabi o roubou a Enzo Fernandez.


E daqui a uma semana vamos a Turim. Esperemos que para defrontar uma fraquinha Juventus!

3 comentários:

  1. Nao foi um bom jogo do Benfica ,mas o Maccabi fez tudo para sair da luz com pelo menos um empate a zero.. e fizeram tudo pa o Benfica jogasse o seu futebol. valeu o 3 pontos,e vamos ver como se sai no proximo jogo com o PSG..SAUDACOES BENFICQUSTAS

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  2. O futebol será provavelmente a atividade mais volátil de todas, é por vezes minima a distancia que separa o sucesso do insucesso, basta um penalty falhado, um offside mal tirado ou uma bola no poste...Mas uma gestão desportiva competente será sempre meio caminho andado para contrariar a volatilidade da atividade e criar as condições para que o sucesso seja uma realidade.Vem isto a propósito do papel do "homem do leme" nesta transfiguração do futebol do Benfica. Rui Costa que tão apedrejado foi na praça pública, antes sequer de poder demonstrar o que valia por si próprio, enquanto presidente do SLB, tem vindo a demonstrar que o epíteto de maestro que lhe assentava tão bem dentro das quatro linhas, também começa a fazer sentido na gestão do clube. A contratação de Roger Schmidt e a revolução silenciosa operada na reestruturação do plantel, são disso um claro exemplo, sem grande alarido nem declarações bombásticas.Não irei ao ponto de dizer que Rui Costa será o homem ideal para tornar o Benfica grande de novo, primeiro, porque o Benfica nunca deixou de ser grande e depois porque não gosto do slogan, mas nunca tive grandes dúvidas de que Rui Costa é o homem certo, no lugar certo.
    E Pluribus Unum.

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  3. Pode ser, mas convém dizer que até um "ceguinho" via que com aqueles jogadores (no meio campo especialmente) dos dois últimos anos (escolhidos por Jesus ou Costa? ) o Benfica nunca mais ganharia uma "carica".

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